Como seria se Eike Batista nunca tivesse aberto o capital das empresas X?

SÃO PAULO - Em carta publicada na mídia brasileira semana passada, Eike Batista mostrou arrependimento de ter aberto o capital de suas empresas na Bovespa, deixando claro que hoje faria diferente: permaneceria com empresas de capital fechado, buscando parceiros estratégicos como fundos de private equity. Mas que mudança isso teria provocado na vida do megaempresário e dos milhares de acionistas do "mundo X"?

Muito provavelmente, Eike não seria o fenômeno de mídia que se tornou nos últimos anos --tipicamente, o megaempresário era mais lembrado por ser marido da ex-atriz e modelo Luma de Oliveira, que já desfilou no carnaval com uma "coleira" que trazia o nome dele.

"Acho que ele não chamaria tanta atenção, ele poderia até ter presença [na mídia], mas como dono de empresas de capital fechado, não é fácil saber em quanto o mercado avalia a empresa", diz Carlos Müller, analista-chefe da Geral Investimentos.

Isso não transformaria Eike em um anônimo: haveria a visão de que o empresário seria um dos homens mais ricos do mundo, mas possivelmente não teria alcançado a sétima posição atingida em 2011 --já que dificilmente sua fortuna seria precificada com a "euforia" que tomou conta do grupo "X" nos primeiros anos.

"Sua fortuna seria algo menor e certamente ele não seria visto como uma pessoa que enriqueceu tanto, já que a fonte primária de sua fortuna é o valor das ações de suas empresas", salienta Juliano Carneiro, trader profissional e professor de análise técnica.

Sem a pressão do mercado de ações...

Possivelmente, a vida seria um pouco mais fácil para Eike se não tivesse aberto o capital de suas empresas tão cedo --ele não teria tanta pressão por resultados quanto tem ao ser dono de uma empresa de capital aberto.

"Acho que se ele tivesse feito financiamento através de private equity, teria um prazo maior, talvez seria mais fácil negociar uma flexibilização", diz Müller.

Eike seria "mais parceiro" dos seus sócios privados do que de seus sócios atuais, já que fundos de private equity raramente entram em operações sem a possibilidade de poder fiscalizar, de perto, a execução do negócio. Alguns poderiam até sanar eventuais problemas que surgissem no grupo "X" ao transmitir "know-how" --há fundos que, inclusive, "emprestam" executivos de confiança.

Sem tanta pressão, possivelmente Eike seria mais tolerante com os executivos, já que alguns chegaram a ser demitidos para servir como "bodes expiatórios" por eventuais problemas que as companhias passaram --como Paulo Mendonça, ex-presidente da OGX Petróleo, afastado pouco depois de a companhia divulgar um nível de produção decepcionante.

"A estratégia da operação poderia ter sido diferente, pois, a partir do momento em que ele abriu o capital com prazos agressivos, ele se expôs ao risco do mercado, de ter uma cobrança praticamente online", diz Müller.

...mas com pressão do mercado de dívida

Se a pressão seria menor no mercado de ações, diferença alguma seria sentida no mercado de títulos de dívida --onde a OGX também passa por uma grave crise, com dívidas de US$ 4 bilhões, que podem não ser pagas.

"Seria exatamente igual nesse mercado, capital aberto ou não. Dever dinheiro e o desempenho das companhias seria igual publicamente ou de forma privada", avalia Carneiro, que já chegou a negociar esse tipo de ativo no mercado norte-americano.

Ele destaca que o risco de que Eike Batista não pague suas dívidas é muito alto, já que as principais agências de classificação de risco --Moody's, Standard & Poor's e Fitch-- classificam a empresa em estado de pré-calote.

"Ficaria difícil arrumar alguém para emprestar dinheiro, e quando arruma, o financiador quer juros altos para emprestar, capital aberto ou não", diz. 


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