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Quinta-feira, 18 de SETEMBRO de 2014

05/03/2009 - 11h36

Na China, pastel de nata português ganha as ruas de Xangai

Por António Caeiro, da Agência Lusa

Xangai, China, 5 mar (Lusa) ? A conversa com os taxistas de Xangai é quase sempre a mesma: "Portugal?! O vosso país joga muito bem futebol".

O "quase" diz respeito a outro símbolo português muito conhecido na maior cidade chinesa ? os pasteis de nata, ou "pu shi dan ta", expressão que significa, literalmente, "torta de ovo de estilo português".

O fenômeno não é novo, mas parece mais generalizado do que há uma década, quando a rede de "fast-food" norte-americana Kentucky Fried Chicken começou a fabricar os seus pastéis de nata.

Aos balcões da "Loja de Comida nº1", na Nanjing Lu (a mais concorrida avenida comercial de Xangai), ou em qualquer estação de metrê, a venda de pastéis de nata está bastante difundida.

Cada pastel custa três yuan (cerca de 40 centavos de euro, ou R$ 1,19 no câmbio atual), o mesmo valor da passagem do metrô.

"Toda a gente associa Portugal a Cristiano Ronaldo e aos pastéis de nata", diz um dos cerca de 50 portugueses residentes em Xangai.

Situada no delta do grande rio Yangtze, costa leste da China, Xangai é considerada a capital econômica do país e a sua mais populosa cidade, com cerca de 19 milhões de habitantes.

Trata-se também da mais cosmopolita cidade chinesa, com dezenas de milhares de empresas com capitais externos e o único "maglev" (trem de levitação magnética) do mundo, de fabricação alemã.

Milhares de arranha-céus dominam a paisagem urbana, sobretudo na área de Pudong, na margem oriental do rio que atravessa Xangai. Os dois mais altos ? com 101 e 93 andares, respectivamente ? estão entre os cinco maiores do mundo.

Entre as centenas de restaurantes de cozinha estrangeira existentes em Xangai, há quatro de uma cadeia chamada "Lisboa", propriedade de uma empresa de Macau e cujo logotipo é o galo de Barcelos.

Os restaurantes "Lisboa" também fazem pastéis de nata, mas a comida é mais luso-macaense do que propriamente portuguesa.

Num artigo publicado o ano passado, a professora Virgínia Trigo, especialista em cultura econômica chinesa e ex-presidente do Instituto de Formação Turística de Macau, reconstituiu a história do pastel de nata na Ásia.

Segundo a pesquisadora, a receita foi copiada em Macau por um cidadão australiano, no início da década de 1990, e passou depois para Hong Kong.

O pastel de nata entrou a seguir na ilha de Taiwan, onde parece ter tido logo grande sucesso, e mais tarde espalhou-se pelo continente chinês.

Mesmo sem canela, como é normalmente servido em Xangai e no resto da China, o inesperado "pu shi dan ta" tem, pelo menos, um ingrediente inconfundível ? o "estilo português".

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