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Sexta-feira, 09 de JANEIRO de 2009

05/12/2008 - 13h18

Pressão para acelerar obras afeta sobreviventes do terremoto na China

Funcionários de Mianyang, uma das áreas da Província chinesa de Sichuan mais afetadas pelo terremoto de 12 de maio passado, que matou quase 70 mil pessoas, têm apressado a reconstrução da região para cumprir metas, porém causando prejuízo às vítimas, informou nesta sexta-feira a rádio estatal da China.

O governo provincial de Sichuan disse que os trabalhos de reconstrução poderiam levar até três anos, mas funcionários locais parecem estar ansiosos para causar uma boa impressão, atingindo a meta antes do tempo, continuou a rádio local.

De acordo com a rádio, as autoridades de Mianyang lançaram uma operação para retirar as tendas que abrigavam pertences de famílias instaladas em abrigos temporários, aumentando o aperto nesses locais. O objetivo seria conseguir alocar todos os desalojados em habitações permanentes até o Ano Novo chinês, que cai no final de janeiro que vem.

"É impossível viver assim", disse um aldeão. "Mas nós fomos forçados a retirar a barraca hoje. Tivemos de fazê-lo, ou o governo iria removê-la à força."

Em outras áreas, conforme a rádio, moradores disseram que funcionários ameaçaram retirar seus subsídios caso a construção de novas casas não comece ainda neste mês. Parte deles disse que poderia perder terrenos e um empréstimo prometido de 50 mil yuans (R$ 18 mil).

O aumento da atividade triplicou o preço dos tijolos e empurrou para cima os preços do cimento, areia e da mão-de-obra. Alguns trabalhadores que migraram para poder remeter dinheiro aos pais idosos e famílias na zona do terremoto foram chamados de volta para se juntar aos trabalhos de reconstrução.

"Eu tinha planejado trabalhar mais um ano para conseguir mais dinheiro para construir minha casa. Agora não tenho muito dinheiro", disse um trabalhador migrante. "Espero que ainda consigamos alguns empréstimos e subvenções, mesmo depois do Ano Novo chinês", disse ele, segundo a rádio chinesa.

Com a chegada do inverno, ficou mais difícil a situação de milhões de desalojados, muitos ainda instalados em barracas, casas pré-fabricadas e abrigos provisórios. As autoridades provinciais dizem faltar cobertores, roupas e, em alguns casos, até comida.

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