A polícia iraniana deteve um jornalista da agência de notícias France Presse durante os protestos ocorridos nesta quarta-feira em Teerã, confirmou hoje o diretor interino do escritório na capital Teerã, Jay Deshmukh.
"Farhad Pouladi cobria as manifestações quando foi interceptado por três agentes de segurança, dois deles uniformizados e outro civil. Desde a manhã de ontem não temos notícias dele", disse Deshmukh.
Centenas de opositores se manifestaram nesta quarta-feira em Teerã, paralelamente à concentração convocada pelo regime iraniano para comemorar o 30º aniversário do ataque à Embaixada dos Estados Unidos na capital iraniana.
A imprensa internacional tem sido proibida desde junho de cobrir as manifestações da oposição iraniana nas ruas, consideradas "ilegais" pelo regime.
No entanto, os repórteres estrangeiros foram autorizados a trabalhar ontem no local da concentração organizada pelo regime, em frente à antiga embaixada dos EUA em Teerã.
Segundo o relato das testemunhas, cerca de 20 pessoas foram detidas nas manifestações.
Repressão
Os tumultos depois da eleição de junho --que deram ao presidente, Mahmoud Ahmadinejad, um segundo mandato-- foram os piores no Irã desde a queda do xá há três décadas.
Milhares de seguranças iranianos se reuniram nas ruas de Teerã na quarta-feira para evitar marchas da oposição. Líderes oposicionistas como Mousavi e Mehdi Karoubi, que disputaram as eleições contra Ahmadinejad, pediram a seus simpatizantes que fossem às ruas protestar contra o governo, apesar das advertências da polícia iraniana sobre "reuniões ilegais".
Uma testemunha disse que a polícia disparou gás lacrimogêneo contra a multidão e prendeu ao menos cinco pessoas.
O presidente dos EUA, Barack Obama, aproveitou o aniversário da crise dos reféns para pedir a Teerã que fizesse concessões sobre seu programa nuclear, dizendo que o país precisa "virar a página do passado" e construir uma nova relação com os EUA.