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Terça-feira, 18 de dezembro de 2018

BOL Notícias

Jogo criado por ambientalistas difunde valores da Carta da Terra

MARCOS DÁVILA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Esqueça o que você aprendeu nas partidas de "War". Diferentemente do passatempo bélico da infância (lançado nos anos 1970), no Jogo da Carta da Terra a luta não é por territórios, mas pela preservação de ecossistemas e por um mundo mais justo.

Fábio Braga/Folhapress
Tabuleiro do Jogo da Carta da Terra, durante uma partida que ocorreu no parque Ibirapuera, SP
Tabuleiro do Jogo da Carta da Terra, durante uma partida que ocorreu no parque Ibirapuera, em São Paulo


Lançado pelo Instituto Harmonia na Terra, o jogo tem como base os princípios da Carta da Terra, que completou dez anos em 2010. Para quem não sabe, é uma declaração de princípios éticos para uma sociedade sustentável e pacífica, que teve sua semente plantada na Eco 92, no Rio, e chegou à versão final em 2000, em conferência na França.

"A Carta é bonita no papel, mas está longe da realidade", diz Guilherme Blauth, um dos fundadores do instituto e criador do jogo ao lado de Patricia Abuhab, Cláudio Casaccia e Gisela Sartori Franco.

Para aproximar as pessoas do conteúdo da Carta, o grupo desenvolveu por sete anos um jogo que pode ser usado dentro e fora das escolas e propõe reflexão e interação entre participantes.

No começo, alguns têm dificuldade de entender o lado cooperativo do jogo, diz a bióloga Patrícia Abuhab. Não há vencedores: ou todos ganham ou todos perdem, e regras podem ser recriadas.

A reportagem participou de uma partida na Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz, no parque Ibirapuera, São Paulo.

O tabuleiro forma o desenho de uma mandala com o globo ao centro. Nas extremidades há desenhos de oito ecossistemas do planeta, como desertos e oceanos. Ao redor do globo, há um caminho circular onde os jogadores podem andar lançando um dado de oito lados.

Fábio Braga/Folhapress
As cartas do jogo podem sugerir debates sobre a proteção dos ecossistemas
As cartas do jogo podem sugerir debates sobre formas de proteger os ecossistemas ou estimular ações


Não há peças, cada um escolhe um objeto representativo: pode ser um anel, uma pedra, uma concha. Também é preciso arrumar sementes que simbolizem a energia. Cada jogador tem um número preestabelecido de sementes e no tabuleiro há uma reserva coletiva. Se a energia individual ou comum acabar, todos perdem.

Um objetivo final deve ser alcançado dentro de um tempo combinado. Em determinado momento, todas as peças devem se encontrar e caminhar até a Terra. Antes, é preciso realizar uma tarefa comum, sorteada no começo.

A cada passo, uma carta é retirada. Elas podem sugerir debates ou estimular ações que extrapolam os limites do tabuleiro, como achar um objeto que possa ser doado ou plantar uma semente.

No fim há uma celebração em que o grupo tem que apresentar um princípio da Carta da Terra de forma artística: mímica, música, teatro, desenho etc. "O importante é a alegria ao jogar e a troca de saberes. Compartilhando experiências, aprendemos melhor", diz Blauth.

No nosso jogo surgiram assuntos diversos, como a expansão das unidades de preservação para os ambientes marítimos e a introdução da educação ambiental entre agentes de saúde.

Também inventamos regras novas, criando mecanismos de empréstimo de energia. Em uma das negociações, uma participante sugeriu fazer massagem em todos em troca de energia.
Estávamos a cinco minutos de terminar o jogo, então boicotei a ideia e sugeri uma solução mais pragmática: pegar emprestado umas doações de energia que tínhamos feito para alguns ecossistemas.

Vencemos o jogo e perdemos a massagem. Conflitos dessa natureza são alguns entre tantos desdobramentos do Jogo da Carta da Terra.

ONDE COMPRAR À venda no site do Instituto Harmonia na Terra, por R$ 100

Fábio Braga/Folhapress
Brinquedo trabalha princípios da Carta da Terra, que completou 10 anos em 2010
Brinquedo trabalha princípios da Carta da Terra, que completou 10 anos em 2010


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