O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, está sendo duramente criticado no país por uma série de gafes que deixaram os analistas em dúvida sobre sua atuação. No intervalo de poucos dias, o primeiro-ministro conseguiu ofender médicos, pais, eleitores e os barões do partido da situação que estão ligados com empresas construtoras de estradas.
Nesta quinta-feira (20), Aso disse que "falta bom senso" aos médicos, comentário que irritou os médicos que apóiam seu partido, o Liberal Democrático (PLD). Nesta semana, ele pensou que se dirigia a uma platéia de professores e afirmou, a um grupo de pais, que são os pais e mães quem precisam levar broncas, não as crianças.
| Shizuo Kambayashi/AP |
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| Primeiro-ministro Taro Aso comete gafes e é criticado duramente pelos opositores que ganham força no cenário político do Japão |
Ele também fez comentários que despertaram dúvidas sobre seu comprometimento com a privatização dos correios, proposta que ajudou o bloco governista a conquistar uma esmagadora vitória nas eleições de 2005.
Na época, Aso sugeriu que as rendas provenientes dos impostos pagos nas estradas podem ser doadas aos governos locais sem compromisso, o que enfureceu os parlamentares do PLD que defendem as empresas construtoras de estradas.
"Acho que é necessário que o primeiro-ministro fique quieto e assuma responsabilidades, e tome decisões finais", disse a jornalistas um dos principais assessores do primeiro-ministro, o secretário-chefe do gabinete, Takeo Kawamura, quando perguntado sobre os mais recentes comentários polêmicos de Aso.
Analistas acham que tais comentários não só refletem sua personalidade propensa a gafes, mas também complicam a situação de Aso e do PLD --que governou o Japão durante boa parte dos últimos 53 anos-- diante das eleições de setembro do ano que vem.
Uma derrota do LDP traria um momento de insegurança para o Japão já que os opositores democratas, socialistas e jovens legisladores assumiriam pela primeira vez em muitos anos.
"Ele parece um primeiro-ministro que tem apenas alguns meses de governo", disse o professor Koichi Nakano, da Universidade Sophia.
"Ele é o piloto de um avião que perdeu o controle", afirmou Kochi. "Há turbulência após turbulência, e os passageiros estão ficando nervosos."
Aso assumiu o cargo em setembro, após seu antecessor desistir abruptamente diante das paralisação do Parlamento na segunda desistência de um primeiro-ministro em um ano. As expectativas eram de que ele convocasse eleições antecipadas para formalizar seu cargo, mas a crise econômica e o mal desempenho do partido nas pesquisas adiaram a convocação.
Com Reuters