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Sábado, 07 de NOVEMBRO de 2009

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04/07/2009 - 19h58

Presidente deposto confirma volta a Honduras; cardeal apoia novo governo

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, confirmou neste sábado que voltará neste domingo a Tegucigalpa junto com "vários presidentes", pediu a seus simpatizantes que o recebam sem armas e advertiu aos que o derrubaram que "estão cercados". Mas enquanto Zelaya se apoia no repúdio internacional à sua deposição e diz que defende a "vontade de Deus" e do povo, o governo interino de Honduras recebeu neste sábado o reconhecimento da mais alta autoridade da Igreja Católica no país, que pediu para que o presidente não volte neste momento ao país.

"Vamos nos apresentar no aeroporto em Tegucigalpa com vários presidentes, vários membros da comunidade internacional. Neste domingo, estaremos em Tegucigalpa abraçando-os, acompanhado-os para fazer valer o que tanto defendemos em nossa vida, que é a vontade de Deus através da vontade do povo", disse Zelaya, em discurso transmitido pela emissora venezuelana Telesur.

Após lembrar como foi tirado de seu país no domingo passado pelos militares, Zelaya disse que estes "estão em cumplicidade com a elite voraz que espreme e asfixia nosso povo", e fazem parte de um golpe que "colocou em evidência diante do mundo que, em Honduras, ainda há uma espécie de barbárie". Ele foi derrubado pelo Exército, com apoio da Suprema Corte e do Congresso no dia em que pretendia fazer uma consulta popular sobre mudanças na Constituição.

Os adversários dizem que Zelaya, cujo mandato termina no início do próximo ano, pretendia derrubar a cláusula que impede a reeleição, sob inspiração de seu aliado Hugo Chávez, que na segunda tentativa conseguiu aprovar por voto popular o fim do limite para reeleições na Venezuela.

As novas autoridades hondurenhas têm alertado que, se o presidente deposto voltar ao país, ele será imediatamente preso, acusado de abuso de autoridade, violação dos deveres dos funcionários e traição, entre outros crimes.

Na manhã deste sábado, o cardeal Oscar Andrés Rodríguez apareceu na televisão e no rádio para dar o seu apoio às novas autoridades e assegurar que "todos os poderes do Estado, Executivo, Legislativo e Judiciário, legais e em vigor legal e democrático, de acordo com a Constituição". O cardeal Rodríguez é considerado uma das pessoas mais respeitadas em um país no qual 97% da população é católica.

A declaração foi feita um dia depois que o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Jose Miguel Insulza, visitou Tegucigalpa e disse que "a ruptura da ordem constitucional persiste e que quem fez isso não são têm qualquer intenção de reverter esta situação". A organização discute neste sábado a suspensão de Honduras da entidade, e rejeitou um pedido de exclusão voluntária feito pelo governo de Honduras por não reconhecê-lo como legítimo.

Mas a mais alta autoridade da igreja hondurenha considerou que "as instituições democráticas estão em vigor em Honduras". O cardeal fez uma interpretação da Constituição para questionar se Zelaya ainda era presidente no momento em que foi detido por militares e retirado do país. Segundo o religioso, como um artigo da Constituição estabelece a impossibilidade de reeleição do presidente e determina que "aqueles que propuserem a reforma" do artigo "deixa imediatamente o cumprimento das suas funções", ele não era mais presidente quando os soldados o retiraram de casa, ainda de pijama.

Ao encerrar a leitura da declaração, o cardeal apelou ao "amigo José Manuel Zelaya" para que não retorne ao país neste domingo.

"Pensemos se um regresso precipitado ao país, neste momento, poderia desencadear um banho de sangue. Eu sei que você ama a vida, eu sei que você respeita a vida. Até hoje ninguém morreu em Honduras. Por favor, medite, porque depois seria tarde demais", disse o cardeal.

Em declarações ao canal Telesur feitas em Washington, após o apelo do cardeal, Zelaya pediu à imprensa uma grande cobertura jornalística em sua chegada à capital hondurenha.

"Eu lhes peço, com toda minha alma, com todas as forças do meu coração, que se mantenham a par de nossa chega a Tegucigalpa", uma vez que hoje termine na OEA o que chamou de "a última batalha em organismos internacionais".

Zelaya disse que dá como "certo" que voltará a Tegucigalpa acompanhado pelo menos pelos presidentes de Argentina, Cristina Kirchner; Paraguai, Fernando Lugo, e Equador, Rafael Correa, e de "outros dirigentes mundiais" que não identificou.

"Não vamos diminuir nossa capacidade de luta jamais", frisou.

Os hondurenhos e a comunidade internacional devem ter "a total segurança de que vamos retornar com as mãos limpas, mas com as mãos abertas para abraçar todos os hondurenhos", afirmou.

Golpe

Zelaya foi derrubado do poder no último domingo (28) em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por militares, que o expulsaram para a Costa Rica. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema.

"Fui retirado da minha casa de forma brutal, sequestrado por soldados encapuzados que me apontavam rifles", contou o presidente deposto, após chegar ao exílio na Nicarágua.

"Diziam: 'se não soltar o celular, atiramos'. Todos apontando para minha cara e o meu peito. [...] Em forma muito audaz eu lhes disse: 'se vocês vêm com ordem de disparar, disparem, não tenho problema de receber, dos soldados da minha pátria, uma ofensa a mais ao povo, porque o que estão fazendo é ofender o povo'."

De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas "repetidas violações da Constituição e da lei" e por "seu desrespeito às ordens e decisões das instituições". Segundo os seus críticos, com a consulta, Zelaya pretendia instaurar a reeleição presidencial no país. As próximas eleições gerais serão em 29 de novembro.

Depois da saída de Zelaya do país, no Congresso de Honduras, um funcionário leu uma carta com a suposta renúncia, o que ele nega. Zelaya diz ter sido alvo de "complô da elite voraz"; e seu sucessor, Micheletti, diz que o golpe foi um "processo absolutamente legal".

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