Lisboa, 4 jul (Lusa) - As qualificações, energia, alta velocidade e banda larga, a internacionalização da economia e as políticas sociais são as "palavras-chave" que comandarão o programa do governo que o Partido Socialista (PS) apresentará às eleições legislativas, anunciou o premiê português, José Sócrates.
"A nossa estratégia, as nossas orientações e palavras-chave que estão no nosso espírito são: qualificações, conhecimento, energia, mais exportações", apontou Sócrates, que lidera a legenda, ao propor um "pacto com as pequenas e médias empresas" para a internacionalização da economia.
"Inserir o país nas redes do conhecimento global, mas também nas redes físicas e infraestruturas da alta velocidade" são as prioridades do programa de governo do PS, acrescentou Sócrates.
O primeiro-ministro e candidato a novo falava durante o encerramento do fórum socialista "Novas Fronteiras", que contou com a presença do ministro luso das Finanças, Teixeira dos Santos, que toma posse segunda-feira como ministro da Economia, depois da demissão de Manuel Pinho.
As qualificações e a "continuação da aposta no programa Novas Oportunidades" é a "primeira das prioridades", disse o secretário-geral do PS.
Programa
O primeiro-ministro justificou a defesa da alta velocidade com a necessidade de inserir o país "nas redes físicas de infraestruturas para ficar mais ligados ao centro [da Europa]".
"Nós precisamos mais disso que os outros porque estamos mais longe dos centros geográficos", afirmou.
"Isso exige visão estratégica, exige não ficar para trás e principalmente exige que não tenhamos a visão de alguns que nos antecederam quando afirmaram como [o ex-presidente] Salazar um dia afirmou que Portugal e os portugueses deviam ser pobres e humildes como a terra que trabalham", criticou Sócrates.
Na área da energia, o primeiro-ministro defendeu que o investimento no setor como "uma contribuição para a redução do endividamento externo".
"A verdade é que o endividamento externo é um mal crônico, mas esse endividamento tem raízes estruturais e que cerca de 50% desse endividamento é devido à compra exterior do petróleo. Quanto mais reduzirmos essa fatura, mais contribuiremos para que Portugal evolua nesse domínio".
Quanto às políticas sociais, José Sócrates defendeu que o Estado deve proporcionar "igualdade de oportunidades para todos", recusando uma "visão assistencialista", mas ter "o valor da igualdade que é condição para o sucesso econômico".
"Não somos um partido que queira tomar conta das pessoas do berço até à morte. Não temos uma visão assistencialista, mas devemos propiciar boas escolas, o acesso às coisas boas do mundo", afirmou.