MOSCOU, 21 Nov 2008 (AFP) - A Duma, câmara baixa do Parlamento russo, aprovou nesta sexta-feira a ampliação do mandato presidencial de quatro para seis anos, no momento em que o governo está preocupado com os riscos de instabilidade frente à escalada da crise na Rússia.
No total, 392 deputados votaram a favor da emenda em terceira e última leitura, e 57 comunistas foram contra. O Conselho da Federação (câmara alta) tem agora cinco dias para se pronunciar a respeito.
O presidente russo, Dmitri Medvedev, propôs esta reforma constitucional em 5 de novembro em seu discurso anual à Nação. Segundo críticos do governo, a idéia de prolongar o mandato do chefe de Estado teria a perspectiva de devolver o poder a seu predecessor e atual primeiro-ministro, Vladimir Putin.
"Os problemas só estão se acumulando com o caráter imutável do poder", declarou à AFP o deputado comunista Nikola¯ Kolomi¯tsev para explicar o voto negativo dos eleitos de seu campo.
O prolongamento de um ano da legislatura à Duma -para cinco anos- também foi aprovada em terceira leitura assim como uma disposição que obriga o governo a prestar contas aos deputados anualmente.
O Frente cívico unido, movimento da oposição liderado por Garry Kasparov, ex-campeão do mundo de xadrez e ovelha negra do Kremlin, organizou uma manifestação contra estas reformas em frente ao prédio da Duma
"Exigimos um aumento das aposentadorias e não do mandato presidencial", dizia um dos cartazes da manifestação.
Esta reforma "visa restabelecer na Rússia um regime ditatorial", declarou o Front cívico unido em um comunicado.