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Sábado, 27 de maio de 2017

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Seca ameaça a Chapada dos Veadeiros

Stefania Pelusi
De Brasília

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, declarado Patrimônio da Humanidade por sua riqueza ecológica, que guarda até plantas capazes de "devolver a virgindade a uma mulher", está ameaçado atualmente por um forte seca e incêndios.

O fogo é atualmente o maior perigo para o ecossistema do parque, que tem 655 quilômetros quadrados de formações rochosas e centenas de cascatas, que, em 2001, foi incluído entre os patrimônios da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A reserva, delimitada em 1961, possui 60% das espécies vegetais e o 80% da fauna da região Centro-Oeste brasileira.

Em uma recente visita, especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) comprovaram que a seca na região, normal entre os meses de abril e outubro, começou a causar novos estragos.

A umidade do ar na região pode chegar nas épocas de seca a 8%, o que alimenta as chamas que muitas vezes são provocadas por camponeses ao limparem os terrenos com queimadas, caçadores ou turistas descuidados.

O guia Adelídio Ferreira disse à Agência Efe que, entre as ameaças, está até uma planta, conhecida como Candombá, que produz um óleo altamente inflamável, que pode entrar em combustão com os raios do sol.

A flora da região também guarda outras curiosidades, como uma leguminosa conhecida como Barbatimão, à qual a cultura popular atribui um efeito cicatrizante tão poderoso que pode "até devolver a virgindade a uma mulher", segundo Ferreira.

De acordo com Sergio Collaço, coordenador do Instituto Chico Mendes, responsável pela conservação do parque, as chamas na região são muito difíceis de conter tanto pela extensão da reserva quanto pelas dificuldades de acesso e os poucos meios disponíveis.

O subdiretor do parque, José Fernando Rebello, disse à Efe que no primeiro semestre do ano quase 10% da área, ou 60 hectares, foram afetados por incêndios, mas lembrou que os piores foram registrados em 2003 e 2007, quando 90% e 62% do território, respectivamente, foi afetado.

Desde o último grande incêndio, existe uma equipe de vigilância que atua 24 horas durante os meses de maior risco, com o objetivo de minimizar o impacto da seca.

O parque nacional é um oásis verde no meio da terra vermelha característica do semi-árido da região centro-oeste do Brasil.

A principal entrada está no povoado de São Jorge (GO), de onde o visitante encara estradas de terra esburacadas e cheias de pedregulhos.

São Jorge é um dos pontos de ecoturismo mais vivos da região, com suas pousadas, campings, restaurantes e casas "ecologicamente corretas", que contam com aquecedores a energia solar.

A cidade é o melhor ponto de acesso à chapada, que abriga animais em risco de extinção, como cervos, lobos, onças e tucanos.

A principal atração são as cascatas circundadas por uma vegetação de intenso verde, com águas cristalinas e frias, nas quais os visitantes permanecem vigiados por bombeiros, que tentam impedir qualquer violação das regras ambientais.

As principais quedas são os dois saltos do Rio Preto, duas cascatas de 80 metros e 120 metros de altura separadas por apenas 30 metros.

O diretor de Patrimônio Natural da Chapada, Leonardo Schumm, disse à Efe que, para preservar esse paraíso, o acesso foi limitado e só são permitidos 45 guias, que podem levar grupos de até dez pessoas diariamente.

Além disso, a Chapada dos Veadeiros é conhecida como um centro místico, já que se situa no paralelo 14, o mesmo que corta Machu Picchu, no Peru, e é perfeita para a meditação.

Em 1990, grupos esotéricos começaram a chegar à região, assim como ecologistas, que se dedicaram ao cuidado de uma região que também guarda uma imensa reserva de cristais de quartzo.

Por essa riqueza, a Chapada dos Veadeiros é um dos lugares do planeta que mais brilha quando é observado do espaço, como foi comprovado por satélites da Nasa.

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