Enchente inunda mais de 600 casas em São Paulo

Fernanda Cruz, Agência Brasil
Em São Paulo

  • Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Morador de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, teve o carro arrastado pela enxurrada após as fortes chuvas que caíram no dia 22 de janeiro

    Morador de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, teve o carro arrastado pela enxurrada após as fortes chuvas que caíram no dia 22 de janeiro

A forte chuva do começo da noite desta quarta-feira (23), no limite entre as cidades de São Paulo e Taboão da Serra, provocou o transbordamento do Córrego Pirajussara, e mais de 600 residências foram invadidas pela água, segundo levantamento inicial da Defesa Civil dos dois municípios. Na área, a tempestade, que começou por volta das 19h, chegou a um pico de mais de 100 milímetros em apenas 40 minutos. Apenas nos bairros Jardim Leme e Jardim Clementino, em Taboão da Serra, a água entrou em 500 casas. A assessoria de imprensa da prefeitura não soube informar se algum imóvel foi interditado.

No distrito de Campo Limpo, na capital paulista, mais de 100 residências foram afetadas, informou o coordenador da Defesa Civil de São Paulo, Jair Paca. "Pelo que nós percorremos, não vimos nenhum imóvel que deva ser condenado. Elas [famílias] terão condições, tão logo seja feita a limpeza, de retornar para os seus imóveis".

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Nesta manhã, caminhões e tratores faziam a limpeza das ruas, repletas de lixo, entulho, lama e móveis estragados pela água. Algumas famílias, como a da ajudante geral Mônica Coroni, de 39 anos, passaram a madrugada lavando a casa. "Conseguimos levantar os móveis e não tivemos prejuízos", disse ela.

José Adriano Delgado, de 38 anos, não teve a mesma sorte: a caminhonete foi levada pela água, a casa, inundada, e os todos os móveis foram perdidos. O veículo, que era usado como carreto, caiu no córrego Pirajussara e ficou totalmente destruído. "De repente, deu uma tromba d'água e levou o carro. Todo mundo falou para eu ir tirar de lá, mas eu não vou morrer por causa disso".

De manhã, os comerciantes também avaliavam os prejuízos. Cristiano Cutolo, dono de uma loja de autopeças, tentava recuperar a mercadoria que ficou debaixo d'água. Há 25 anos, Cutolo diz que sofre com as enchentes: cada alagamento resulta em prejuízos entre R$ 20 mil e 30 mil com produtos perdidos. Para evitar perdas, ele elevou o piso da loja. "Mesmo assim, a água chegou aqui. Ficou 2,5 metros acima da rua e, dentro da loja, 60 centímetros".

Algumas casas da região, porém, estavam abaixo do nível da rua, como a da faturista Juliana de Jesus de Almeida, de 24 anos. "Estávamos assistindo televisão e, em cinco minutos, encheu tudo em casa, perdemos tudo. Não deu para salvar nada", lamentou. De manhã, usando baldes, a família tentava tirar a água da casa.

O supervisor de limpeza Ronaldo Fabrício, de 42 anos, teve que quebrar parte da parede da sua casa para conseguir escoar a água. "Perdi freezer, sofá, cama de solteiro, tanquinho, tapete, colchão, mantimentos", contou ele, que mora há 30 anos no local.  Moradores mais antigos, como ele, disseram à Agência Brasil que a última enchente desse porte foi em 1995. Há dois anos, uma obra de canalização do córrego, que deveria melhorar os alagamentos, piorou a situação.

Segundo Jair Paca, a Defesa Civil ainda vai investigar o que provocou a piora. "Nós vamos verificar, vamos apurar, para ver se realmente foi alguma obra ou alguma outra coisa que aconteceu".

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