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05/08/2009 - 13h29

Com artesanato e folclore, praça Kantuta se torna "Liberdade" dos bolivianos em SP

Márcio Padrão
Especial para o BOL

Márcio Padrão/BOL
Localizada no bairro do Pari, a feira boliviana traz comidas, artesanato e apresentações culturais do país
Localizada no bairro do Pari, a feira boliviana traz comidas, artesanato e apresentações culturais do país
 Imigrantes importam cultura boliviana
 Confira imagens da feira
 Veja vídeo da morenada
Localizada no bairro do Pari, no centro de São Paulo, a praça Kantuta nem mesmo tinha nome antes da chegada dos bolivianos ao local. A oficialização do nome do logradouro veio em 2004, inspirada por uma flor da Bolívia que tem as mesmas cores da bandeira do país: verde, amarelo e vermelho. Além da feira cultural, a praça recebe celebrações típicas como a festa pela independência da Bolívia. Oficialmente comemorada em 6 de agosto, a data foi antecipada no último domingo (2).

Semelhante ao que acontece com os japoneses no bairro da Liberdade, na praça é possível ter uma noção da riqueza da cultura boliviana. Todos os domingos, as barracas vendem comidas, roupas, objetos de decoração, discos e até cortam cabelo nos penteados mais adotados pelos nativos do país. Cerca de 300 pessoas trabalham ali, entre imigrantes, descendentes e brasileiros.

Em datas especiais, como a citada independência, o Carnaval e o dia das crianças, os bolivianos organizam missas e apresentações de dança popular que circundam a praça. Uma delas, a morenada, aconteceu no dia desta reportagem.

Durante a morenada, mulheres e homens se organizaram em alas. Elas, com roupas coloridas que lembram um pouco as baianas brasileiras; eles, com trajes sociais mais formais. Acompanhados de uma pequena orquestra de metais, eles interrompem a dança apenas para sacodir chocalhos em formato de objetos diversos, como ônibus e barris. As origens da dança remetem aos tempos da colonização da Bolívia e seriam uma crítica irônica ao sofrimento dos negros escravos do país. Um público de cerca de 300 pessoas prestigiou a apresentação na praça Kantuta.

O ambiente lúdico no bairro, entretanto, já teve seus revezes. Os bolivianos de São Paulo costumavam se reunir perto dali, na praça Padre Bento, como uma feira clandestina que prejudicava o trânsito e atraía jovens em busca de bebedeiras. Os moradores do Pari chegaram a organizar um abaixo-assinado para retirar os bolivianos do bairro.

Em 2000, a prefeitura procurou os imigrantes para que estes se organizassem e procurassem um novo ponto de encontro. Surgiu a Associação Gastronômica Cultural e Folclórica Boliviana Padre Bento, que desde 2003 dá continuidade à feira na outrora praça sem nome.


Serviço
Feira boliviana de São Paulo
Onde: Praça Kantuta (Rua Pedro Vicente, altura do número 625, Pari, São Paulo (SP)
Quando: todos os domingos, das 11h às 19h

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