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Terça-feira, 17 de setembro de 2019

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A longevidade de Niemeyer e dona Canô

O país perdeu neste mês seus centenários mais famosos: o arquiteto Oscar Niemeyer, no dia 5, e ontem, dia 25, dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Ele se foi aos 104 anos e ela, aos 105.

Ainda que na história contemporânea haja casos mais extremos de longevidade, como o da francesa Jeanne Calment (1875-1997), que andou de bicicleta até os cem anos, caminhou sozinha até os 115 e bebeu um copo de vinho até a véspera de morrer, aos 122 anos, o fato de Niemeyer e dona Canô terem ultrapassado a barreira dos cem anos lúcidos e ativos sempre provocou fascinação em nós, brasileiros.

E a pergunta que fazemos constantemente é: como chegar bem aos cem ou mais? A ciência já sabe que a genética responde só por 30% da longevidade. O resto depende de nós. Entram no pacote itens como dieta, exercícios, atitudes positivas e vida social.

Na verdade, existem hoje vários grupos internacionais estudando comunidades de longevos extremos para tentar entender fatores que poderiam contribuir, em conjunto ou isoladamente, para uma vida mais longa e saudável.

O que eles já sabem é que a longevidade extrema, acima de 110 anos, continuará sendo uma condição para bem poucos. No último levantamento, do ano passado, haviam apenas 70 supercentenários no mundo (65 mulheres e cinco homens). Outros 400 alegavam essa idade, mas não tinham documentos que a comprovassem.

Já a população de centenários é muito maior e cada vez mais crescente. Só no Brasil, são quase 24 mil, segundo o IBGE. Bahia (3.525), São Paulo (3.146) e Minas Gerais (2.597) são os Estados com a maior concentração.

Várias instituições, como a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e a USP, acompanham grupos de idosos para avaliar o quanto é possível manter a sobrevida sem incapacidade física, mental, emocional e social.

O que já se sabe é que, sim, é possível viver muito e chegar ao fim com um certo grau de independência, como tinham Niemeyer e dona Canô até bem pouco tempo antes de morrer. As propostas apontam para a necessidade de se manter uma boa dieta, uma atividade física permanente e prolongada e um estímulo cognitivo.

Para a psicóloga alemã Dagmara Wosniak, que estuda populações de centenários de Heidelberg, a extroversão, a cognição e uma rede social preservada (família e/ou amigos) são os fatores mais associados à felicidade nessa fase da vida.

Contudo, resultados preliminares do estudo Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), desenvolvido pela USP, acenderam uma luz vermelha para o país.

O trabalho, que monitora como os paulistas estão envelhecendo, apontou que a nova geração de idosos, que estão hoje na faixa dos 60 anos, parece estar mais doente e como menos mobilidade do que os idosos "mais velhos" quando tinham a mesma idade.

É uma pena que dados como esses ainda fiquem circunscritos à academia. Deveriam fazer parte de uma política séria de governo, que estivesse focada em preparar o país para a incrível virada na pirâmide da idade populacional. Em 20 anos, a nossa população de idosos irá dobrar. Nossos dias de país jovem estão contados. Mas parece que pouca gente está prestando atenção nisso...

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