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07/12/2009 - 11h47

Paróquia no Glicério, em SP, "esconde" obra de Pennacchi

"Jesus nos chama. Vinde adoremos." Essa é uma das poucas inscrições em português espalhadas pelas paredes da igreja Nossa Senhora da Paz, encravada no Glicério, região central de São Paulo.

Frases em latim são a maioria nas superfícies de mármore. Sobrenomes de famílias italianas estão gravados em numerosas dedicatórias nas paredes da igreja, erigida a duras penas na década de 40 e que é um refúgio quase isolado na degradada paisagem do bairro, espremido entre a Liberdade, o Brás e o início da Radial Leste.

A origem italiana não é a único peculiaridade do templo. Figuras de santos e fiéis católicos de grandes dimensões, retratados em afrescos de cores opacas, impressionam o visitante.

Joel Silva/Folha Imagem
Funcionário da Igreja Nossa Senhora da Paz faz limpeza no altar onde tem afrescos do artista Fulvio Pennacchi, no Glicério
Funcionário faz limpeza no altar onde tem afrescos do artista Fulvio Pennacchi, no Glicério


As pinturas são de autoria de Fulvio Pennacchi (1905-1992), artista ítalo-brasileiro nascido na Toscana, ligado ao grupo Santa Helena --de nomes como Volpi, Rebolo e Graciano-- e que nos últimos anos passa por uma revisão de obra.

Um livro que acaba de ser lançado é mais um indicativo do interesse maior sobre o artista. Em 2006, retrospectiva na Pinacoteca do Estado, com curadoria de Tadeu Chiarelli, também jogou novas luzes sobre "o maior muralista do Brasil", como destacou Pietro Maria Bardi (1900-1999), decano do Masp, em texto de apresentação de mostra de 1973.

"Acho que essa redescoberta tem a ver com a obra variada de Pennacchi", avalia Valerio Antonio Pennacchi, autor de "Fulvio Pennacchi - Seu Tempo, Seu Percurso", volume de 264 páginas sobre o artista nascido na pequena Villa Collemandina, lugarejo com menos de 2.000 habitantes.

"Mas sempre houve interesse sobre sua trajetória. Nos anos 70, por exemplo, Bardi impressionou a todos com uma retrospectiva no Masp", conta ele, que diz ser "parente distante" do artista.

Refúgio

Os afrescos de Pennacchi, até hoje em bom estado de conservação, foram feitos em diversas etapas durante os anos 40. Estátuas de Galileo Emendabili (1898-1974), artista do Obelisco do Ibirapuera, de 1954, ornam o conjunto.

"As comunidades que frequentam o espaço ajudam a cuidar [das obras]", diz o padre Lirio Berwanger. "E aqui sempre houve uma vocação para acolher os imigrantes. A ordem dos missionários de São Carlos [responsável pela paróquia] foi criada para dar tal amparo."

Berwanger chama a atenção para o caráter "internacional" da igreja, que celebra missas em italiano, em português e em espanhol, cada uma dedicada a públicos cativos do espaço.

As missas em três línguas, segundo Berwanger, têm em média 350 fiéis a cada celebração.

Ao lado da igreja, funciona o Centro Pastoral do Migrante, que ajuda comunidades de diversos países; antes, eram da Europa; hoje, especialmente de sul-americanos.

Essa presença hispano-americana é evidente na igreja. Obras sacras de Pennacchi, imagens da Virgem de Copacabana, de Nossa Senhora de Guadalupe e da Virgem de Luján, entre outras, são exibidas junto das respectivas bandeiras dos países onde são padroeiras -Bolívia, México e Argentina, respectivamente.

No mural de avisos, um pôster anuncia a Marcha dos Imigrantes, que acontecerá no dia 13 de dezembro na região da Sé.

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