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Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

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Monstro da Boca do Lixo chega às telas

IVAN FINOTTI
DE SÃO PAULO

Nos anos 1950 e 1960, um homem franzino e de óculos, aparência de professor universitário, apavorou o centro de São Paulo. Tornou-se o mais bem sucedido traficante e cafetão da época, e vinha de uma família de classe média, de ascendência grega.

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Seu nome era Hiroito de Moraes Joanides (1936-1992), mas nada tinha de oriental. Foi batizado assim em homenagem ao imperador japonês.

Embalado pelo uso de cocaína, maconha e anfetaminas, matou inimigos a bala, espancou prostitutas, vendeu proteção e também foi acusado de parricídio, o único desses crimes que negou, em sua autobiografia "Boca do Lixo" (última edição pela Labortexto em 2003, hoje esgotada).

Uma "calúnia infamante", essa de ter matado o pai, escreveu no livro. As outras acusações, no entanto, foram suficientes para que sua "capivara" (apelido policialesco para a ficha criminal) se estendesse por literais 20 metros de comprimento.

O finado jornal "Notícias Populares" (1963-2001), o qual você espremia e saía sangue, contabilizou 172 passagens por delegacias da capital e o apelidou festivamente de "O Rei da Boca".

"Fomos os chamados reis do submundo, os ídolos caseiros e rasteiros da população constituída pelos desajustados sociais", conta Hiroito, com sua escrita pra lá de elegante.

É essa história perdida que o diretor Flavio Frederico quis contra para as novas gerações.

Divulgação
Daniel de Oliveira como Hiroito de Moraes Joanides em cena do filme "Boca"
Daniel de Oliveira como Hiroito de Moraes Joanides em cena do filme "Boca"


ORELHA DE ABANO

Apesar de carioca, Frederico, 43, tem filmado histórias basicamente paulistanas, como "Urbania" (2001), no qual dois atores passeiam de conversível pelo centro da cidade, interagindo com a população. Interessou-se pelo projeto "Boca" em 2005. "Mas só conseguimos filmar em 2009", conta.

O longa estreou no Festival do Rio 2010, e ganhou prêmios em festivais de Pernbambuco, Canadá e Miami. Só agora chega às telas comerciais, primeiro em SP e depois no resto do Brasil.

Foram quatro semanas e meia de filmagem, com locações nos bairros de Campos Elíseos, Pari, Brás e Mooca. O mais difícil, para reproduzir a São Paulo dos anos 50 e 60, foi encontrar ruas ainda de paralelepípedos. "Fomos a Santos para isso, na região das docas", conta Frederico.

Daniel de Oliveira encarna o personagem com uma notável mudança de visual. Usou uma prótese para portar orelhas de abano, um óculos fundo de garrafa e manteve o queixo bem para a frente, o que auxiliou também a mudar sua voz.

Hermila Guedes e Milhem Cortaz fazem seus companheiros: ela, de cama; ele, de golpes. E há a participação preciosa de outro rei da Boca (essa, a cinematográfica): Paulo César Pereio, no papel de um delegado corrupto.

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