"A mulher mais bonita do Brasil": Nove fatos sobre Roberta Close

Colaboração para o BOL

  • Reprodução/Instagram @robertacloseup

Apesar de ter sido registrada como Luiz Roberto, a artista, que nesta sexta-feira (7/12/2018) completa 54 anos, tornou-se Roberta Close. Aliás, ela teve problemas de aceitação na família no início e precisou sair de casa ainda muito jovem. O sobrenome artístico surgiu por conta de um ensaio sexy que fez para a extinta revista "Close", que fez com que Roberta ficasse conhecida nacionalmente.

Confira momentos da trajetória da artista, que fez redesignação sexual e precisou lutar contra o preconceito durante toda a vida. Atualmente, Roberta Close vive na Suíça com o marido - longe dos holofotes brasileiros.

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Arquivo pessoal
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Dificuldades do pai

Em entrevista a Luciana Gimenez, Roberta Close desabafou sobre a infância. Ela disse que sua família teve dificuldades de aceitá-la. Seu pai, sem saber como explicar aos amigos, por exemplo, chegou a dizer que a filha era uma empregada. Por conta de situações como essa, ela saiu de casa aos 14 anos. "Na época, era muito complicado ficar explicando sobre esse tema. Eu sentia que para ele era difícil, todo mundo na família sofreu". Carolina Gambine, sobrinha da artista, explicou a situação do avô (pai de Roberta) ao UOL: "Para ele foi mais difícil. Não era pela Roberta, mas pelas amizades. Os amigos dele implicaram e fizeram crescer o preconceito nele. A gente é fruto do meio em que a gente vive. Se vive em um meio preconceituoso, você tende a reproduzir isso. Mas hoje ele é desconstruído. Se alguém se refere à Roberta no masculino ele corrige"
Arquivo pessoal
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Parceira admirável

Carolina Gambine (foto), sobrinha de Roberta Close, ainda fez questão de falar sobre a relação entre elas e garantiu que a tia é uma amiga, que fez parte de sua criação. "Ela é muito determinada e admiro, também, a coragem dela. Ela nadou contra a maré nos anos 80 e conseguiu se tornar uma mulher respeitada. Ganhou visibilidade, representatividade e, de maneira delicada, tocar em um assunto tão chocante ainda mais para aquela época", afirmou ao UOL
Reprodução/Facebook
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Musa dos anos 1980

Com sua simpatia e beleza exuberante, a carreira de Roberta logo evoluiu. De modelo, ela passou a trabalhar como atriz. Ela atuou em filmes como "No Rio Vale Tudo" (1987) e "O Escorpião Escarlate" (1990). A artista também esteve na novela "Mandacaru" (1997), da Manchete. Além de musa de Carnaval, que dava brilho aos desfiles nas décadas de 1980 e 1990, ela lançou um livro em 1998: a biografia "Roberta Close, Muito Prazer", que é fruto de uma série de entrevistas entre ela e a jornalista Lúcia Rito. Em 2000, o Shoptime anunciou a contratação dela para apresentar o programa De Noite na Cama, no lugar de Monique Evans. Até então, Roberta integrava o elenco de Zorra Total, na Globo. Tanto sucesso e beleza fizeram com que a mídia divulgasse repetidamente a história da artista - ainda que não de uma forma sensível. Tanto o Notícias Populares quanto um jornal norte-americano publicaram manchetes semelhantes. Enquanto a publicação gringa afirmou: "A modelo mais bonita do mundo é homem", a brasileira garantiu: "A mulher mais bonita do Brasil é homem"
Rosane Marinho/Folha Imagem
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Playboy

Roberta Close foi a primeira modelo trans a posar para a Playboy, em maio de 1984. A chamada usada pela revista na época foi: "Incrível: as fotos revelam por que Roberta Close confunde tanta gente". O ensaio vendeu 200 mil exemplares em três dias - um feito, até então, inédito para a publicação. Na época, surgiram rumores de que o político Paulo Maluf - então deputado pelo PDS e candidato à presidência - havia pedido que um assessor garantisse um exemplar, supostamente por estar interessado em uma matéria sobre os presidenciáveis, mas a edição já estava esgotada nas bancas
Paula Giolito/Folhapress
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Cirurgia de mudança de sexo

Roberta realizou o procedimento cirúrgico em Londres, em 1989. O passo seguinte passou a ser a luta para trocar o nome. Somente 15 anos depois, em meio a diversas tentativas judiciais, ela conseguiu o direito de mudar o nome de Luiz Roberto Gambine para Roberta Gambine Moreira
Alexandre Campbell/Folha Imagem
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Casamento e vida na Suíça

No início dos anos 90, Roberta Close se apaixonou pelo suíço Roland Granacher (foto), um funcionário de alto cargo da Nestlé. "Conheci ele aqui na Suíça. Quando ele foi ao Brasil pela primeira vez não falava português. Conheci em 1993, mas oficialmente só nos unimos bem mais tarde, já para depois dos anos 2000. Não nos deixavam também. Eu sempre tive problemas", revelou em entrevista a Gugu Liberato. A nova vida na Europa, mais especificamente em Zurique, não deve ser tão difícil para Roberta, que além de dominar cinco idiomas (português, francês, inglês, italiano e alemão), é conhecida como uma dama da alta sociedade local
Reprodução/Instagram @robertacloseup
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Afastada da mídia

Roberta, que já chegou a discutir com Fausto Silva por conta da insistência do apresentador em saber detalhes da sua vida íntima, ficou mais de dez anos sem dar entrevistas, magoada com a mídia brasileira. Ao voltar para os holofotes, revelou a Gugu Liberato: "Eu trabalhei com a mídia e para mim é difícil estar fora disso. Eu fiquei traumatizada no princípio por me ausentar assim. Mas eu sou uma pessoa que gosta de desafios. Então, quis provar pra mim mesma que conseguiria viver fora do mundo da mídia"
Reprodução/Instagram @robertacloseup
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Xô, homofobia!

"Minha mãe fez 50 anos de casada, logo antes de morrer. Era o sonho dela renovar os votos. Pois ela renovou os votos e morreu, coitadinha. Foi muito difícil para mim, Gugu, aqui sozinha, porque minha mãe dava muita força para mim. E ao mesmo tempo o povo me xingando, sem necessidade", desabafou em entrevista a Gugu, lembrando não apenas a saudade da progenitora, mas o fato de sempre ser alvo de críticas. "Roberta foi muito julgada, sacaneada, sofreu muito por ser transexual. Voltar ao Brasil virou um grande trauma para ela. Na Suíça, ela é uma mulher, e ninguém fica questionando sobre isso", ponderou a amiga Isabelita dos Patins em entrevista ao Extra, relatando o fato de a artista retornar cada vez menos à sua terra natal por conta do medo do preconceito
Reprodução/Instagram @robertacloseup
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Hermafrodita

Em sua biografia, Roberta Close abordou o fato de não ser transexual, mas hermafrodita. Em entrevista a Gugu, ela explicou melhor a situação: "O hermafrodita nasce complicado. Existe falta de esclarecimento, não sou médica, mas posso dar explicação de como funciona porque passei por muitos legistas. Somos todos humanos, alguns com defeitos. Acho que a humanidade é especial por causa da diversidade", explicou, revelando ter nascido com genes masculinos, mas ser considerada hermafrodita feminina