RAMALLAH, Cisjordânia, 5 Nov 2009 (AFP) - O líder Mahmoud Abbas, de 73 anos, não se apresentará às eleições presidenciais palestinas de 24 de janeiro de 2010, devido à sua frustração com o bloqueio do processo de paz, segundo nota oficial.
Dirigentes da Organização para a Libertação da Palestina, no entanto, ressaltaram seu apoio a ele como candidato, informou o secretário-geral do Comitê Executivo da OLP, Yasser Abed Rabbo.
A decisão do presidente Abbas foi tomada num momento em que o processo de paz no Oriente Médio está completamente bloqueado, pois os Estados Unidos fracassaram em convencer os israelenses a congelar a colonização nos territórios palestinos.
A Casa Branca reagiu em seguida ao anúncio de Abbas, anunciando considerar o líder palestino um "verdadeiro parceiro" dos Estados Unidos, mas evitou pronunciar-se sobre as consequências que terá sua decisão de não voltar a se candidatar à presidência da Autoridade Palestina, em janeiro.
"Temos pelo presidente Abbas um respeito imenso, ele representa, para os palestinos um líder importante e histórico e, para os Estados Unidos, um verdadeiro parceiro", disse o porta-voz do presidente Barack Obama, Robert Gibbs.
"Direi, simplesmente que, qualquer que seja sua decisão, contamos continuar a trabalhar com ele", disse Gibbs à imprensa.
A Autoridade Palestina pede o fim da colonização israelense, inclusive em Jerusalém Oriental (anexada por Israel em junho de 1967) antes de reiniciar as negociações de paz.
Este problema é o principal obstáculo ao reinício das discussões israelense-palestinas, bloqueadas há quase um ano.
Na entrevista à imprensa, Abbas não ocultou a decepção com a política do governo Obama sobre o assunto.
No final de semana passado, em Jerusalém, a secretária de Estado Hillary Clinton deu seu apoio à posição do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que deseja o reinício das negociações sem condições prévias e só propõe o congelamento da colonização.
Mesmo que Hillary Clinton tenha retrocedido depois, suas declarações foram motivo de surpresa e incompreensão, e até fúria no lado palestino.