11 vezes em que política e esporte estiveram lado a lado

do BOL

Apesar de o Comitê Olímpico Internacional proibir manifestações em Jogos Olímpicos e defender a neutralidade política e religiosa em seu regulamento, a realidade nessa e em outras competições é outra. Esporte e política caminham juntos e, de tempos em tempos, protestos e atos de engajamento chamam a atenção.
Recentemente, o tema voltou a ser discutido depois que Tiago Leifert criticou manifestações políticas em eventos esportivos. Com muitas opiniões a favor ou contrárias, relembre situações em que política e esporte usaram a mesma camisa na hora de entrar em campo.

Reprodução/Twitter @luisa_stern
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Jesse Owens contra Hitler

Em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, Adolph Hitler planejou usar a competição como propaganda do regime nazista. Porém, o velocista afro-americano Jesse Owens frustrou a pretensão de comprovar a superioridade ariana ao conquistar quatro medalhas de ouro. No pódio, o atleta se negou a olhar para a tribuna de Hitler, que deixou o estádio olímpico
iStock
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2

Incômodo para nazistas

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Start FC, time de futebol formado pelos ex-jogadores de Lokomotiv Kiev e Dínamo de Kiev, majoritariamente ex-prisioneiros de guerra, começou a fazer muito sucesso no Leste Europeu. A situação deixou os alemães incomodados e o Flakelf, time da Força Aérea do país, resolveu desafiar os rivais para uma partida. Mesmo conscientes do que a situação representaria, os jogadores do Start toparam, venceram os alemães por 5 a 3 e, pouco depois, foram presos e mandados para campos de trabalho forçado, sendo que quatro deles foram mortos
Associated Press
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3

Panteras Negras e expulsão

Em 1968, foi a vez de os americanos Tommie Smith e John Carlos, medalhistas de ouro e bronze, respectivamente, protagonizarem um protesto nos Jogos Olímpicos da Cidade do México. Os dois subiram ao pódio silenciosamente e descalços e de cabeças baixas ergueram os punhos fechados com luvas pretas. A saudação já havia sido consagrada pelo grupo de combate à discriminação nos EUA, Panteras Negras. Por conta da significativa manifestação, ambos foram expulsos da Vila Olímpica
Reprodução/Fórum Jogos UOL
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4

Muhammad Ali

O pugilista norte-americano Cassius Clay foi um dos grandes nomes do esporte de todos os tempos e fez questão de manifestar-se politicamente. Em 1962, ele se encontrou com o ativista negro dos direitos humanos norte-americano Malcolm X, de quem se tornou seguidor. Já em 1967, depois de ter conquistado o cinturão dos pesos-pesados, mudou seu nome para Muhammad Ali, convertendo-se ao islamismo. Na época, ele já era visto como um grande símbolo de luta contra o racismo. Ele, então, foi convocado para defender os EUA na Guerra do Vietnã, mas se recusou a ir, alegando que isso seria contrário aos ensinamentos de sua religião, além de que o confronto estava deixando de lado os próprios negros dentro dos EUA. A atitude fez com que o atleta perdesse o cinturão, fosse multado em 10 mil dólares e pegasse cinco anos de prisão. Depois de recorrer, no entanto, Muhammad Ali foi absolvido pela Suprema Corte, mas ainda acabou sendo proibido de lutar por três anos. Ele voltou aos ringues em 1970 e se tornou um mito do esporte, parando de lutar em 1981
France Presse / AFP
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Boicote olímpico

A Guerra Fria se estendeu para o campo do esporte quando em 1980, pouco antes dos Jogos Olímpicos de Moscou, os EUA anunciaram que boicotariam a competição por conta da invasão soviética no Afeganistão no ano anterior. A URSS esperou pacientemente e deu o troco quatro anos depois, afirmando que não participaria dos Jogos de Los Angeles, pois seus atletas não estariam protegidos de ataques e protestos dos norte-americanos
Jorge Araújo/Folhapress
Jorge Araújo/Folhapress

6

Democracia Corintiana

Na década de 1980, o Brasil ainda vivia sob a Ditadura Militar, quando os atletas politizados do Corinthians, um dos times mais populares do país, resolveram criar um movimento que chamou a atenção. Em 1981, uma nova diretoria assumiu a administração do clube e os jogadores exigiram maior poder sobre as decisões importantes, no que dizia respeito a contratações, premiações, concentrações, entre outras situações, buscando dessa forma uma gestão mais autônoma da equipe. Sócrates acabou tornando-se a face carismática do movimento que se instaurou no time, que mantinha o sucesso dentro de campo. Ao lado de outros personagens, como Wladimir e Casagrande, ele coordenou e viu o movimento ideológico crescer no âmago corintiano. Essa nova face interna do time tornou-se um forte símbolo de luta pela democracia no Brasil. Mesmo tendo perdido força em 1984, o movimento permitiu que alguns atletas do clube entrassem nas campanhas pelas diretas no país. Leia mais
Reprodução/HBNSB Blogosfera
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7

