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Quarta-feira, 25 de NOVEMBRO de 2009

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05/11/2009 - 07h30

Karzai é corrupto, mas é nosso homem, diz ministro francês

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, afirmou em declarações publicadas pelos jornais "New York Times" e "International Herald Tribune" que o presidente reeleito do Afeganistão, Hamid Karzai, "é corrupto" mas "é o nosso homem" e por isso o Ocidente deve legitimá-lo no poder.

"Karzai é corrupto, ok", afirmou Kouchner, antes de destacar que a corrupção é endêmica no Afeganistão e que ele "é nosso homem". "Devemos legitimá-lo", alertou ainda o ministro francês, já que esta é a chance da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) consolidar um governo no Afeganistão e finalmente deixar o país.

Karzai ganhou a maioria dos votos no primeiro turno da eleição presidencial no Afeganistão, em 20 de agosto, mas investigação mostrou que houve fraude massiva em seu favor. A Comissão Eleitoral reduziu então sua margem de votos e convocou segundo turno, cancelado diante da desistência do seu adversário, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, sob a alegação de que existiam muitos riscos de repetição das fraudes registradas no primeiro turno. Candidato único, Karzai foi reeleito.

Segundo Kouchner, a Otan deve apoiar Karzai mesmo diante das evidências claras de fraude. "Isto é ciência", disse, sobre a constatação de fraude, "Mas política não é ciência. É consenso".

Kouchner também lamentou a falta de coordenação entre os aliados da Otan no Afeganistão, e inclusive entre os países da União Europeia (UE) que têm tropas no país asiático.

"Na Europa, atuamos, lutamos, vamos à guerra, mas não conversamos e é realmente uma pena", afirmou Kouchner, que ressaltou que a Otan "não funciona em nada" no Afeganistão. "Qual é o objetivo? Qual é o caminho? Em nome de quê?", questionou Kouchner, segundo o "New York Times".

O chefe da diplomacia francesa elogiou, contudo, a nova estratégia dos Estados Unidos no Afeganistão e insistiu nos esforços civis da intervenção internacional.

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