5 acidentes verdadeiros e 3 falsos envolvendo o uso de celular

Juliana Dutra
Do BOL, em São Paulo

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    Notícia sobre celular que explodiu mandíbula de jovem é falsa, mas há casos verdadeiros e até fatais de acidentes com o aparelho

    Notícia sobre celular que explodiu mandíbula de jovem é falsa, mas há casos verdadeiros e até fatais de acidentes com o aparelho

Acidentes envolvendo o uso do celular assustam e costumam ser compartilhados pela web, mas nem sempre são verdadeiros. Confira abaixo alguns casos reais e outros falsos, entenda a diferença e saiba como os acidentes poderiam ter sido evitados.

Segundo os profissionais consultados pelo BOL, a parte do celular mais crítica e que pode causar mais acidentes é a bateria, que, antes de chegar ao estágio crítico de explosões, dá sinais de desgaste, como inchaço ou temperatura elevada.

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Para prevenir acidentes, os especialistas em bateria do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) recomendam: não deixar o telefone em lugares de temperatura elevada; evitar levar o aparelho em bolsos de calça; desconectar o carregador durante tempestades; recarregar o celular em lugares arejados, evitando exposição ao sol; não deixar recarregando a noite inteira próximo ou sobre a cama ou móveis de madeira; evitar falar ao celular enquanto o aparelho está sendo carregado e visitar assistência técnica ao notar qualquer anomalia.

Casos reais

Telefone da Samsung foi proibido em aviões

Em 2017, a Samsung teve que recolher lotes do "Galaxy Note 7" após vários casos de explosões e pequenos incêndios causados pelo aparelho, que foi proibido até mesmo em aviões. A empresa concluiu que a causa das explosões estava na bateria de lítio, que, segundo a marca, não era fabricada pela companhia. Segundo a especialista Maria de Fátima Rosolem, da Área de Sistemas de Energia do CPqD, as baterias de lítio-íon usadas nos aparelhos são estáveis dentro de "determinadas faixas de tensão e temperatura", porém, fora dessas condições, podem se deteriorar e gerar outros compostos químicos perigosos - como, por exemplo, gases inflamáveis e lítio metálico. "O lítio metálico, quando em contato com oxigênio gasoso ou umidade, sofre combustão espontânea - isto é, pega fogo ou explode em violenta reação térmica."
Divulgação
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Extensão perigosa

Em Pernambuco, uma mulher morreu enquanto carregava o celular usando uma extensão. Kleber da Silva Divino, professor de segurança da informação da Fatec São Caetano, explica que a morte não foi causada pelo celular propriamente, e sim pelo fio adicional. "O choque foi na parte da extensão porque após a energia passar pelo carregador, a corrente é muito baixa e não é suficiente para matar", esclarece o professor. Ele acrescenta que extensões podem ser usadas, mas com alguns cuidados: a extensão precisa estar intacta. "O problema é a utilização de extensões em mau estado sem o isolamento correto." Os especialistas do CPqD recomendam também retirar imeditamente o celular da recarga caso seja observado algum ponto quente.

Jogava com aparelho na tomada

Em 2015, uma menina de 11 anos morreu enquanto jogava no celular conectado à tomada porque levou um choque, em Ceilândia (DF). Segundo os especialistas do CPqD, o celular pode esquentar por causa do uso de aplicativos que consomem mais energia, como games ou programas que usam GPS. Eles também podem provocar um aumento da temperatura interna da bateria, que deve voltar à temperatura ambiente depois de um certo tempo do encerramento do aplicativo. No entanto, se houver algum dano interno na bateria ou em seus componentes, ela pode, sim, explodir ou pegar fogo. "Esse processo não ocorre de uma hora para outra: a bateria vai dando sinais de degradação, como abaulamento e aumento da temperatura de uma forma constante. Se ela começar a esquentar de modo anormal e/ou apresentar abaulamento, é sinal que sua integridade está comprometida. Nesse caso, o usuário deve procurar imediatamente uma assistência técnica."
Reprodução / Facebook
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Morreu dormindo

