África Oriental: seca e fome
20/07/2011 - 16h34 |
do UOL Notícias
NAIRÓBI, 20 Jul 2011 (AFP) -Na Somália, onde as Nações Unidas declararam crise de fome em duas regiões do sul, a situação provocada pela seca ficou ainda mais dramática por conta dos incessantes conflitos, enquanto a ONU em maio já advertia sobre a seca que afeta o chifre da África.
--MAIO--
No dia 13, as Nações Unidas estimaram que quase 9 milhões de pessoas na África oriental enfrentavam falta de alimentos devido à seca que, caso durasse, poderia gerar uma situação dramática.
A ONU refere-se particularmente ao caso da Etiópia, onde o número de pessoas que precisam de assistência humanitária passou desde o início do ano de 2,8 milhões para 3,2 milhões de pessoas.
--JUNHO--
Um mês mais tarde, a FAO insistiu. Segundo esse órgão, a seca ameaça mais de 8 milhões de habitantes em Djibuti, no Quênia, na Etiópia e na Somália. A agência da ONU para a alimentação e a agricultura explica que a região enfrentou duas estações consecutivas de chuvas claramente inferiores à média, o que prejudicou a produção agrícola, esgotou os recursos pastoris e acentuou a mortalidade do gado.
Os Médicos Sem Fronteiras (MSF) citaram uma situação humanitária de emergência nos acampamentos de refugiados de Dadaab, ao leste do Quênia. Tais acampamentos, superlotados e os maiores do mundo, enfrentam agora um fluxo de somalis.
A mobilização internacional acelerou-se no fim de junho, quando a ONU citou algumas regiões do continente africano com a pior seca em 60 anos. Mais de 10 milhões de pessoas já estão sendo afetadas, afirmou, estimando que na Somália uma criança de cada três está sendo afetada pela desnutrição.
--JULHO--
No dia 4, Londres prometeu 60 milhões de dólares de ajuda em alimentos para a Etiópia.
Mas o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) começa a chamar a atenção mais especificamente sobre a Somália, onde, segundo afirmou no dia 5, as violências ligadas à seca provocaram o deslocamento de 135.000 pessoas desde o início do ano.
No dia 6, os insurgentes islâmicos shebab lançaram um chamado pedindo ajuda, quase dois anos depois de terem expulsado os grupos humanitários das regiões da Somália que controlavam.
Os grupos humanitários poderão acessar as regiões afetadas pela seca "sejam ou não muçulmanos (...) caso sua intenção seja ajudar os que sofrem", disseram.
No dia 13, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) entregou por avião cinco toneladas de ajuda em alimentos e remédios a Baidoa, região do centro da Somália controlada pelos shebab. Trata-se da primeira operação deste tipo em dois anos, informou a Unicef.
No fim de semana seguinte, Alemanha e Reino Unido prometeram milhões de dólares suplementares para ajudar a região. No dia 18, a presidência francesa do G20 pediu uma reunião de urgência da FAO, que está prevista para o dia 25 em Roma.
No dia 19, o Acnur chamou desta vez a atenção para um campo de refugiados somalis na Etiópia, onde o índice de mortalidade é particularmente elevado.
Nesta quarta-feira, a ONU declarou o sul da região de Bakool e a da Lower Shabelle, ao sul da Somália, como afetadas pela fome, com um total de 350.000 pessoas afetadas.
A ONU fala na "pior crise alimentar na África" em 20 anos.
A seca afeta 12 milhões de pessoas no chifre da África.