Amizade destruída

O sérvio Vlade Divac e croata Dražen Petrović eram amigos próximos e, iugoslavos de nascimento, defendiam juntos a seleção de basquete da nação que abrigava seis povos em seu território. A Iugoslávia unificada só se desfez em 1990, quando foi dissolvida em três países: Croácia, Eslovênia e Iugoslávia, que posteriormente virou Sérvia e Montenegro. O time era motivo de grande orgulho e presença constante em pódios. Porém, durante a comemoração do Mundial de 1990, Divac tomou a bandeira croata das mãos de um torcedor que entrou em quadra. O ato tomou proporções devastadoras e enquanto o astro passou a ser ainda mais adorado na Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), ganhou o repúdio na Croácia. A situação ocasionou um outro rompimento, mas dessa vez na vida pessoal de Divac que perdeu a amizade de Petrović. Logo após o episódio, a Guerra dos Balcãs, península que abrigava os povos unificados até então em uma única nação, ganhou força. Dražen Petrović morreu em 1993, em um acidente de carro, sem que houvesse chance para uma reconciliação com o antigo amigo. A história virou tema do documentário "Once Brothers" (Uma vez irmãos)
Reprodução
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8

Rúgbi pela união

A história virou tema de livro e depois de filme, mas foi baseada em fatos reais. Em 1995, Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul eleito após o Apartheid, resolveu usar o Mundial de Rúgbi para unir o povo de seu país. O esporte tinha a preferência da minoria branca, mas a excelente campanha do time sul-africano e o forte incentivo do líder político fizeram com que os negros, que antes eram contra a seleção, começassem a torcer pelo time. Enquanto isso, os brancos passaram a aceitar melhor as mudanças pelas quais o país passava, com novo presidente, bandeira e hino. O título veio acompanhado pela sensação geral de que a conquista não era apenas dos brancos, mas de toda a nação. Leia mais
Al Bello/Getty Images
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9

Posicionamento contra racismo

O astro do basquete LeBron James já se posicionou politicamente diversas vezes. Em uma delas, em 2014, ele se juntou a um protesto já existente contra a decisão de um júri de não indiciar o policial branco acusado de sufocar um homem negro desarmado até a morte em uma rua de Nova York. O atleta entrou em quadra, antes da partida, para se aquecer usando uma camiseta com as últimas palavras ditas por Eric Garner: "I can't breath" ("eu não consigo respirar", em português). Ele foi acompanhado por companheiros de time em seu protesto. No ano passado, ele fez duras críticas a Donald Trump, a quem se recusou a chamar de presidente durante a coletiva de imprensa de um evento. Leia mais
Thearon W. Henderson/Getty
Thearon W. Henderson/Getty

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De joelhos

Em 2016, o quarterback Colin Kaepernick, que atuava pelo San Francisco 49ers, se ajoelhou durante o hino nacional dos EUA antes de um jogo da NFL. O gesto foi motivado por questões raciais, em protesto contra a violência policial contra afro-americanos, e acabou motivando outros atletas a fazem o mesmo, além de ter gerado muita discussão. Quem não gostou nada da situação foi Donald Trump que aconselhou os times a demitirem jogadores que protestassem durante o hino nacional. Aliás, em 2017, o presidente dos EUA causou polêmica novamente por desconvidar o armador Stephen Curry a visitar a Casa Branca depois de o jogador admitir que não queria ir até a residência oficial como forma de protesto ao líder político. O atleta recebeu o apoio de vários outros astros. No entanto, quem recentemente mostrou estar também em desacordo com as atitudes de protesto foi Tiago Leifert, que em texto para a revista QG disse que "evento esportivo não é lugar para manifestação política" e que Colin Kaepernick estaria desempregado atualmente justamente pelo fato de as equipes não quererem um causador de problemas no time. Leia mais
Frank Franklin II/AP
Frank Franklin II/AP

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Coreias unidas

Mesmo politicamente separadas, as Coreias do Norte e do Sul têm manifestado aproximação em eventos esportivos. Recentemente, por exemplo, nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018 em PyeongChang, na Coreia do Sul, além de os dois países terem desfilado sob uma bandeira única e uma delegação unificada no Estádio Olímpico, ainda disputaram o torneio feminino de hóquei no gelo com uma só equipe formada por atletas das duas Coreias. Enquanto no rinque de patinação, os resultados não foram favoráveis, com o time perdendo os cinco jogos que disputou, tendo marcado apenas dois gols e sofrido 28, fora, o sucesso foi imenso. Angela Ruggiero, integrante do conselho executivo do COI, já afirmou que vai indicar a equipe ao Prêmio Nobel da Paz pela iniciativa. Leia mais