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Segunda-feira, 1 de setembro de 2014

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Navio Costa Concordia pode ser resgatado e voltar a operar, dizem especialistas

Bia Rodrigues
Do UOL*, em São Paulo

Atualizado em: 21/01/2012 - 15h23

O navio de cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na ilha italiana de Giglio na sexta-feira (13) e vale US$ 450 milhões (R$ 800 milhões), pode ser recuperado e voltar a operar, afirmam especialistas ouvidos pela reportagem do UOL.

“A empresa responsável pela remoção pode optar por colocar bolsas de ar na parte interna do navio ou na lateral para devolver a flutuabilidade para a embarcação. O local para a colocação dessas bolsas precisa ser bem estudado e, assim, será possível desinclinar o navio para removê-lo”, disse o professor do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli-USP, Kazuo Nishimoto.

O professor de engenharia oceânica Marcelo Neves, da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, colocou a retirada do combustível como a mais urgente. “Como a viagem estava apenas começando, o navio está com todos os seus reservatórios cheios. A extração do combustível precisa ser muito bem planejada para que não haja dano ambiental”, afirmou Neves.

“O endireitamento do navio já pode evitar o vazamento de combustível e um desastre ambiental maior. O fato de não ter ocorrido avaria nos compartimentos de combustível é positivo”, afirmou Nishimoto. “O que parece estar ocorrendo é que a empresa ainda não decidiu um plano para realizar a desinclinação, então, decidiram primeiro retirar o combustível. Para ganharem tempo e analisarem melhor como o navio será retirado de lá”, completou.

Segundo a agência de notícias Associated Press, a empresa holandesa Smit Salvage, com base em Roterdã, ainda não ganhou o contrato para resgatar o navio. Mas deve iniciar em breve a remoção total das 2.380 toneladas de combustível.  Em entrevista para a TV "SkyTg24", Max Iguera, da companhia Cambiasso Risso e representante da empresa holandesa na Itália, afirmou que os trabalhos precisam começar nos próximos dias.

Segundo o professor Marcelo Neves, a retirada do combustível deve facilitar a remoção da embarcação. “Com a retirada do combustível, ele ficará mais leve e isso deve ajudar a retirá-lo da área. Enquanto ele estiver em contato com as rochas, existe o risco dos danos aumentarem”, afirmou.

Navio se move

A questão da movimentação do navio chama a atenção dos dois especialistas. “O problema que eu vejo até agora é como será feita a extração do combustível com o navio se movimentando”, colocou Neves.

Segundo a agência de notícias Efe, a embracação está afundando a um ritmo constante de 7 milímetros por hora.

“Ao desinclinar o navio, você dá para a embarcação uma estabilidade maior. Isso facilitaria a busca pelos desaparecidos, a retirada do combustível e a recuperação da embarcação”, afirma Nishimoto.

As buscas pelas 20 pessoas que ainda estão desaparecidas já foram suspensas por três vezes durante a semana, porque as equipes de resgate observaram que a embarcação estava se movimentando.

O ministro italiano do Meio Ambiente, Corrado Clini, disse ao parlamento na quinta-feira (19) que havia instruído a Costa Cruzeiros a tomar todas as medidas possíveis para estabilizar o navio, evitando assim que ele escorregue para o fundo do mar. Para o professor Nishimoto, a empresa já deveria ter colocado guindastes para estabilizar o navio e evitar que ele afunde mais.

Segundo os dois professores, se a embarcação afundar, a dificuldade e os gastos para retirá-la aumentarão. Além disso, os danos seriam mais sérios, o que poderia impedir a recuperação do navio para voltar a operar.

“Afundando mais, você diminuiu demais as chances de reformar e colocar o navio em operação novamente e aumenta os custos para reitrá-lo”, afirmou Nishimoto.

Removendo o navio inteiro da área, é possível levá-lo para um dique seco e reformá-lo.  “O navio é novo, foi construído em 2006 e é de luxo, acho difícil a empresa perdê-lo. Acredito que ele vá voltar a operar”, afirmou Neves. “O navio sofreu, aparentemente, apenas o rasgo lateral. Ao transferi-lo para um dique seco é possível recuperá-lo e colocá-lo em operação novamente”, disse Nishimoto.

Cruzeiro naufraga na itália

  • Arte/UOL

Segundo Nishimoto, ainda que a opção por cortar o navio no local, para então remover os pedaços menores, não é a melhor se a intenção é colocá-lo em operação novamente. “ Cortar o navio em pedaços inviabiliza a reforma. Além disso, é um processo que pode liberar poluentes na área [que é um santuário marinho para golfinhos, botos e baleias]. Acho difícil a empresa optar por essa via”, afirmou.

O acidente

O navio de cruzeiro Costa Concordia colidiu contra as rochas em águas da ilha italiana de Giglio, com 4.229 pessoas a bordo, entre elas mais de 3.200 turistas de 60 nacionalidades diferentes e mais de mil membros da tripulação. Pelo menos 12 pessoas morreram no acidente e outras 20 continuam desaparecidas.

A companhia proprietária da embarcação, Costa Cruzeiros, admitiu que houve "erro humano" e que o capitão não respeitou o regulamento, aproximando-se até 150 metros da costa.

Schettino é acusado de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos de prisão.

(Com agência internacionais)

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