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28/04/2008 - 10h22

Lygia Fagundes Telles aprova adaptação de "Ciranda de Pedra"

Na festa de lançamento da nova novela das seis da Globo, "Ciranda de Pedra", realizada na noite desse domingo (27), em São Paulo, a escritora paulistana Lygia Fagundes Telles, que fez 85 anos no último dia 19, era uma das mais festejadas.

Divulgação
Alcides Nogueira e Lygia Fagundes Telles, na festa de "Ciranda de Pedra"
Lygia Fagundes Telles posa ao lado de Alcides Nogueira na festa de "Ciranda de Pedra"


Na hora de apresentar o elenco, com nomes como Ana Paula Arósio e Marcelo Antony, a diretora de núcleo Denise Saraceni dedicou a noite à escritora. "Se não fosse por ela, não estaríamos aqui", falou. A trama estréia no dia 5 de maio.

Momentos antes, Telles conversou com a Folha Online e disse estar contente com mais uma adaptação televisiva para a obra "Ciranda de Pedra", publicada por ela em 1954.

Em 1981, o romance foi adaptado para a televisão pela primeira vez, por Teixeira Filho, também na Globo.

Agora, a mesma tarefa cabe ao novelista Alcides Nogueira. Sobre possíveis interferências no trabalho do autor, a escritora afirmou, em tom de brincadeira: "Eu não tenho nada com isso". Confira o bate-papo:

Folha Online- Como a senhora vê esta nova adaptação para seu livro 'Ciranda de Pedra'?

Lygia Fagundes Telles- É uma nova experiência. Acho muito bom ter uma nova visão sobre minha obra, um outro olhar. Quer que eu te conte como foi que o romance nasceu?

Folha Online- Quero.

Lygia Fagundes Telles- Eu ia andando por uma rua muito elegante daqui de São Paulo e vi uma casa sendo demolida. Eu me lembro que a casa tinha um jardim lindo e uma escada de mármore. A casa já estava sem a parede da frente, exposta. Fiquei muito comovida com aquela imagem e pensei comigo: aqui nesta casa gente amou, viveu, dançou e chorou. Aí, percebi uma fonte débil, com água ainda jorrando. Em volta dela, havia pequenos anões de jardim, que estavam de mãos dadas, em uma ciranda que fechava a fonte. Pensei em uma jovem querendo entrar nessa ciranda de pedra e não conseguindo. Foi assim que nasceu a Virgínia [personagem que, na nova novela, será vivida pela atriz Tammy di Calafiori].

Folha Online- Alguns escritores não gostam de ver adaptações de obras suas para o teatro ou a televisão. Como a senhora lida com isso?

Lygia Fagundes Telles- Eu vou assistir à novela todos os dias, mas quero deixar bem claro: sobre ela, fale com o Alcides, porque não tenho nada com isso (risos). Todas as experiências são válidas. Quando você escreve um romance, você está exposto. A vida é finita. O presente não existe, porque ele já passou. O futuro também não. O que existe é apenas a memória. E, em um país tão miserável como o nosso, onde a educação foi esquecida, a novela é uma forma de meu livro chegar às pessoas.

Folha Online- A senhora quis passar alguma mensagem quando escreveu o livro?

Lygia Fagundes Telles- A minha história é uma forma de acreditar no humano, que busca seu lugar ao sol. Olha, quando eu era estudante de direito no Largo de São Francisco, eu era uma mocinha iguais a essas que estão aí [aponta para as atrizes jovens que circulam na festa]. E eu sonhava no dia em que o Brasil tivesse mais creches e mais escolas e pensava que, no dia em que isso acontecesse, haveria menos hospitais e menos cadeia. Infelizmente, não adiantou, mas, cito Camões e digo: 'Estou em paz com minha guerra'.

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