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21/10/2009 - 15h07

Linguista pede implantação da nova ortografia em Portugal

Lisboa, 21 out (Lusa) - O linguista português João Malaca Casteleiro pediu ao Governo luso para implantar "o quanto antes" o acordo ortográfico, pois já existe um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, que será apresentado em Lisboa nesta quarta-feira.

"Com a saída deste vocabulário não há agora razões para que este acordo ortográfico não entre rapidamente em vigor no ensino, na comunicação social, e até no Diário da República (diário oficial luso), de modo a acompanharmos o esforço que o Brasil está a fazer no sentido de promoção da língua portuguesa não apenas no plano interno, mas também internacional", afirmou.

"É importante o nosso Governo conjugar esforços em prol do reforço da língua portuguesa no mundo", disse à Lusa Malaca Casteleiro, que coordena cientificamente a obra.

O novo livro, que inclui 180.000 vocábulos, "partiu da base de dados lexicais da Porto Editora" que o edita, e contém "mais de 5000 vocábulos próprios do português do Brasil, bem como africanismos e asiaticismos, mais de 800 palavras da norma galega do português, mais de 12.500 nomes próprios de pessoas portuguesas e lusófonas e cerca de 8500 topônimos, incluindo termos geográficos relevantes da história mundial".

"Um trabalho de anos" ressaltou o pesquisador, "mas que nesta sua fase final levou apenas alguns meses, por existirem já as bases lexicais da Porto Editora de todos os seus dicionários.

Malaca Casteleiro revelou ter aceitado o desafio "depois de ter sido dispensado pela Academia das Ciências", instituição a que dedicou "grande parte dos seus 25 anos de vida de pesquisa".

"Fiquei surpreendido, tinha projetos, dediquei grande parte do meu trabalho aos dicionários da Academia, ao acordo ortográfico, fiquei magoado com esse processo", ressaltou.

Trabalho

Malaca Casteleiro explicou que a obra anterior de referência era o "Vocabulário" de Rebelo Gonçalves, de 1966, "indispensável ainda hoje a todos os lexicógrafos e linguistas, já há muito esgotadíssimo e que nunca foi reimpresso. Mas este novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa vai muito mais além, é mais abrangente e inclui neologismos, as novas formas que surgiram, além de seguir as normas do acordo assinado em 1990".

O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa inclui um anexo com cerca de 2.000 palavras estrangeiras de uso corrente não adaptadas ao português, com indicação da língua de origem e "mais de 1.500 abreviaturas e símbolos usados na língua portuguesa e mais de 2.500 elementos de formação de palavras", acrescentou.

Este será o primeiro vocabulário português que pretende "satisfazer as necessidades de escrita dos lusófonos que têm seguido a norma gráfica portuguesa". "É a concretização de um dos primeiros instrumentos para a implementação do acordo ortográfico, é de consulta fácil para o cidadão comum".

"As palavras estão por ordem alfabética, indicadas a sete colunas, num volume fácil de manusear, pequeno, de 700 páginas", explicou.

O acadêmico ainda alertou para a necessidade de ser criado o Vocabulário Técnico-Científico da Língua Portuguesa, mas esta "é uma tarefa muito grande que não envolve só Portugal, mas todos os países com vista à unificação da terminologia técnica e científica do Português".

Em relação ao Vocabulário de Língua Portuguesa editado pela Academia Brasileira de Letras, Malaca Casteleiro afirmou que "há pequenas divergências", designadamente de ordem gráfica como a acentuação, "mas muito circunscritas".

O "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" será apresentado às 19h (18h em Brasília) no Padrão dos Descobrimentos.

João Malaca Casteleiro é professor catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa, membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1979, e foi presidente do respectivo Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa.

Conselheiro científico do Instituto Nacional de Investigação [pesquisa] Científica, Casteleiro exerce ainda as funções de diretor de investigação do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e professor convidado nas Universidades da Beira Interior e de Macau.

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