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02/08/2007 - 12h10

"Não agüento mais, é desumano", diz viúva de piloto do Airbus TAM

"Quero somente informações oficiais. Não agüento mais a maneira desumana como estão tratando esta questão. A única coisa que eu sei é do profissionalismo do meu marido".

Arquivo pessoal
Henrique Stephanini Di Sacco, 54, piloto comandante do avião da TAM
Henrique Stephanini Di Sacco, 54, piloto comandante do avião da TAM


O desabafo emocionado é de Maria Helena, viúva do piloto Henrique Stephanini Di Sacco, 54, comandante do vôo JJ 3054 que morreu no acidente do avião da TAM, no o último dia 17, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Dezesseis dias após a tragédia que matou cerca de 200 pessoas, Maria Helena diz estar cansada de tantas versões sobre o acidente e diz não se conformar com a maneira como o país está tratando o assunto.

"A corrupção é tão grande que vão colocar a culpa no piloto, na empresa... mas eu acho que na verdade o acidente aconteceu por uma série de fatores. Só que é mais fácil culpar que não está mais aqui para se defender."

Enquanto autoridades e empresas apresentam dados sobre o acidente, Maria Helena diz que sua família tenta se poupar. "Fui aconselhada pelos meus filhos e não estou acompanhando mais nada do que a imprensa divulga. As pessoas dizem muita coisa, então, a partir de agora, eu só quero saber de informações oficiais."

Além da dor do luto, ela também está sofrendo com o assédio. "Não consigo trabalhar, não consigo me concentrar, me ligam de números confidenciais no meu celular perguntando se eu vou processar a TAM. Não agüento mais, estou cansada".

O piloto Kleyber

Arquivo pessoal
Kleyber Aguiar Lima, 53, co-piloto do vôo 3054, deixou mãe e irmãs
Kleyber Aguiar Lima, 53, co-piloto do vôo 3054, deixou mãe e irmãs


Maria Guedes Lima tem 78 anos e é mãe do comandante Kleyber Aguiar Lima, co-piloto do vôo JJ 3054. Diferentemente de Maria Helena, ela tem acompanhado todo o noticário sobre o acidente. Chora e se revolta ao ver que o filho apontado como culpado sem chance de defesa. "Ainda não está em condições de falar conversar sobre o assunto", diz Sheldon Lima, um de seus netos, sobrinho de Kleyber.

Para a família, afirmou ele à Folha Online, os pilotos estão sendo injustiçados por "forças muito maiores". "Acho que as acusações são feitas porque há três grandes forças envolvidas que querem se livrar da culpa: o governo, a TAM e a Airbus."

A família duvida que tenha ocorrido falha humana. "É uma injustiça, estamos perplexos. Não podemos acreditar que, com 27 anos como piloto, ele pudesse cometer um erro tão simplório como este, de esquecer de puxar o manete. É quase impossível".

Sheldon afirma que toda a família de Kleyber sabia da verdadeira paixão que ele tinha pela TAM. Ele diz que a família gostaria de compreender o motivo pelo qual a empresa procura não se manifestar em favor dos funcionários. "A TAM era a empresa perfeita para meu tio. Mas acho que eles não querem defender os pilotos para não se complicar".

Dados da caixa-preta apontam que houve alguma falha no momento do pouso do Airbus A320 no último dia 17. A leitura dos dados aponta que um dos manetes da aeronave (que acelera ou reduz a velocidade) estava em posição errada. Daí a conclusão inicial de que houve falha humana.

A leitura dos diálogos da caixa-preta de voz, no entanto, não são conclusivos, para muitos pilotos. Eles acreditam que possa ter ocorrido falha no sistema de computação de bordo, ou ainda outra falha mecânica.

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