Morte e risco de nova paralisação fazem Arena Palestra ficar para 2014

João Henrique Marques e Maurício Duarte
Do UOL, em São Paulo

  • Leonardo Soares/UOL

    Após acidente com morte, Arena Palestra tem reabertura parcial das obras nesta quarta

    Após acidente com morte, Arena Palestra tem reabertura parcial das obras nesta quarta

O acidente que resultou na morte de Carlos de Jesus, de 34 anos, deixou a Arena Palestra em situação delicada. As obras recomeçam nesta quarta-feira, mas os executivos da WTorre, empresa responsável pela construção, estão receosos, sem saber até quando vão continuar com o trabalho sem a necessidade de interrupção. A certeza do adiamento passa pela perspectiva de  liminares que obriguem a paralisação das obras sejam concedidas O certo é que ninguém no Palmeiras e na construtora trabalha mais com a possibilidade de inauguração em 2013.

"Nessa hora sempre aparece liminar de tudo que é vara para atrapalhar o andamento. O pessoal não pode ser oportunista. Conheçam nosso projeto antes de qualquer precipitação", disse ao UOL Esporte um representante da WTorre que pediu para não ser identificado.

O receio maior é de que o Ministério Público, que já chegou a pedir a demolição da obra por considerar irregular a construção com base em um alvará de reforma, tenha pedidos de interrupção das obras acatados pela Justiça.

COMUNICADO DO MPT-SP

No último ano, a empresa WTorre Engenharia e Construção S/A, responsável pela obra, recebeu vários autos de infração lavrados por fiscais do Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP), por irregularidades relativas a saúde e segurança no canteiro de obra da Arena Palestra.

Diante do acidente, o MPT-SP irá convocar a empresa para a assinatura de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, que inclua o pagamento de indenização por dano moral coletivo.

Caso a empresa não concorde com a proposta, o MPT-SP irá adotar as medidas judiciais cabíveis.
 

Uma sinalização de que o temor tem fundamento foi dada no fim da tarde de terça-feira, quando o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT-SP) emitiu um comunicado (ver ao lado) em que afirma ter notificado em 2012 a construtora WTorre por falta de segurança nas obras e cobrou indenização por dano moral coletivo.

A diretoria do Palmeiras, preocupada em ter a inauguração do estádio com o time na Série B, tratava com naturalidade a inauguração apenas em 2014. Já os representantes da WTorre mantinham o segundo semestre de 2013 como a data prevista para, ao menos no discurso, honrar com o compromisso.

Agora a previsão geral é de que o estádio esteja pronto no primeiro semestre de 2014. A nova data tem como base uma espera de até dois meses para que o laudo técnico sobre o acidente seja concretizado. Somente após isso, caso a Justiça não impeça, obras no setor serão realizadas. 

Nesta quarta-feira, a Defesa Civil impede que obras no local em que as vigas caíram sejam realizadas. Elas serão reiniciadas somente nas áreas distantes ao desabamento. O problema é que a área em que o acidente ocorreu é a mais atrasada do estádio. 

A demora ocorre porque uma nova arquibancada está sendo erguida por cima da estrutura do antigo estádio. Essa foi a maneira encontrada pela WTorre para que a obra não fosse interrompida por conta da falta de um alvará de construção.

DESABAMENTO NA ARENA MATA UM E DEIXA OUTRO FERIDO

FUNCIONÁRIO RELATA DRAMA E COBRA FISCALIZAÇÃO RÍGIDA NA ARENA

  • O operário Rogério Pereira dos Santos trabalhava na construção quando um dos lances de arquibancada desmoronou. Ele foi a primeira testemunha do acidente que resultou na morte de um funcionário a falar na saída do estádio. Chorando muito, Rogério não determinou culpados, mas houve um pedido para que uma rígida fiscalização seja feita no local antes que as obras sejam reiniciadas.

    "Estava trabalhando próximo ao local e ouvi um barulho muito forte. Logo vi um corpo rolando na arquibancada. Todo mundo aqui está muito abalado. Fica uma mensagem geral para que uma grande fiscalização seja feita", disse Rogério.

    "Todas as medidas de segurança foram tomadas. Aqui nós fazemos treinamentos e ouvimos palestras para evitar esse tipo de problema. Não é culpa da empresa (W Torre). Talvez pode ser um erro de engenharia. O certo é que foi uma fatalidade e estamos inseguros. Ninguém sabe o que pode acontecer", complementou.


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