3 questões de saúde que "O Outro Lado do Paraíso" abordou incorretamente

Do VivaBem

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As novelas muitas vezes desempenham um importante papel para a sociedade, abordando doenças e outras questões que as pessoas devem ficar atentas. No entanto, nem sempre os temas são tratados corretamente. 

Problemas no texto de "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco, por exemplo, não param de aparecer. Com erros que vão de "coach" fazendo sessões de hipnose a dizer que pessoas que bebem não podem ser doadoras de rim, as críticas fizeram até o diretor da trama, Mauro Mendonça Filho, concordar que algumas abordagens foram realmente equivocadas.

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Quer saber quais são os principais assuntos mostrados pela novela e que a comunidade de saúde repreendeu? Veja a lista a seguir:

Raquel Cunha/Divulgação/TV Globo
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"Coach" que realiza hipnose

Na novela, Laura (Bella Piero) descobriu que foi abusada sexualmente pelo padrasto na infância por meio de sessões de hipnose. No entanto, as cenas foram duramente criticadas, porque quem aplicou o método na personagem foi uma advogada com formação em coach. De acordo com o CFM (Conselho Federal de Medicina), a hipnose deve ser "executada por médicos, odontólogos [para dor] e psicólogos, em suas estritas áreas de atuação". Portanto, não basta ter um curso de hipnose para realizar a prática. É preciso ser formado em específicas áreas da saúde.

"O coaching se trata de uma metodologia que apoia o indivíduo na construção daquilo que ele quer para si, como um projeto, uma conquista, um propósito.

O passado de cada um e seus traumas não são nossos objetos de trabalho", explica Iaci Rios, diretora do Erickson College (organização mundial que oferece programas de formação na área) no Brasil. O diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), Marcus Marques, confirma: "Trauma proveniente de abuso sexual não é demanda para coaching".
Reprodução/Globo
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Amamentação cruzada

No capítulo exibido na terça-feira (27), a personagem Susy (Ellen Roche) promove a chamada amamentação cruzada (quando uma mulher aleita o filho de outra). A prática é perigosa. De acordo com a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), dar de mamar ao filho de outra mulher oferece risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, como o HIV, sobretudo para as crianças. O ideal, segundo nota emitida pela entidade, seria que as informações na novela fossem corrigidas, para não colocar a saúde de crianças em risco.

Os pediatras lembram que uma criança pode receber leite de outra mulher, desde que "o alimento seja oriundo de uma doação a um banco de leite humano, onde recebe tratamento que o deixa livre de qualquer possibilidade de transmissão de doenças".
Marilia Cabral/Globo
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Cisto que virou câncer

Na novela, a personagem Adriana (Julia Dalavia) foi diagnosticada com cálculo renal e suposto cisto e depois da biópsia, veio a certeza do câncer. No entanto, a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) divulgou uma carta na quarta-feira (28) sobre alguns erros em torno da suspeita, diagnóstico e tratamento do câncer renal vivido pela personagem.

"É importante não alarmar o público com informações que podem causar confusão, como a associação de cisto, câncer e cálculos, além da insuficiência renal crônica que vem depois. Esclarecemos que quem tem calculose renal pode ter função renal normal, da mesma forma que os cistos podem ser simples e benignos e as pessoas manterem a função renal regular. Mesmo após a retirada do tumor maligno, também é possível manter a função do órgão", explicou o artigo assinado por Carmen Tzanno, presidente da SBN.

Além disso, ao contrário do que foi exposto na trama, a entidade afirma que o fato de uma pessoa ingerir bebida alcoólica não a contraindica como doadora para o transplante de rim. "Afirmar o contrário em cenas da novela pode reduzir o número de doações, já insuficientes para a fila de milhares de pacientes à espera da cirurgia."