Genebra, 21 nov (EFE).- O Tratado de Proibição de Minas Antipessoais, assinado em 1997, continua dando seus frutos e o número de países que usam estas armas, assim como suas vítimas, segue caindo, mas estão acontecendo graves violações da convenção quanto à obrigação de limpeza e destruição das minas.
Estas são algumas das conclusões do Monitor de Minas Terrestres 2008, apresentado hoje na ONU pela Campanha Internacional para a Proibição de Minas Terrestres (ICBL, na sigla em inglês) a mais importante organização contra estas armas e agraciada com o Nobel da Paz.
Só dois países, Rússia e Mianmar (antiga Birmânia), ambos não signatários do Tratado, continuam usando-as em 2007, assim como vários grupos armados não estatais em pelo menos nove países, entre os quais se destaca as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pelo número de minas
"Outra boa notícia é que no ano passado não aconteceu nenhum uso, produção ou transferência de minas antipessoais por nenhum estado parte", disse Steve Goose, diretor-executivo da Human Rights Watch, integrado à ICBL.
No entanto, o relatório 2008 reflete que três estados parte - Grécia, Belarus e Turquia - todos eles com grandes reservas de minas antipessoais, não cumpriram com o prazo de 1º de março de 2008 para destruí-las.
Esta é "a maior violação até agora do Tratado de Proibição de Minas Antipessoais", assinalou Goose, ao apresentar em entrevista coletiva o relatório.
Grécia e Turquia armazenam 4,2 milhões de minas antipessoais, enquanto Belarus falta destruir 3,4 milhões.
Outros 15 estados parte, que têm de prazo até 2009 para a limpeza de minas, declararam não ser capazes de cumpri-lo e solicitaram uma extensão.
Entre eles estão Equador, Venezuela, Peru, Reino Unido e Bósnia-Herzegóvina.
Para os responsáveis pelo relatório, os casos da Venezuela e do Reino Unido são especialmente graves, pois "têm uma contaminação de minas relativa, não excessiva, e não limparam nem uma só área minada em nove anos".
Se o Reino Unido tem as minas nas ilhas Malvinas, como herança da guerra que travou com a Argentina, a Venezuela as tem em áreas de fronteira com a Colômbia, "e não lhe interessa limpá-las porque lhe servem como meio de impedir a entrada de guerrilheiros colombianos", disse Goose.
"A obrigação de limpeza de minas se refere especialmente às áreas onde se sabe positivamente que existem", esclareceu o responsável. "Não esperamos que países como o Camboja, fortemente contaminados, possam limpar totalmente seu território", acrescentou.
Em 2007, o número de vítimas por minas e artefatos sem explodir de guerras continuou decrescendo, de 6.022 para 5.426, entre mortos e feridos.
Mais um ano, a maioria das vítimas foram civis, e a metade destes crianças, destacou Katleen Maes, da Handicap International, outra das ONGs do ICBL.
Além disso, a redução no número de vítimas foi menos significativa que em outros anos, e se produziram vítimas em países onde nunca antes tinham sido registradas, como Mali e Gâmbia.
Em 2007, os doadores deram US$ 430 milhões para financiar a ação contra as minas, liderados pelos Estados Unidos, Noruega, Canadá e União Européia.
Os principais países receptores foram Afeganistão, Iraque e Camboja.
O Tratado de Proibição de Minas já conta com dois terços dos países do mundo (156 estados) entre seus signatários, embora o ritmo de adesão tenha caído e apenas três tenham se somado em 2007 (Kuwait, Iraque e República de Palau), e até agora em 2008 nenhum o fez.
Mas em seus anos de existência, os países signatários destruíram 42 milhões de minas.
Mais de 70 Estados e seis áreas não reconhecidas internacionalmente continuam afetados por minas.