Conheça o transtorno que faz com que mães inventem doenças para os filhos

do BOL

Na maioria dos casos, elas são vistas como "mães perfeitas", dedicadas, com casamentos felizes, mas com o infortúnio de terem um filho - às vezes, mais de um - doente, ao qual, claro, se dedicam ao máximo. Porém as mulheres a seguir, na verdade, sofriam de um transtorno: a síndrome de Münchausen por procuração (ou transferência), que faz com que a pessoa invente doenças para os filhos e provoque sintomas.

De acordo com o médico Antonio Carlos Alves Cardoso, doutor em pediatria pela USP, em artigo publicado no site da Sociedade de Pediatria de São Paulo, a síndrome de Münchausen por transferência (SMT) é uma modalidade de abuso infantil em que um dos pais ou responsável, em geral a mãe, recorrentemente falsifica sinais/sintomas físicos ou psicológicos em uma criança, com o objetivo de a vitima ser considerada doente.

O nome da patologia foi dado em referência ao Barão de Münchausen, conhecido por contar histórias mentirosas e exageradas sobre as próprias proezas como militar. A síndrome de Münchausen é diagnosticada quando uma pessoa repetidamente e deliberadamente se comporta como se tivesse uma doença física ou mental quando não está realmente doente. Já na síndrome por procuração, a pessoa transfere esses falsos sintomas para uma criança. De acordo com o site Kids Health, que faz parte de uma organização inglesa de tratamento para a saúde infantil, em 85% dos casos é a mãe que inflige sintomas e doenças aos próprios filhos.

Confira a seguir nove casos retratados pela imprensa mundial. 

Reprodução/The Sun
Reprodução/The Sun

1

Rachel Kinsella

Em março deste ano, ela foi condenada a 30 anos de prisão por envenenar o filho de nove anos com um coquetel de medicamentos prescritos, o que o deixou gravemente doente por um ano. Patrick passou seis meses internado. O garoto foi submetido a 10 transfusões de plasma e seis cirurgias em 2014. Rachel costumava levar o filho a dois diferentes hospitais nos EUA, sem informar aos médicos de um sobre o tratamento que o menino já havia recebido no outro. Com isso, ela aproveitava para estocar os medicamentos prescritos pelos diferentes profissionais. "Ela criou a doença. As pessoas não querem acreditar que uma mãe faria isso, porque as mães devem plantar as sementes de amor que crescem durante toda a vida", afirmou a promotora assistente Shiela Whirley durante o julgamento, segundo o jornal St.Louis Post
Reprodução/Garnett's Journey
Reprodução/Garnett's Journey

2

Lacey Spears

Em 2014, Garnett, 5, morreu envenenado com uma grande quantidade de sódio, nos EUA. Apesar de nunca ter recebido um diagnóstico, ele apresentava problemas de saúde desde os cinco dias de vida, com febres e infecções inexplicáveis. A mãe tornou-se blogueira e passou a relatar os problemas de saúde do filho, enquanto secretamente o alimentava com níveis tóxicos de sódio. Uma vizinha desconfiou do caso depois que Lacey pediu para jogar na casa dela o saco plástico que era parte da sonda gástrica do filho recém-falecido. "Durante seus cinco anos, Garnett Spears foi forçado a sofrer repetidas hospitalizações, procedimentos cirúrgicos desnecessários e, finalmente, um envenenamento com sal. Tudo pelas mãos da pessoa que deveria ter sido sua maior protetora: sua mãe", afirmou a promotora Janet DiFiore em comunicado, de acordo com o site ABC News. Leia mais
Reprodução/Nori McCall/Daily Mail
Reprodução/Nori McCall/Daily Mail

3

Terri Milbrandt

Terri drogou a filha com remédios para dormir e raspou constantemente sua cabeça afirmando para todos, incluindo para a menina, com então sete anos, que ela estava com câncer. "Ela arruinou minha vida", declarou Hannah, atualmente com 21 anos em entrevista ao Daily Mail em abril deste ano. De acordo com o que a polícia informou à publicação, 65 pessoas e pequenos empresários locais doaram cerca de 31 mil dólares para o tratamento. Mas, nove meses depois, em 2002, os professores da menina suspeitaram da farsa. Em 2003, a mãe foi condenada a seis anos e meio de prisão nos EUA e o pai a quatro anos e 11 meses, mesmo alegando não saber de nada. Além de dopar a filha nas supostas sessões de quimioterapia para que ela não se lembrasse de nada, Terri também admitiu levar Hannah para sessões de aconselhamento a fim de prepará-la para a morte iminente
Reprodução/BBC
Reprodução/BBC

