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Quinta-feira, 28 de agosto de 2014

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Dilma, 1ª mulher presidente e única economista em 121 anos de República

Rio de Janeiro, 31 out (EFE).- A economista Dilma Rousseff, eleita neste domingo presidente do Brasil, é a primeira mulher a se tornar chefe de Estado do Brasil, cargo exercido por 39 homens em 121 anos de vida republicana.

Dilma, que neste domingo venceu José Serra, do PSDB, chega ao topo do poder em sua estreia como candidata em uma eleição popular e com um desempenho melhor que o de seu mentor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que perdeu as eleições de 1989, 1994 e 1998 e só saboreou o triunfo pela primeira vez em 2002.

A presidente eleita é a quarta escolhida por eleições diretas desde 1985, quando o Brasil recuperou a democracia após 21 anos de ditadura militar.

Entre os 39 governantes incluídos pela Presidência em sua galeria histórica estão os interinos e os que integraram juntas militares. Por duas vezes um chefe de Estado foi eleito, mas não chegou a governar, o que aumentaria o número para 41.

Foi o caso de Julio Prestes, eleito em 1930 e que não chegou a exercer porque 22 dias antes de sua posse foi iniciada uma revolução que tirou Washington Luiz do poder e lhe impediu de assumir o cargo.

Também não pôde assumir Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito depois da ditadura militar.

Tancredo, que foi eleito em janeiro de 1985 em votação indireta por um colégio eleitoral, devia tomar posse em 15 de fevereiro do mesmo ano, mas um dia antes ficou gravemente doente e morreu em 21 de abril. Seu vice-presidente, José Sarney, governou o país até 1990.

No entanto, a lei número 7.465 de 1986 ordenou que Tancredo fosse honrado como presidente.

Segundo a lei, "o cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais".

No exercício do cargo morreu, em 1909, Afonso Pena, com dois anos e sete meses de um mandato de quatro anos, que foi concluído pelo vice-presidente Nilo Peçanha.

O homem que mais tempo esteve à frente do Poder no Brasil foi Getulio Vargas, quem em meados de século XX governou em quatro períodos que somaram 18 anos, sete meses e três dias, e acabou se suicidando no palácio presidencial no Rio de Janeiro.

O que menos governou foi Carlos Luz, um interino que ficou apenas três dias como presidente, em novembro de 1955, em substituição de João Café Filho, sucessor de Vargas e afastado do cargo por motivos de saúde.

Getúlio chegou ao poder com a Revolução de 1930 e, em 1934, foi eleito presidente por uma Assembleia Nacional Constituinte. Governou até 1937, quando protagonizou um golpe e instaurou o Estado Novo, que acabou com sua renúncia em 1945.

Em janeiro de 1951 voltou ao poder, desta vez por voto popular, mas interrompeu seu mandato de cinco anos na manhã de 24 de agosto de 1954 quando, no meio de uma grave crise política, se matou com um tiro no coração.

"Deixo a vida para entrar na História", escreveu em carta de despedida.

O ex-presidente tinha 68 anos quando começou seu quarto período de Governo, se tornando o governante mais velho a exercer o cargo. O mais jovem foi Nilo Peçanha, que chegou ao poder aos 42 anos.

O marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a república em 1889, renunciou em novembro de 1891 por conflitos com o Exército e foi substituído pelo também marechal Floriano Peixoto.

Também renunciou Jânio Quadros, que assumiu em janeiro de 1961 e abandonou o cargo sete meses depois, alegando que "forças terríveis" nunca esclarecidas o obrigavam a isso.

Seu sucessor, João Goulart, também não pôde concluir o mandato porque no dia 1º de abril de 1964 foi derrubado pelos militares, que em 21 anos colocaram cinco presidentes no poder, ou oito se forem levados em conta três Governos tampão.

A renúncia mais recente foi a de Fernando Collor de Mello, que assumiu em 1990 e deixou o Governo em dezembro de 1992 para evitar que o Congresso lhe destituísse por corrupção. O vice-presidente, Itamar Franco, assumiu em seu lugar.

Na galeria de presidentes brasileiros há 19 advogados, 15 militares, um médico, um jornalista, um engenheiro, um sociólogo e um metalúrgico. Dilma é também a primeira economista a chegar ao Poder.
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