Corinthians oferece Parque São Jorge como garantia por Itaquerão

Rodrigo Mattos
Do UOL, em São Paulo

  • Juca Varella / Folha Imagem

    Sede do Corinthians, no Parque São Jorge, o mais importante bem físico do clube

    Sede do Corinthians, no Parque São Jorge, o mais importante bem físico do clube

Para poder construir o Itaquerão, o Corinthians ofereceu como garantia o seu maior bem físico: o Parque São Jorge. A diretoria do clube colocou a hipoteca da sua sede social à disposição da Caixa Econômica Federal nas negociações para o repasse do empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo apurou o UOL Esporte. Mas o banco federal não informou se aceitou as condições propostas pelos dirigentes alvinegros.

As conversas para destravar o financiamento envolvem três partes, Corinthians, Odebrecht e Caixa Econômica. O banco substituirá o Banco do Brasil no papel de repassador dos R$ 400 milhões do BNDES para que seja viabilizado o estádio alvinegro para receber a abertura da Copa-2014. A primeira negociação não deu certo justamente porque o BB exigia garantias físicas da empreiteira, que só queria oferecer rendas futuras da arena. Agora, há um otimismo em relação a um acordo.

Caso ocorra um acerto com a Caixa, será resolvido o principal impasse na obra do estádio. A outra questão é relacionada ao prazo de construção, que a Fifa exige ser concluído em dezembro de 2013. Neste segundo ponto, houve um acordo nesta quarta-feira entre as partes.

Como solução para um acerto com a Caixa, o Corinthians decidiu usar a hipoteca do Parque São Jorge. A proposta manteve ainda como garantias as rendas do futuro estádio, com exceção da bilheteria. Essas receitas é que serão, de fato, usadas para pagar o empréstimo. Haverá  cláusulas contratuais que preveem que todas as receitas, fora ingressos, vão para pagamento do empréstimo até a sua quitação.

A sede do clube só será tomada pelo banco em caso de inadimplência no pagamento das prestações do financiamento. Os corintianos ficam proibidos de vender o espaço enquanto estiver em vigor o empréstimo.

O Parque São Jorge é dividido em quatro registros de imóveis diferentes. Três deles já têm penhoras judiciais por conta de execuções fiscais sofridas pelo Corinthians. Um deles está livre. Mas, mesmo as matrículas que já foram usadas em penhoras, podem ser utilizadas como garantia desde que respeitado o valor da dívida em relação ao montante do terreno.

Em seu balanço de 2012, ao listar seus bens, o Corinthians apontou ter R$ 82,6 milhões em edificações e outros R$ 79,1 milhões em terrenos. Entre os principais imóveis, estão o Parque São Jorge e o CT Joaquim Grava. Teoricamente, por esses números, a sede não serviria para cobrir a garantia de todo o financiamento do Itaquerão. Uma fonte do clube afirmou que o terreno na Marginal Tietê vale R$ 1 bilhão, mas não há uma avaliação concreta nesse sentido.

Na primeira negociação com o BB, a Odebrecht resistiu a apresentar uma garantia física porque isso causaria impacto em seu balanço financeiro. Fontes da empreiteira não confirmaram como seria modelado do acordo com a Caixa.

Na negociação com o Banco do Brasil, foi vetada qualquer participação do Corinthians. No caso da Caixa, é possível que o clube apareça como fiador ao apresentar o Parque São Jorge como parte da garantia. De qualquer forma, isso ainda depende da aceitação do banco federal das condições para fechar o acordo.

A Caixa pouco fala sobre o assunto: "As informações da negociação são sigilosas, o que a Caixa pode informar é que as operações seguem a conformidade de governança de operações bancárias com as devidas garantias", respondeu a assessoria do banco. Se forem concluídas as negociações, resta saber se o Ministério Público Federal vai aprovar as condições acertadas entre as partes.


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