Libreville, 29 ago (Lusa) - Mais de 50 países africanos assinaram nesta sexta-feira a "Declaração de Libreville", sob o compromisso de criar políticas integradas entre a saúde e o meio ambiente, medidas que poderão salvar milhões de africanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Entre as medidas firmadas pelos 53 países presentes em Libreville, no Gabão, está o compromisso de estabelecer uma aliança estratégica centrada nos dois setores, de forma a desenvolver planos de ação comuns.
Durante quatro dias, 80 ministros da Saúde e do Meio Ambiente e mais de 200 especialistas africanos e internacionais focaram atenções nas questões ambientais e nas suas implicações na saúde das populações, um debate que também serviu para reconhecer que o atual trabalho tem sido insuficiente para enfrentar os números reais do continente.
Só em 2002, segundo os dados mais recentes fornecidos pela OMS, os fatores ambientais estiveram associados à morte de cerca de 2,4 milhões de pessoas.
A organização internacional afirma que os riscos ambientais contribuem em cerca de 25% para o total das doenças existentes no mundo, um valor que aumenta para aproximadamente 35% em regiões como a África Subsaariana.
"A assinatura desta declaração é o primeiro passo na direção de salvar a vida de milhões de pessoas dos efeitos nocivos das alterações climáticas", afirmou o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a região de África, Luís Sambo.
"Vamos trabalhar juntos de forma a promover alianças estratégicas entre a Saúde e o Ambiente. Estou contente por termos conseguido assegurar um compromisso político de forma a catalisar mudanças institucionais que são necessárias para melhorar a saúde e o bem-estar das comunidades na região", disse.
Medidas
O documento propõe ainda o reforço das competências das áreas da saúde e do meio ambiente, tanto em nível nacional como regional, mas também promete "um equilíbrio na repartição dos recursos orçamentais nacionais para os programas intersetoriais" que serão desenvolvidos.
A avaliação contínua dos programas implantados e o intercâmbio entre as diferentes experiências nacionais também foram assumidos como compromissos pelos governantes.
O documento será apresentado, e segundo recomendação dos países representados em Libreville, pelo presidente da República do Gabão, Omar Bongo Ondimba, aos chefes de Estado e de Governo presentes na próxima cúpula da União Africana.
Como promessa fica também a realização, em 2010, de uma segunda Conferência Interministerial.
A primeira Conferência Interministerial sobre Saúde e Meio Ambiente foi promovida pela OMS e pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep).