20 filmes que retratam o período do governo militar no Brasil

Colaboração para o BOL

Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu uma ditadura militar. Nesse período, a expressão artística era submetida à censura e o cinema não podia falar de política, muito menos da situação em que o país vivia. Alguns poucos filmes passaram pela censura e foram exibidos com cortes ou em circuitos restritos. Selecionamos 20 produções que retratam a Ditadura Militar, sendo que apenas três foram encenadas durante o regime.


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Reprodução/Incinerrante
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1

Manhã Cinzenta (1969)

"Manhã Cinzenta" foi dirigido por Olney São Paulo e é baseado em um conto de mesmo nome do diretor. A obra é um curta-metragem que mistura documentário e ficção, com imagens inéditas dos protestos de 1968 e uma história sobre a repressão de um regime ditatorial em um país fictício da América Latina. Para além das telas, o filme também tem muita história. Em 1969, a obra foi exibida durante o sequestro de um voo pelo MR-8, Movimento Revolucionário Oito de Outubro. Por conta disso, mesmo sem ligação com o sequestro, o cineasta foi preso e violentamente torturado. As sequelas da tortura nunca foram superadas pelo diretor e Olney morreu em 1978 por conta de um câncer de pulmão decorrente da violência vivida pela repressão
Reprodução/TV Brasil - EBC
Reprodução/TV Brasil - EBC

2

Paula, a História de Uma Subversiva (1979)

Dirigido por Francisco Ramalho Jr., o filme traz mostra a história de Marco Antonio, um arquiteto que durante a ditadura fez parte do movimento estudantil. Na época, ele namorava Paula, uma jovem também militante, que é presa, torturada e morta pelos militares. Anos mais tarde, Marco Antonio tem uma filha adolescente que é sequestrada ao sair de uma festa. Quando procura a polícia para relatar o crime, ele acaba reencontrando o policial Oliveira, responsável pela morte de sua ex-namorada durante a ditadura militar
Reprodução/Ministério da Cultura
Reprodução/Ministério da Cultura

3

Pra Frente, Brasil (1982)

Um dos primeiros filmes a tratar de forma aberta a repressão do regime militar, "Pra Frente, Brasil" foi dirigido por Roberto Farias e estrelado por Reginaldo Faria, Antônio Fagundes, Natália do Valle e Elizabeth Savalla. O longa narra a história de Jofre, um trabalhador de classe média sem ligação com a militância política, mas cujo irmão, Miguel, namora uma guerrilheira de esquerda. Por acaso, Jofre divide um táxi com um militante político, acaba sendo considerado parte do grupo, e é acusado de ser "subversivo". Ele é preso e submetido a inúmeras sessões de tortura. Enquanto muitos brasileiros, como Jofre, sofrem a repressão do regime militar, outros comemoram a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1970 aos gritos de "pra frente, Brasil!". O longa está na listados dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos feita em 2015 pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)
Reprodução/Nonada
Reprodução/Nonada

4

Que Bom Te Ver Viva (1989)

O documentário foi dirigido por Lúcia Murat e traz a história de mulheres que lutaram pelo fim do regime de repressão durante a ditadura militar brasileira. Em meio às narrativas e memórias, o filme também mostra como cada uma destas mulheres se recompôs e retomou sua vida, após os traumas sofridos durante os anos de ditadura. Lúcia Murat também foi guerrilheira. Ela foi presa e torturada pelos militares
Reprodução/YouTube
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5

Lamarca (1994)

Este filme, dirigido por Sérgio Rezende, conta a história real de Carlos Lamarca, um capitão que, durante a ditadura militar, abandonou as forças armadas e decidiu lutar junto aos grupos de resistência que protestavam contra o regime. O elenco conta com grandes nomes como Paulo Betti, Selton Mello e José de Abreu. O longa é baseado no livro de mesmo nome escrito por Emiliano José e Miranda Oldack
Reprodução/YouTube
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6

O Que é Isso, Companheiro? (1997)

Baseado no livro de mesmo nome escrito por Fernando Gabeira, o filme foi dirigido por Bruno Barreto e conta com grandes nomes no elenco, como Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele, Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Montenegro. A trama fala sobre o sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, pelos grupos guerrilheiros MR-8 e Ação Libertadora Nacional. "O Que é Isso, Companheiro?" foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1998
Reprodução/FESPSP
Reprodução/FESPSP

7

Ação Entre Amigos (1998)

Dirigido por Beto Brant, o filme narra a história dos amigos Miguel, Paulo, Elói e Osvaldo, ex-militantes de esquerda que haviam sido presos e torturados durante a ditadura. Eles descobrem o paradeiro de seu torturador e decidem ir atrás dele em busca de justiça. Mas, ao confrontarem algoz, descobrem algo surpreendente
Reprodução/YouTube
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8

Tempo de Resistência (2003)

Dirigido por André Ristum, o documentário é baseado no livro de mesmo nome do escritor Leopoldo Paulino. "Tempo de Resistência" traz depoimentos de mais de 30 pessoas sobre todo o período do regime militar no Brasil. José Dirceu, Aloysio Nunes, Franklin Martins, Leopoldo Paulino e Denise Crispim são alguns dos ex-militantes que dão voz ao filme
Reprodução/Academia Brasileira de Cinema
Reprodução/Academia Brasileira de Cinema

9

Cabra-Cega (2005)

Tiago e Rosa são dois jovens militantes que desejam o fim da ditadura militar no Brasil. Em uma emboscada, Tiago é ferido pela polícia e precisa se esconder. Ele acaba se refugiando na casa de Pedro e conta com a ajuda de Rosa, que é seu único contato com o mundo fora do apartamento. Mas com o passar dos dias, Tiago começa a desconfiar de seu anfitrião. A direção é de Toni Venturi
Reprodução/YouTube
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10

O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias (2006)

Mauro tem apenas 12 anos e leva uma vida normal, jogando bola e brincando com seus amigos. Até que um dia, seus pais saem de férias de forma inesperada e nunca mais dão notícias, deixando o menino com seu avô. Para completar, o avô de Mauro morre no mesmo dia em que o menino chega. Então, Mauro passa a contar com a ajuda e os cuidados do vizinho judeu. O ano era 1970 e os pais de Mauro, militantes de esquerda, são obrigados a fugir para não serem presos por se manifestarem contra o regime militar. O filme foi dirigido por Cao Hamburger e em 2015 passou a fazer parte da lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine)
Reprodução/YouTube
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11

Zuzu Angel (2006)

Com Patrícia Pillar, Daniel de Oliveira, Camilo Bevilacqua, Luana Piovani e Leandra Leal no elenco, este filme conta a história real da estilista Zuzu Angel, cujo filho, o ativista político Stuart Angel Jones, foi torturado e morto pelos militares. Após a morte de Stuart, Zuzu travou uma batalha pelo direito de enterrar o corpo do rapaz e teve sua luta interrompida em um acidente de carro que muitos afirmam ter sido forjado por seus opositores. A direção é de Sérgio Rezende
Reprodução/Suplemento Quinto
Reprodução/Suplemento Quinto

12

Batismo de Sangue (2007)

Um dos filmes mais fortes sobre o período da ditadura, "Batismo de Sangue" foi dirigido por Helvécio Ratton e inspirado no livro de mesmo nome escrito por Frei Betto. O longa conta a história real dos frades dominicanos Tito, Oswaldo, Fernando, Ivo e Betto. Eles ajudavam a Ação Libertadora Nacional (ALN), liderada por Carlos Marighella, que lutava contra o regime militar. As cenas de tortura são retratadas de forma crua e realista, mostrando como os presos eram brutalmente torturados durante interrogatórios. Além disso, o filme também retrata os efeitos psicológicos causados pelo terror vivido durante as torturas, como a depressão e o suicídio
Reprodução/YouTube
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13

Cidadão Boilesen (2009)

O documentário foi vencedor do Festival É Tudo Verdade de 2009 e demorou 15 anos para ser concluído. É dirigido por Chaim Litewski e conta a história do dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen, dono do grupo Ultragás. Boilesen foi um dos principais financiadores dos órgãos de repressão do governo durante a ditadura. O filme retrata o lado sádico do dinamarquês, que assistia pessoalmente a sessões de tortura, emprestava caminhões de sua empresa para a caça de guerrilheiros e recebeu uma homenagem para lá de obscura: um aparelho de tortura com seu nome, o Pianola Boilesen, uma máquina de choques que era acionada por um teclado
Divulgação
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14

Uma Longa Viagem (2011)

Também dirigido pela ex-militante Lúcia Murat, o filme traz a história da própria Lúcia e de seu irmão, Heitor. Enquanto Lúcia lutou no Brasil pelo fim do regime militar, sendo presa e torturada, Heitor foi enviado para Londres por sua família para que não se envolvesse com a luta armada. Combinando documentário e ficção, o longa tem algumas cenas protagonizadas pelo ator Caio Blat, que revive as cartas escritas por Heitor para a sua família no Brasil. O documentário ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Gramado de 2011
Divulgação
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15

Cara ou Coroa (2012)

Com direção de Ugo Giorgetti, o filme "Cara ou Coroa" se passa no ano de 1971 e narra duas histórias paralelas; de um lado o diretor de teatro João Pedro, atarefado com a estreia de sua nova peça, e de outro, o casal Getúlio e Lilian, jovens militantes que decidem colaborar com o grupo de resistência e abrigar dois guerrilheiros na casa do avô da jovem
Divulgação/Imovision
Divulgação/Imovision

16

A Memória Que Me Contam (2013)

Irene reencontra antigos companheiros do movimento de guerrilha quando uma de suas amigas, Ana, está prestes a morrer em um hospital. Neste reencontro, ela começa a reviver memórias do seu passado. Com Irene Ravache no papel principal, o filme também é dirigido por Lúcia Murat
Reprodução/UFRGS
Reprodução/UFRGS

17

Hoje (2013)

O filme "Hoje" é baseado no livro "Prova Contrária", de Fernando Bonassi, e foi dirigido por Tata Amaral. Na trama, Denise Fraga interpreta Vera, que, após receber uma indenização do governo pela morte do seu marido Luiz (César Trancoso) durante o regime militar, compra um novo apartamento em São Paulo. Porém, durante a mudança, ela começa a fantasiar com o fantasma do seu marido e a relembrar todas as torturas e sofrimentos que viveu durante o período. O longa recebeu seis prêmios no 44º Festival de Brasília, em 2013
Reprodução/Canal Curta!
Reprodução/Canal Curta!

18

O Dia Que Durou 21 Anos (2013)

O documentário conta a participação do governo dos Estados Unidos na crise política iniciada com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Isso resultaria no golpe militar em 1964, levando o país à um regime de ditadura que durou 21 anos. O filme também fala sobre o sequestro do embaixador norte-americano, em 1969. Os sequestradores queriam trocar o embaixador por 15 presos políticos, entre eles o jornalista Flávio Tavares, pai do diretor do filme, Camilo Galli Tavares. O longa recebeu o prêmio de Melhor Documentário Estrangeiro no St Tropez International Film Festival e ganhou uma versão para a televisão, dividida em três episódios
Reprodução/YouTube
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19

Repare Bem (2013)

O documentário "Repare Bem", dirigido por Maria de Medeiros, conta a história de Denise e Eduarda Crispim. Na trama, Denise era filha de pais militantes e namorada de Eduardo Leite, guerrilheiro conhecido como Bacuri. Sua família foi perseguida pelos militares, e ela testemunhou o assassinato de seu irmão, a prisão de sua mãe e a tortura e morte de seu namorado, Bacuri. Ele foi o preso que permaneceu por mais tempo em regime de tortura ininterrupta - foram 109 dias seguidos - pelas mãos do delegado Fleury. Enquanto vivenciava tudo isso, Denise descobriu que estava grávida de Eduarda. Partiu em fuga para o Chile e, com a ascensão de uma ditadura militar no país andino, foge em seguida para a Itália. Depois de quarenta anos, Denise e sua filha recebem anistia do Brasil e decidem cortar o silêncio e narrar sua história
Wikipedia
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20

Em Busca de Iara (2014)

"Em Busca de Iara" é um filme-documentário, dirigido por Flávio Frederico, que conta a história da psicóloga e guerrilheira Iara Iavelberg, integrante do MR-8 e companheira do também militante Carlos Lamarca. Através de documentos, entrevistas e arquivos, o filme desmonta a versão oficial do Ministério da Aeronáutica de que Iara havia cometido suicídio, quando, na verdade, foi executada pelos militares. O roteiro foi escrito por Mariana Pamplona, sobrinha de Iara