
O presidente deposto de Honduras e o líder golpista do país deram sinais de que vão tentar novamente neste sábado formar um governo de unidade para tirar a nação de uma crise de quatro meses.
O presidente Manuel Zelaya, um refugiado na embaixada brasileira de seu próprio país, declarou no início da sexta-feira como morto um pacto para o encerramento da crise, enquanto o golpista Roberto Micheletti afirmou que ele formará um novo governo sem a participação de Zelaya.
Apoiar a proposta que permite uma votação no Congresso Nacional com uma opinião prévia da Suprema Corte de Justiça para retroagir todo o Poder Executivo prévio a 28 de junho de 2009, ou seja, a restituição de Zelaya ao governo
Criação de um governo de unidade e reconciliação nacional
Rejeitar a anistia de crimes políticos e moratória das ações penais
Renunciar à convocação de uma Constituinte ou a uma reforma da Constituição nas cláusulas pétreas
Reconhecer e apoiar as eleições gerais de 29 de novembro e a transferência de governo
Transferir autoridade sobre o Supremo Tribunal Eleitoral, as Forças Armadas e a Polícia Nacional
Criar uma comissão de verificação para fazer cumprir os dispositivos do acordo
Criar uma comissão da verdade que investigue os fatos, antes durante e depois de 28 de junho de 2009
Solicitar à comunidade internacional a normalização das relações com Honduras
Os Estados Unidos e a Organização dos Estados Americanos pressionaram os dois lados na sexta-feira para tentarem de novo, enquanto presidentes latino-americanos pedem a reinstalação de Zelaya ao poder, algo que tem sido considerado como ponto polêmico para um acordo.
Mas na mais recente virada na longa saga, o governo de Micheletti informou que vai suspender a instalação de um novo gabinete para dar a Zelaya o fim de semana para indicar membros para ele.
Do outro lado, um negociador de Zelaya afirmou que representantes de ambos os lados vão se reunir neste sábado para continuarem o processo de negociação.
O pobre país da América Central, que exporta bananas, café e artigos de vestuário, tem eleição presidencial marcada para 29 de novembro.
Mas se Zelaya e Micheletti não resolverem seus problemas, um novo presidente eleito pode não conseguir obter reconhecimento diplomático e apoio financeiro vital que foi cortado para punir o país pelo golpe.
"Nós chegamos a um possível caminho. Há um acordo prévio, mas não quero dar mais detalhes", disse Jorge Reina, negociador de Zelaya, a uma rádio local. "Há um novo caminho."
"Micheletti ratificou que reconhece a importância de um período de espera durante o fim de semana para se formar um governo de unidade e reconciliação", informou seu gabinete.
Zelaya foi forçado a ir para o exílio pelo Exército de seu país em 28 de junho, depois que a Suprema Corte emitiu uma ordem de prisão afirmando que ele violou a constituição por planejar um referendo para uma possível alteração da carta.