A dupla aposta vencedora do prefeito de Londres Boris Johnson

LONDRES, 8 Ago 2012 (AFP) -Neste mês de agosto, Boris Johnson participou de um jogo duplo - olímpico e político - com bastante êxito, já que, para muitos de seus compatriotas, o popular prefeito de Londres, conhecido como "Bojo, o bufão", passa a ser agora cotado para o cargo de "primeiro-ministro", apesar de seus excessos e de seus factoides.

"Estamos no Reino Unido. E os britânicos têm um fraco pelos excêntricos. Mais do que em qualquer outro país", explicou à AFP Tony Travers, cientista político da London School of Economics (LSE).

Em matéria de excentricidade, o prefeito conservador de 48 anos com seu desgrenhado cabelo louro platinado não tem rival, embora às vezes caia na grandiloquência e até na extravagância.

Em Pequim, para onde viajou para receber a bandeira olímpica, proclamou diante de seus atônitos anfitriões que o pingue-pongue já era praticado no século XIX nas mesas de jantar na Inglaterra e era chamado de "Wiff-Waff".

Nos Jogos de Londres, afirmou com segurança que "chove mais em Roma do que em Londres" e presumiu, como um comentarista de futebol, a colheita de "gooold" (ouros) da equipe britânica suficiente para "pagar a dívida grega".

Boris se entusiasmou sobre o "retorno ao culto antigo da quase nudez" ressuscitado pelas jogadoras de vôlei de praia e utilizou onomatopéias obscuras: "Honk... proot... sob".

"O contador Geiger (instrumento que permite medir a radioatividade) da olimpiomania vai fazer zoink", disse em outra ocasião.

Mas o que mais deu o que falar foi quando ficou preso, suspenso durante cinco minutos no cabo de uma tirolesa em um parque de Londres, diante das câmeras de televisão, com um capacete azul e uma bandeirola com a Union Jack em cada mão.

"Para qualquer político, em qualquer país do mundo, teria sido um desastre. Boris transformou isto em um triunfo absoluto", afirma não sem certa inveja o primeiro-ministro David Cameron, num momento em que sua coalizão governamental corre o risco de explodir e que o país se instala na recessão.

"Bo-ris, Bo-ris", gritam as multidões em cada uma das aparições do prefeito no Estádio Olímpico, enquanto os editoriais avaliam suas chances de chegar ao número 10 de Downing Street.

"Particularmente popular entre os eleitores das classes médias", segundo Tony Travers, salvou a honra de seu partido, castigado pelos eleitores nas urnas em maio, ao conservar a prefeitura de Londres.

Eurocético como muitos britânicos, defensor de um "conservadorismo moderno" com verdadeiros apoios na City e um "enfoque liberal dos problemas sociais", proclama sua diferença em relação aos outros políticos.

Diferente? Alexander Boris de Pfeffel Johnson tem um bisavô ministro do Interior do império otomano e um parente político longínquo chamado George II. Ex-jornalista, pretende ser uma mistura de inglês, francês, turco, muçulmano, judeu e alemão" e até "latino", por ter nascido em um hospital porto-riquenho de Nova York. Mas, sobretudo, passou pelo elitista colégio Eton, como Cameron.

Um de seus partidários, o banqueiro Peter Hall, elogia seu otimismo e seu estilo "que lembra Churchill". Sonia Purnell, uma de suas biógrafas, vê nele "um oportunista muito inteligente" e um "calculista" com algumas explosões e uma "falta de lealdade" lendários. Seus opositores lembram sempre sua agitada vida sentimental.

"Quem iria votar em um imbecil que fica preso em uma tirolesa", dizia com aparente modéstia o político que agora lidera as pesquisas no grupo conservador. Ao mesmo tempo, programa um giro por Índia, Rússia, China e Braisl.

Boris está de vento em popa, mas a corrida pela medalha de ouro política nas eleições de 2015 será longa e estará repleta de obstáculos. Terá que deixar a prefeitura para voltar ao Parlamento, devido à lei que o impede de acumular cargos políticos, e acabar com as diferenças diante de trabalhistas que agora aparecem como favoritos.

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