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Quarta-feira, 18 de outubro de 2017

BOL Notícias

Toque entre gêmeos durante a gestação comprova que ser humano é sociável por natureza

Por Isabel Martínez Apita
Da Efe

Estudo realizado por equipe de cientistas da Universidade de Pádua, na Itália, indica que gêmeos têm a tendência de se tocar durante a gestação. E isso não acontece pela falta de espaço, nem pelo acaso, mas pelo desejo de se comunicarem.

O trabalho, coordenado pelo professor Umberto Castiello, contou com a colaboração de cinco mães que esperavam gêmeos e com um equipamento de ultrassonografia 4D, utilizado para estudar a anatomia e o bem-estar do feto em seu desenvolvimento.

O acompanhamento das gestações durante dois exames realizados entre as 14ª e 18ª semana de gravidez proporcionou imagens que mostravam a inclinação dos gêmeos para se encontrar um com o outro e se tocar.

De acordo com os cientistas, que publicaram seu estudo na Public Library of Science One (PLoS ONE), as imagens  revelam que esses contatos entre os irmãos são cuidadosos e suaves e não os prejudica.

Enquanto no início da gestação eles se mantêm distantes e seus movimentos são suaves, impossibilitando-os de alcançar o outro, a partir da 11ª semana, o contato começa pelas cabeças e entre a cabeça de um e o braço do outro.

Mas o que mais chama a atenção nesse estudo é a conclusão à qual se chega: os seres humanos vivem “sua primeira relação social antes de nascer", diz o artigo, o que comprova a natureza social dos seres humanos e sua necessidade de manter contato com os demais.

Contato necessário

A natureza social do ser humano já é reconhecida pela psicologia, como destaca o professor Julian Lopez-Torrecilla Fernandez, do Departamento de Psicologia Evolutiva e da Educação da Universidade Autônoma de Madri. Segundo ele, a necessidade de inter-relação entre os seres humanos "não só é possível, mas necessária”.

“Necessitamos de contato com os demais para nosso desenvolvimento. Isto tem duas vertentes: a cognitiva (o desenvolvimento fisiológico do cérebro, das capacidades e aptidões) e a social (contato físico e emotivo). As duas se baseiam no contato com os outros", ressalta.

No estudo publicado na PLoS ONE, os cientistas identificaram três tipos de movimentos: os que terminam com os dedos de um na boca do outro; os que terminam com os dedos de um nos olhos do outro, e aqueles em que os fetos se movimentam em direção à parede uterina.

Nos dois primeiros, os gêmeos tocam o outro com o mesmo cuidado que têm quando eles mesmos se tocam em partes sensíveis como olhos e boca.

A partir da 18ª semana, a frequência dos contatos aumenta, e 30% de seu tempo é utilizado para tentar alcançar e acariciar o outro. "Não me parece que haja intencionalidade nos movimentos do feto. Pense que a cabeça é a maior parte de seu corpo: por isso, é natural que eles se toquem nos olhos, na boca ou nas orelhas ao se movimentarem", acredita Fernandez.

Sensação agradável

A sensação de acariciar é agradável até mesmo para o feto. "O sistema límbico, que se encarrega de nossas emoções, desenvolve-se por volta da 21ª semana. Se o feto que está desenvolvendo o tato sente uma sensação positiva, tenderá a repetir a ação que o levou a essa situação agradável", explica Fernandez.

No entanto, as carícias, que para os bebês são gestos naturais, entre os adultos têm diferentes interpretações. Enquanto em algumas sociedades elas são necessárias para as pessoas se relacionarem, em outras são um tabu.

"Em certas culturas, o contato físico não é bem-visto, enquanto em outras sim. É preciso pensar no hábito que nós temos de cumprimentar os outros beijando as bochechas e compará-lo, por exemplo, com a forma de cumprimento em países do norte da Europa ou nos Estados Unidos. No caso das crianças é diferente: parece que, quando se cumprimenta uma criança, é necessário tocar sua cabeça, beijá-la ou apertar as bochechas, sem pensarmos em como ela se sente. Em todo caso, as carícias se restringem ao âmbito privado", destaca.

Segundo os resultados do estudo, não só parece que o ser humano é por natureza sociável, mas também que tem uma tendência natural para a bondade.

Segundo Fernandez, "há diversos casos de pessoas que, após sofrer um trauma cerebral, revelaram seu lado mais violento. Se pensamos na plasticidade do cérebro, pode ser que uma pessoa, devido a uma série de fatos negativos que a rodeiem, tenha se tornado violenta”.

No entanto, segundo ele, não é o processo intelectual posterior da pessoa o que elimina os instintos naturais com os quais nascemos. "Pelo contrário, raciocinar controla os instintos”, ressalta.







 

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