A adolescente de 14 anos Le Thi Xoan, do Vietnã, foi eletrocutada enquanto dormia após encostar em um fio encapado com fita adesiva e conectado à tomada. O comprimento do cabo indicava que o acessório não era original da marca e estava remendado. Segundo os especialistas em bateria da Área de Sistemas de Energia do CPqD, componentes falsificados podem ter um desempenho muito abaixo do necessário, seja na regulação da tensão e corrente, seja na capacidade de condução de corrente ou na proteção elétrica, podendo comprometer a integridade do circuito eletrônico de proteção da bateria. "Se esse circuito se danificar, a bateria poderá explodir ou pegar fogo", conta o especialista Raul Beck. Para evitar acidente, é importante obter produtos homologados pela Anatel. "Todos devem possuir o selo atestando que foram submetidos e aprovados em testes de qualidade realizados em laboratórios independentes. É importante adquirir somente produtos que passaram por esse processo, pois é a garantia de sua origem, qualidade e desempenho", completa.
Divulgação
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Celular debaixo do travesseiro

A explosão de um celular que estava debaixo do travesseiro, em setembro do ano passado, deixou um estudante do Tocantins com queimaduras de segundo grau no ombro e no braço direito. "Foi o maior susto. O clarão me acordou e, no impulso, eu corri. Se não tivesse corrido, nem sei o que poderia acontecer. Poderia ter queimado meu rosto todo. O colchão pegou fogo e o aparelho ficou totalmente destruído", disse ao UOL. "No caso de explosão de aparelhos eletrônicos, a queimadura acontece por calor e radiação eletromagnética. O correto nesse caso é controlar a situação, ou seja, apagar o fogo e depois cuidar do ferimento", contou o médico Caio Lamunier de Abreu Camargo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, à reportagem, na época.

Casos falsos

Reprodução
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Celular não destruiu mandíbula

A notícia de que um celular havia explodido na boca de um jovem tornou-se viral, mas não passava de uma notícia falsa. O boato de internet dizia que a corrente elétrica teria causado um curto, explodido a placa e dilacerado parte da mandíbula do jovem. A explosão aconteceu de verdade, em 2014, mas foi causada pelo próprio rapaz, que acendeu um explosivo na boca por não aceitar o término de um relacionamento. No entanto, usar o celular enquanto está carregando pode gerar um acidente. "Pode ocorrer uma descarga da rede elétrica - por exemplo, causada por um raio -, o que pode danificar o carregador e até mesmo o celular", explicou Maria de Fátima, da equipe de especialistas em bateria do CPqD por e-mail.
Reprodução/Arte UOL
Reprodução/Arte UOL

Aparelho não explodiu posto de gasolina

De acordo com um vídeo que circulou no WhatsApp, um carro explodiu em um posto de gasolina porque uma criança estava brincando com o celular. A explosão realmente aconteceu, em abril de 2017, em São Paulo, causando a morte de uma mulher e ferimentos em três pessoas. O motivo da explosão, no entanto, não foi o celular, e seria impossível um aparelho gerar um acidente dessa magnitude. "O celular não tem capacidade de gerar faísca [que causaria a explosão]", afirmou o físico Claudio Furukawa, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, ao UOL. "Ele, no máximo, transmite e recebe ondas magnéticas, como um rádio." Ainda segundo o físico, a tensão do celular é muito baixa, de 5 V, insuficiente para tornar o ar condutor de uma combustão em cadeia, como seria o necessário nesse caso.
Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Família inteira não foi morta por causa de celular

Outra notícia que correu na web no final de 2017 foi a de uma família inteira que teria morrido por causa de uma descarga elétrica de um celular que estava carregando. Além de o texto mentiroso trazer cidades diferentes dependendo de quem recebesse, as fotos pertenciam a outro caso, no qual, segundo reportagem do G1, um fio desencapado e um varal de arame causaram um acidente em Alagoas que matou três pessoas da mesma família. Nesse caso, os filhos acabaram morrendo ao tentar socorrer a mãe por conta própria.