Paris, 21 nov (EFE).- A juíza Laurence Le Vert acusou hoje Mikel Garikoitz Aspiazu, conhecido como "Txeroki" - que se negou a declarar -de comandar o aparato militar do grupos separatista terrorista basco ETA, pelo que ele vai responder criminalmente na cadeia.
Txeroki, de 35 anos, foi detido na segunda-feira passada em companhia de Leire López Zurutuza em Cauterets, na França, próximo à fronteira com a Espanha.
Txeroki também foi acusado de formação de quadrilha com fins terroristas ligado a outro sumário aberto por Le Vert pelo assassinato de dois guardas civis na cidade francesa de Cap Breton, em 1º de dezembro de 2007, disseram à Agência Efe fontes judiciais francesas.
As fontes acrescentaram que a pena por este crime pode chegar a 30 anos de prisão.
A juíza do Tribunal de Paris ordenou a detenção, segunda-feira passada, do suposto chefe da ETA por relação com o crime de Cap Breton, mas hoje descartou a acusação de assassinato, acrescentaram as fontes.
Depois do interrogatório, e de acordo com a legislação francesa, ambos foram levados para a prisão por decisão do Juiz das Liberdades e da Detenção (JLD).
A juíza acusa López Zurutuza de formação de quadrilha em relação com o sumário aberto pela investigação à casa da localidade francesa, onde estão armas, documentos de automóveis e explosivos, disseram as fontes.
Txeroki é acusado também de outros crimes associados ao de Cap Breton: receptação de material roubado, assalto à mão armada e posse de substâncias utilizadas para a fabricação de explosivos.
Ele ainda é acusado de ter documentos administrativos falsos, ecnontrados na casa onde foi preso, em Cauterets, e de formação de quadrilha com fins terroristas.
O interrogatório de Txeroki e López Zurutuza aconteceu logo após o término do período de 96 horas durante o qual estiveram sob custódia da Subdireção Antiterrorista (SDAT), em Levallois-Perret, - arredores da capital francesa -, para onde haviam sido transferidos na última terça-feira.
Ele fora detido na madrugada de segunda-feira passada em uma operação comandada por Le Vert e da qual participaram agentes da SDAT, da Polícia Judiciária de Bayonne e do corpo especial RAID, além de agentes da Guarda Civil.
Txeroki é acusado por 22 crimes, nos seis tribunais centrais de instrução da Audiência Nacional espanhola, entre os quais se destacam os assassinatos em Cap Breton e o atentado no aeroporto de Barajas, em dezembro de 2006.
O atentando no aeroporto espanhol causou a morte de dois cidadãos equatorianos e representou a ruptura do cessar-fogo decretado pelo grupo em março daquele ano.
Segundo fontes fiscais, os 22 crimes dos quais o suposto terrorista é acusado acarretam prisão provisória e a correspondente ordem européia de detenção e entrega.
Fontes judiciais francesas disseram que por enquanto não receberam nenhum pedido por parte das autoridades espanholas para que Txeroki seja enviado à Justiça espanhola.
O Ministério do Interior espanhol disse, após as detenções de Txeroki e López Zurutuza, que a detecção das placas falsas do veículo utilizado pelos supostos terroristas conduziu à detenção.
A ministra do Interior francesa, Michèle Alliot-Marie, elogiou a cooperação entre os países e destacou que depois de 50 membros ou supostos membros terem sido detidos na França durante o ano passado, este ano houve 36 prisões até agora.