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El País

05/11/2009 - 07h00

"Poderíamos ter acabado como a Tchetchênia", diz Vytautas Landsbergis, primeiro presidente da Lituânia independente

A. Rizzi
Em Vilna (Lituânia)

Quatro meses depois da queda do muro de Berlim, em 11 de março de 1990, Vytautas Landsbergis declarou a independência da Lituânia. Tratava-se da primeira república soviética a abandonar a União. Landsbergis (Kaunas, 1932), líder carismático do movimento independentista, foi nomeado chefe de Estado, posto que ocupou até 1992, guiando o país nos momentos talvez mais tensos da queda da URSS.
  • AP

    Populares derrubam uma estátua de Lênin de
    seu pedestal em Vilna, na Lituânia, após o país tornar-se independente da União Soviética



Em janeiro de 1991, as tropas soviéticas saíram às ruas de Vilna para acabar com a revolução lituana. Prédios estratégicos foram ocupados, uma dúzia de civis assassinados, e pelo menos 600 feridos. Mas o golpe fracassou. "Poderíamos ter acabado como a Tchetchênia...", diz Landsbergis, de seu gabinete em Vilna. A resistência dos lituanos, as pressões internacionais e divisões em Moscou evitaram o pior.

"Éramos ativistas comprometidos com a liberdade e com a Lituânia", recorda Landsbergis, que agora é eurodeputado. "Nós nos unimos à onda reformista geral impulsionada por Gorbachev. Trabalhávamos no âmbito das instituições, tentávamos mudar a partir de dentro. Utilizávamos o dicionário de Gorbachev... transparência, abertura... Naturalmente tínhamos também algum objetivo, digamos assim, especial", diz, às gargalhadas. O objetivo era a independência.

"Começávamos a trabalhar com discrição para ele. Tentei fazer com que Gorbachev se sentisse diante da alternativa de ou ser uma continuação de Stálin, recusando a independência, ou um herói da liberdade. Creio que ele queria a segunda, mas não conseguiu. Não tinha um poder sólido, como parecia ter por fora. Alguns o haviam nomeado, outros retinham cotas determinantes de poder", relata Landsbergis.

"Então começamos a olhar para o Ocidente. Mas as democracias ocidentais não queriam que os acontecimentos se acelerassem, que colocassem obstáculos às reformas de Gorbachev". Mas o terremoto provocado pela queda do muro de Berlim rompeu todos os esquemas, e Landsbergis e seu grupo entraram no buraco, detonando a implosão da URSS e evitando represálias para a Tchetchênia.

Tradução: Lana Lim

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