Brasil Online

Busca
Sexta-feira, 09 de JANEIRO de 2009

21/11/2008 - 11h38

América Latina e Ásia-Pacífico devem investir em seu potencial comercial

LIMA, 21 Nov 2008 (AFP) - Apesar de ter crescido nos últimos anos, o comércio e os investimentos entre a América Latina e a região Ásia-Pacífico ainda são fracos e pouco diversificados, porém apresentam um grande potencial a longo prazo, segundo analistas consultados pela AFP.

Após um recuo provocado pela crise asiática há uma década e, em seguida, uma série de acordos bilaterais assinados nos últimos anos, o comércio entre ambas as regiões foi retomado, embora ainda registre um desequilíbrio a favor das economias asiáticas, especialmente a China.

Em 2006, o déficit comercial para a América Latina chegou a 69 bilhões de dólares.

Somente cinco países latino-americanos, Brasil, Chile, Argentina, México e Peru, concentram 92% do total de envios regionais à região Ásia-Pacífico, os quais estão centrados quase unicamente em matérias-primas.

Contudo, os envios latino-americanos representam apenas 2,7% do total recebido pelas nações dessa região. Para a América Latina, suas vendas às nações asiáticas representam 7% do total.

O Brasil, a maior economia regional, é o primeiro sócio comercial latino-americano das nações asiáticas, com exportações anuais da ordem dos 16 bilhões de dólares, seguido de Chile, que há dois anos assinou um Tratado de Livre Comércio com a China.

No total, 82% dos envios chilenos -que totalizam cerca de 13 bilhões de dólares- correspondem a cobre, do qual este país é o principal produtor mundial. Uma proporção similar tem o Peru, o segundo exportador do metal vermelho e que está prestes a assinar um acordo bilateral como a China. O México exporta para a Ásia quase 4 bilhões de dólares ao ano.

Em contraste, os produtos da região Ásia-Pacífico vêm aumentando sua presença na região e representam cerca de 20% do total de importações latino-americanas, colocando a China na posição de um dos maiores sócios comerciais da América Latina.

"Do ponto de vista da Ásia-Pacífico, a América Latina e o Caribe não foi um sócio comercial relevante, pelo que a relação entre ambas as regiões é muito assimétrica", segundo o documento "Oportunidades de Comércio e Investimento entre América Latina e Ásia-Pacífico", preparado pela Comissão Européia econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

"As relações comerciais entre ambas as regiões estão ainda em um estado embrionário", disse o economista peruano Jorge González Izquierdo, à AFP.

"As trocas ainda são escassas e, o que é pior, muito pouco diversificadas. O potencial está no longo prazo", acrescentou o economista.

Em seu documento de análise, a Cepal -organismo dependente das Nações Unidas- recomendou aos países da região que consolide e fortaleça os vínculos entre ambas as regiões mediante o aproveitamento de suas complementaridades e o investimento de alianças comerciais.

"A dinâmica atual da demanda agregada dos países da região Ásia-Pacífico, principalmente a China, oferece oportunidades sem precedentes à região da América Latina e do Caribe no âmbito produtivo e exportador, tanto de produtos básicos como de manufaturas e serviços", segundo a Cepal.

Enquete

Computando seu voto...
Carregando resultado

Total de votos: