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Quinta-feira, 29 de JUNHO de 2017

24/09/2008 - 09h40

Falta de teste de setor à alta energia causou avaria no acelerador do CERN

Genebra, 24 set (EFE).- O problema no Grande Colisor de Hádrons (LHC), o superacelerador de partículas da Organização Européia de Pesquisa Nuclear (CERN), foi devido à falta de testes à alta energia em um setor do experimento.

Essa afirmação foi feita à Agência Efe pelo físico argentino Jorge Mikenberg, um dos mais de 10 mil cientistas que trabalham no maior experimento físico da história, que tem como objetivo recriar em pequena escala as condições durante e depois do "big bang".

No sábado passado, foi detectada uma avaria em um dos oito setores que formam o acelerador, um túnel circular que mede 27 quilômetros de comprimento e fica na fronteira suíço-francesa, perto de Genebra.

Este setor, chamado 3-4, não tinha sido testado à alta energia antes do início do funcionamento do LHC, em 10 de setembro, "porque não deu tempo".

"Sete dos oito setores puderam ser testados a altas energias de 5 TeV (1 trilhão de elétrons-volts), antes do dia 10, mas faltou um", disse Mikenberg.

No dia em que o LHC começou a funcionar, o setor agora com problemas não apresentou avarias, porque, em todo o experimento, que tinha como fim apenas comprovar o funcionamento do acelerador, foi utilizada baixa energia.

"Mas foi um grande sucesso, porque conseguimos ver que o acelerador funciona, e os detectores já conseguiram captar dados", disse o cientista.

Quatro detectores - Atlas, Alice, LHCb e CMS -, instalados no acelerador como radares para observar as colisões frontais entre os prótons, serão responsáveis por observar os milhões de dados gerados pelos choques.

Sobre a avaria, Mikenberg disse que o problema foi "que uma das conexões dos cabos condutores não estava bem conectado. Provocou um curto-circuito no sistema de vazio e, portanto, soltou hélio".

Essa avaria também danificou parcialmente dois ímãs supercondutores.

"Como todo o mecanismo está a uma temperatura de menos 271,2 graus Celsius, para consertar é preciso esquentar até alcançar a temperatura normal, o que levará 3 ou 4 semanas, e depois voltar a esfriar, o que levará mais 3 ou 4 semanas", acrescentou o físico.

É por isso que as autoridades do CERN consideram, e assim anunciaram, que o acelerador só voltará a funcionar no primeiro semestre do ano que vem, dado que, a cada ano, todas as instalações param de dezembro a março para fazer revisões e não gastar energia.

No entanto, o porta-voz do CERN, James Gillies, disse que a inauguração oficial do LHC, que deve contra com a presença de vários chefes de Estado, se manterá, como estava previsto, em 21 de outubro.

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