O palestino Wael Samouni, 32, relatou em reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal britânico "The Guardian" a morte de cinco integrantes de sua família em um ataque à sua casa promovido pelo Exército israelense, nesta segunda-feira, na cidade de Shifa, faixa de Gaza. "Olhei para o lado, peguei meu filho Mohammad e comecei a correr. Olhei para trás e vi no chão minha mãe, dois primos e três dos meus filhos, todos mortos."
Samouni contou ao "Guardian" que, neste domingo (4), a família acordou cercada e militares de Israel e dezenas de tanques que, ao amanhecer, tomaram a região --onde, antigamente, estava localizado o assentamento judaico Netzarim. Com o cerco, 12 dos Samouni decidiram ficar trancados em casa, sem comida ou água.
O homem --que trabalha no comércio-- contou que saiu de casa para analisar a situação por poucos minutos, e um homem com um rifle apareceu atirando, provavelmente pensando que ele era um militante. Samouni diz ter pedido que o militar não se aproximasse e, em resposta, recebeu a ordem para apresentar identificação. Samouni diz que, com medo, entrou em casa e preferiu não sair mais. Na manhã seguinte, veio o ataque.
"Estávamos sentados e, de repente, nossa casa foi bombardeada e todos correram. Foram três foguetes. Não tenho ideia de onde eles vieram." Conforme o "Guardian", os foguetes a que Samouni se refere seriam, na verdade, tiros de tanques. Samouni conta que, depois de ter constatado as mortes da mãe, dois primos e três de seus filhos, correu com os demais parentes para fora erguendo tecidos brancos. Por fim, eles conseguiram ser levados ao hospital de Shifa, o maior da região.
Mais tarde, Samouni levou os corpos dos três filhos ao hospital, onde permanece internado, com ferimentos nas pernas e no ombro, ao lado do filho Mohammad, de 5 anos, que teve de ser submetido a uma cirurgia. Parte dos parentes de Samouni --inclusive parte dos dez filhos dele-- continuam desaparecidos.
"É um massacre. Tenho 32 anos e nunca tinha visto nada assim. Não consegui me salvar nem aos que estavam à minha volta. Só queremos viver em paz", afirmou.
No hospital, Samouni e o filho contam com a companhia de um irmão de Samouni, Nael, 36, que vive nas proximidades e teve a mulher e a filha mortas naquele mesmo ataque. Segundo Nael, durante o bombardeio, tentou ajudar um homem que encontrou ferido na rua, porém foi repreendido pelos israelenses. "Não podíamos socorrer ninguém."
Nael afirmou ao "Guardian" que culpa o grupo radical islâmico Hamas pela ofensiva de Israel. "Eles nos fazem passar fome e, agora, estão nos matando. Eles falaram para os israelenses entrarem mas, agora, onde está a resistência? Eles estão escondidos."