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Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

BOL Notícias

Reputação é apenas um critério para determinar qualidade de ensino

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

Estar entre as 70 universidades com mais reputação no mundo não significa estar entre as 70 melhores instituições de ensino superior internacionais.

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A reputação é apenas um dos critérios utilizados pelo THE para compor a fórmula que analisa quais são as universidades do topo.

Na ponta do lápis, a reputação acadêmica vale 18% da nota total que cada universidade recebe na listagem geral e compõe a análise da "pesquisa acadêmica", ao lado de critérios como quantidade de artigos científicos publicados por professor.

A maior parte da nota de cada universidade no ranking geral do THE, que costuma ser divulgado em outubro de cada ano, vem de critérios como a quantidade de citações recebidas pelos artigos dos docentes -o que é chamado de indicador de "impacto da pesquisa".

Esse item vale 30% da nota recebida por cada universidade -quase o dobro da reputação acadêmica (18%).

Apesar de valer pouco na nota total, a reputação revela a imagem que a universidade tem em todo o mundo.

Em outras palavras: fica mais para o topo da lista as universidades que mais aparecem na mídia e que são mais procuradas pelos alunos internacionalmente.

Nesse quesito, a USP vai bem: a universidade está em 20º lugar na listagem de universidades com mais visibilidade na internet, divulgada em fevereiro pela Webmetrics, empresa que analisa o tráfego na rede.

A USP, na lista da Webmetrics, é a instituição brasileira mais bem colocada nesse ranking, que é liderado por instituições americanas.

Em primeiro lugar, está a Universidade de Harvard, seguida pelo MIT e pela Universidade de Stanford.

Para Elizabeth Balbachevsky, do NUPPs (Núcleo de Pesquisa em Política Pública) da USP, a boa reputação atrai ainda mais reputação, recursos e visibilidade.

A reputação acadêmica é medida pelo THE por meio de um questionário enviado por e-mail e para especialistas renomados. No último levantamento foram consultados 17.554 cientistas.

De acordo com Phil Baty, um dos editores do THE, participam da consulta os pesquisadores com mais artigos publicados pelas revistas científicas que estão na base "Web of Science", ou seja, aquelas que são bem consolidadas no mundo.

Ou seja: quanto mais cientistas brasileiros publicarem em revistas conceituadas, mais eles serão ouvidos pelo "THE" e em melhor posição estarão as universidades brasileiras.

Para o diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), Carlos Henrique de Brito Cruz, o survey do "THE" para medir a reputação das universidades está mais balanceado entre as regiões, o que melhora a posição das brasileiras.

"Além disso, as iniciativas de internacionalização de algumas universidades brasileiras estão começando a dar fruto. A USP já tem programas de pós-graduação em conjunto com boas universidades americanas", diz Cruz.

O THE decidiu fazer um ranking separado usando o critério "reputação" para que as listagens geral e por reputação possam ser comparáveis.

A organização já fazia subrankings separados por região (os cinco continentes) e por área do conhecimento (como engenharia, saúde, humanidades e outras quatro).

Outras listagens universitárias concorrentes ao THE, como o também britânico QS, que é dissidente do THE, inclui na avaliação de reputação a opinião dos empresários sobre cada universidade.

No QS, a reputação das instituições avaliadas por cientistas e por empresários vale 50% da nota recebida por cada instituição. A outra parte fica com critérios como quantidade de artigos publicados.

Por enquanto, o THE prefere ficar apenas com a opinião dos cientistas.

Editoria de Arte/Folhapress

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