4

Petrina Stoker

David, 9, da Inglaterra, havia sido campeão de karatê, mas, de repente, tornou-se muito fraco. De acordo com o documentário "Minha Mãe, Minha Assassina", os médicos não conseguiam acabar com os sintomas, pois Petrina contaminava os exames, colocando sangue na coleta de urina e fabricando amostras de vômito. Com isso, David continuou submetido a tratamentos para descobrir uma doença que nunca teve. Até que a mãe, em agosto de 2001, provocou uma overdose no menino ao colocar 13 colheres de sal no leite que ele tomava por tubos. No julgamento, a acusação considerou que a intenção de Petrina não era matá-lo, mas novamente confundir os médicos com um novo sintoma, afastando-os da possibilidade de desmascará-la
Reprodução/Tapatalk
Reprodução/Tapatalk

5

Cynthia Martinez Lyda

Em 2000, ela foi sentenciada a 32 anos de prisão, nos EUA, por machucar três dos quatro filhos do primeiro casamento. Segundo o CJ Online, Cynthia foi flagrada pelas câmeras do hospital desconectando o tubo que alimentava o até então caçula, Joseph, de oito meses. Ela também foi responsável por injetar material fecal e outros contaminantes nos tubos intravenosos e por bloquear a respiração do menino. Após a filmagem, os casos dos outros filhos foram reexaminados. O segundo, Aaron, nasceu prematuro e morreu vítima de um ataque cardíaco sem que a mãe chegasse a ligar para a emergência. O terceiro filho, Daniel, ficou em estado vegetativo depois que Cynthia desligou os aparelhos que o ajudavam a respirar. Após o caso, ela se casou novamente e teve outros dois filhos, que foram enviados para abrigos, mantidos longe da progenitora
Reprodução/YouTube/billcosby5000
Reprodução/YouTube/billcosby5000

6

Tanya Reid

As autoridades começaram a investigar a enfermeira Tanya após uma quantidade exagerada de ligações para a emergência. Enquanto viviam no Texas, o pequeno Michael havia sido hospitalizado cerca de 20 vezes em dois anos. Após se mudarem para Iowa, nada mudou. Ela foi presa acusada de sufocar o garoto, que ainda não havia completado três anos, em sete ocasiões entre outubro e março de 1988. Segundo Gregg Olsen, autor do livro sobre o caso, "Cruel Deception", depois que as investigações começaram a vasculhar o passado da família, a mãe foi condenada também pelo assassinato da primogênita, que morreu com os mesmos "sintomas" que o garotinho. Do momento em que foi afastado da mãe em diante, Michael não apresentou qualquer problema de saúde
Reprodução/NY Daily News
Reprodução/NY Daily News

7

Marybeth Tinning

Ela matou todos os nove filhos, sendo oito biológicos e um adotivo entre 1972 e 1985. De acordo com o Daily News, ela descrevia os sintomas das crianças, que sempre apresentavam problemas respiratórios, convulsões, entre outros. A princípio, os médicos atribuíram as mortes a uma doença genética, tese que foi descartada após a morte do filho adotivo. Presa em 1985, ela confessou que sufocava as crianças com um travesseiro, tendo sido condenada à pena de 20 anos de prisão a perpétua. Ela já apelou algumas vezes em busca da liberdade, mas teve os pedidos negados. Leia mais
Reprodução/Murderpedia
Reprodução/Murderpedia

8

Waneta Hoyt

Cinco de seus seis filhos morreram entre 1965 e 1971 nos EUA. Segundo o The New York Times, os médicos atribuíram os casos à síndrome da morte súbita infantil, em que bebês aparentemente saudáveis morrem, muitas vezes durante o sono, sem qualquer explicação ou diagnóstico aparente. A família apareceu em importantes publicações médicas e foi repetidamente estudada. Porém, quando o promotor William Fitzpatrick leu sobre o caso, passou a suspeitar que a causa das mortes tivesse nome e sobrenome. Finalmente, em 1994, ela confessou os assassinatos, revelando que fez isso porque as crianças choravam muito. Waneta foi condenada a 75 anos de prisão (15 por cada morte) e morreu em 1998 na cadeia, vítima de câncer de pâncreas
Reprodução/AO Surgery Reference
Reprodução/AO Surgery Reference

9

Caso brasileiro

Em 1997, a Folha de S.Paulo divulgou o caso de uma mulher identificada apenas como T., de 27 anos. Segundo o pediatra Jayme Murahovschi, a mãe levou a filha P., de 3 anos, ao hospital com um sangramento no ouvido direito. A garotinha foi submetida a uma série de exames de rotina, 20 exames específicos, consultas com profissionais de seis diferentes especialidades, mas aparentemente não havia nada de errado. Suspeitando da mãe, que tentava convocar a mídia para noticiar o "caso raro", um médico tampou, com algodão, o ouvido da menina, que passou a sangrar pela narina e até pelo olho. Quando uma enfermeira flagrou a mãe despejando um líquido no ouvido da filha que dormia, T. aceitou conversar com um psiquiatra, mas sumiu levando a menina. "O perigo é que, quando são descobertas, essas mulheres mudam de freguesia", reconheceu o pediatra