A polícia da Colômbia usou gás lacrimogêneo nesta quinta-feira para reprimir manifestantes em mais um episódio da "crise das pirâmides", como ficou conhecido o esquema ilegal de captação de dinheiro no país.
O sistema entrou em crise na semana passada quando começaram a desaparecer os responsáveis por vários escritórios que recebiam dinheiro em moeda em troca de pagar juros de até 300% em curto prazo.
Milhares de investidores do esquema revoltados se reuniram em Bogotá para protestar contra o fechamento da DMG, a maior empresa colombiana do ramo, sob suspeita de lavagem de dinheiro da venda de drogas.
Centenas de manifestantes foram atingidos por gás lacrimogêneo quando bloqueavam uma rua em apoio ao fundador da DMG, David Murcia, que foi deportado do Panamá nesta quinta-feira sob acusações de suborno e lavagem de dinheiro. Outros seis membros da empresa receberam acusações semelhantes.
O presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, sugeriu que além de lavar os lucros obtidos com a venda de drogas, essas empresas também estão ligadas aos grupos guerrilheiros e paramilitares.
"Revolução Econômica"
"Podemos estar dando um golpe nos traficantes de drogas, nas guerrilhas, nos paramilitares, que tentam lavar dinheiro enganando os colombianos e habilidosamente invocando causas injustas para criar ódio entre os colombianos", afirmou Uribe nesta quinta-feira.
Murcia 28, afirmava que a sua companhia representava uma "revolução econômica" contra o sistema bancário do país, cujas altas taxas de juros há muito eram vistas como empecilho à classe operária colombiana. Seu advogado afirmou que a companhia não realizava atividades ilegais.
Manifestantes nesta quinta-feira carregavam cartazes que afirmavam que a DMG é uma "empresa do povo".
"David não nos decepcionou. Quem nos decepcionou foi o governo que o fechou", disse a manifestante Milena Castillo, que hipotecou sua casa para investir no esquema após familiares terem lucrado com o esquema durante três anos.
Ela disse esperar que Murcia --não o governo-- encontre uma forma para devolver seu investimento.
Castillo estava entre os milhares de investidores da DMG que se reuniram nesta quinta-feira para se registrar em um plano do governo de devolver o que eles puderem do dinheiro investido usando a soma apreendida nos escritórios da empresa. O governo disse que o dinheiro deveria ir primeiro para os que contribuíram menos, em um esforço para proteger os que provavelmente são mais pobres.