Valeu a pena esperar

Em estreia tardia em Olimpíadas, Ágatha e Bárbara derrubaram lenda, mas viram ouro escapar na final

Gustavo Franceschini e Roberto Oliveira Do UOL, no Rio de Janeiro
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Apenas um passo de chegar ao topo

É duro passar tão perto do topo e não tocá-lo. Mas se o Olimpo só tem lugar para um, a prata não é de todo mal. Ágatha e Bárbara chegaram ao Rio de Janeiro como forças secundárias e abriram seu caminho até a final. Venceram a semifinal contra ninguém menos que Kerri Walsh, tricampeã olimpica que nunca havia perdido uma partida sequer nos Jogos.

É um conquista histórica por si só, que fica ainda maior quando se leva em consideração que a Rio-2016 é a estreia das duas em Jogos. Ágatha tem 33, Bárbara tem 29. Com outras duplas ou atuando juntas (em 2011), as duas fizeram papel de coadjuvantes nos ciclos olímpicos de Pequim e Londres. O momento de despontar aconteceu em 2013, quando resolveram se juntar pela segunda vez e fincaram seus nomes no cenário mundial do vôlei de praia.

O sonho olímpico demorou para acabar. A decepção veio só na final, contra as alemãs Ludwig e Walkenhorst e um vento incessante que teimou em atrapalhar as brasileiras. A grande atuação das rivais, somadas ao clima, fizeram Ágatha e Bárbara terminarem sua participação no Rio de Janeiro aos prantos. Com o tempo, a dor da derrota passa. Nada que uma prata não cure.

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O caminho da prata

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Sem grandes sustos

Ágatha e Bárbara chegaram à disputa de medalha na Rio-2016 sem grandes sustos. Venceram as duas primeiras partidas da fase de grupos, perdendo apenas a última, quando já estavam classificadas. Depois, no mata-mata, passaram com certa facilidade pelas duplas chinesa e russa, ambas partidas por 2 sets a 0, chegando à semifinal contra as favoritas americanas Walsh e Ross. O duelo ficaria marcado como o grande momento das brasileiras no Rio.

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Vitória histórica

Agatha e Bárbara foram as únicas jogadoras de vôlei de praia a bater numa Olimpíada a tricampeã Kerry Walsh-Jennings, que levou o ouro em Atenas-2004, Pequim-2008 e Londres-2012. Foi a primeira derrota dela em 27 partidas - até então, a americana havia perdido apenas dois sets em 26 jogos. Após o fim do jogo, quem passava por Copabacana pôde ver Walsh chorando abraçada ao marido Casey Jennings, decepcionada por não conseguir o tetra olímpico.

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Parede alemã

A dupla brasileira não conseguiu repetir na decisão o mesmo desempenho da histórica semifinal. Caíram por 2 sets a 0, parciais de 21/18 e 21/14, contra Ludwig e Walkenhorst, que tiveram noite inspirada. As brasileiras erraram demais e não estiveram em nenhum momento próximas do ouro. As alemãs se transformaram nas grandes algozes do Brasil na competição, já que na semifinal tinham vencido a outra dupla nacional: Larissa e Talita.

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No esporte mais brasileiro da Rio-2016, alemãs tomam conta de Copacabana

Se tem um esporte da Olimpíada que o Brasil pode chamar de seu é o vôlei de praia. O país é, junto com os EUA, o criador da modalidade que virou olímpica. A paternidade, no entanto, não se converteu em medalhas na Rio-2016. Em um templo do esporte, com o apoio da torcida e com duplas bem cotadas, o Brasil viu duas alemãs dominarem o torneio feminino, encerrado na noite da última quarta.

Laura Ludwig e Kira Walkenhorst foram campeãs derrotando as duas duplas verde-amarelas que estavam na disputa. Na semifinal, elas fizeram 2 a 0 contra Larissa e Talita, campeãs do circuito mundial em 2015 e favoritas ao ouro olímpico. Na decisão, atropelaram Ágatha e Bárbara, que haviam levado a última Copa do Mundo e também eram candidatas ao título.

“Foi duro, definitivamente. Nós sabíamos que estaria bem barulhento, como já tinha sido na semifinal, mas conseguimos focar no nosso jogo”, disse Laura Ludwig após o ouro.

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#PintouMedalha: Ágatha e Bárbara ficam com a prata no vôlei de praia

Ágatha e Bárbara vivem em uma grande família do vôlei de praia

  • Ágatha tem o vôlei no DNA

    A tia de Ágatha, Giselle, foi atleta profissional de vôlei, enquanto o pai jogava no time da Polícia Militar. A influência fez ela começar aos nove anos e chegar às categorias de base do Paulistano e Londrina. Aos 19, trocou a quadra pela praia. "O vôlei estava no DNA", diz a mãe, Maria Bednarczuk. Ela conta que Ágatha falou pela primeira vez em ser jogadora profissional de vôlei aos três anos - e nunca desistiu do sonho de criança.

  • Bárbara é casada com o técnico

    Bárbara é casada com o técnico da dupla, Rico de Freitas, que é filho de Bebeto de Freitas, ex-jogador e um dos maiores treinadores da história do vôlei mundial. Além da trajetória na praia, Rico já foi técnico do vôlei de quadra do Botafogo - seu clube de coração que inclusive já foi presidido pelo pai. Ou seja, ele e Bárbara são mais um casal do vôlei brasileiro. Já Ágatha é noiva do preparador físico da dupla, Renan Rippel.

  • Psicóloga indicada por Seedorf

    Ágatha e Bárbara têm acompanhamento psicológico desde 2013, quando receberam indicação do holandês Seedorf, à época jogador do Botafogo. Trata-se de Maíra Ruas, que trabalha com psicologia profissional e esportiva. Ela dá consultoria para diversos clubes brasileiros, entre os quais Vasco, Grêmio e Vitória, e é tida pela dupla como fundamental no trabalho de força mental.

  • Voz e violão

    Uma das grandes paixões de Ágatha é a música. Quando mais nova, ela chegou a fazer aula de violão e adorava passar as horas vagas tocando. A medalhista olímpica também gosta de cantar, embora nunca tenho tido aulas de canto. Mas ela diz que uma de suas vontades pessoais após o fim da carreira é justamente melhorar a voz e desbravar o universo musical. "Amo um microfone."

A gente jogou um pouco aquém do que poderia hoje. Achei que elas mereceram essa vitória. Mas por outro lado estou muito feliz, orgulhosa da nossa trajetória, de tudo que a gente fez. A minha sensação é de dever cumprido. Estou muito agradecida por tudo que a gente viveu e construiu. Quero agradecer à nossa equipe e à nossa torcida maravilhosa

Bárbara

Bárbara, sobre a medalha de prata

A gente foi para a quadra de aquecimento e não tinha vento nenhum. Quando fomos para a central, apareceu esse vento muito, muito forte. Isso fez com que a gente tivesse de mudar nossa estratégia, porque não conseguíamos fazer o nosso plano de jogo

Ágatha

Ágatha, em relação ao jogo

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