Força materna

Como elas usaram experiências pessoais para lutar por uma causa

Bárbara Forte Do BOL, em São Paulo
Evelson de Freitas/Clara Corrêa/Amanda Perobelli//BOL

BOL realizou, ao longo de 2018, uma série de reportagens especiais que ressaltam o trabalho de mulheres que usaram suas experiências para lutar por uma causa. 

Ao todo, seis matérias contam as histórias de mulheres que encontraram em dramas pessoais um motivo para ir além da superação, promovendo ações com impacto na coletividade.

Em comum, todas têm o fato de serem mães e de provocarem transformações na sociedade a partir de experiências vividas com os filhos, seja pela dor da perda de um bebê, pela alegria de ver o filho sobreviver a uma tragédia ou pelos desafios que determinadas condições trazem para a vida das famílias.

Saiba a seguir como essas mulheres ajudaram outras mães a lidar com a dor, os preconceitos e lutar por seus direitos.

Conheça as histórias destas mulheres que inspiram

  • Mães pela Diversidade

    Maria Júlia Giorgi foi surpreendida pelo filho ensanguentado, todo roxo e cortado. Era fevereiro de 2018. O fotógrafo André Giorgi saía de um baile de Carnaval em São Paulo quando pegou o telefone para chamar um táxi e, sem mais nem menos, foi atingido por chutes, socos e muita brutalidade. A falta de segurança foi um dos fatores que fizeram com que ela, junto a outras mães, criasse o grupo Mães pela Diversidade, uma ONG (Organização Não Governamental) que defende há dez anos os direitos das pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais ou Transgêneros), além de acolher e informar mães e filhos em 24 estados do Brasil.

    Imagem: Evelson de Freitas/BOL
  • Abraço compartilhado

    Em 1985, o casal Maria Ângela e Roberto Marini recebeu uma notícia que nenhuma família, nem nos piores pesadelos, espera ter: a filha do meio, Joanna, de apenas cinco anos, estava com leucemia - doença na época pouco divulgada. O diagnóstico veio com uma dura realidade: o tratamento tinha apenas 50% de chance de funcionar. A dor inicial fez com que Maria, juntamente com outras mães e pais que acompanharam a mesma angústia, se ajudassem, criassem ações para apoiar uns aos outros, além de tornarem a rotina de tratamento o menos traumatizante possível para seus filhos. A iniciativa, mais tarde, culminou com a criação da Abrace, uma instituição que oferece assistência social para crianças e adolescentes com câncer ou problemas hematológicos. Localizada em Brasília, a Abrace acolhe famílias com dificuldades socioeconômicas e, em seus 32 anos de existência, ajudou a aumentar de 50% para 70% o índice de cura dessas doenças no Distrito Federal.

    Imagem: Sérgio Dutti/BOL
  • Um colo vazio

    Flávia Cunha perdeu a filha Marcela após 24 horas do nascimento da bebê, em 2014. A professora sentiu-se, naquele instante, como se tivesse sido enterrada com a filha. O luto, contudo, a fez perceber ao longo dos dias, meses e anos que poderia voltar a viver - mas de uma forma distinta. Para ela, ser mãe ganhou um novo sentido; de colo vazio, Flávia tinha a chance de exercer sua maternidade preservando a memória de Marcela e acolhendo outras mulheres para que elas não passassem pela solidão de perder um filho, com o Grupo de Apoio SobreViver.

    Imagem: Amanda Perobelli/BOL
  • A matriarca da Apae-SP

    Noventa anos de uma trajetória marcada por lutas sociais e maternas intensas: Jolinda Garcia dos Santos Clemente, a dona Jô Clemente, conhecida como uma das principais vozes na defesa dos direitos das pessoas com deficiência intelectual em todo o Brasil, não imaginava, ao sair ainda criança de Goiás para o Rio de Janeiro, e depois para São Paulo, que sua vida faria tanto sentido para a sociedade brasileira. Ao lado do marido, Antonio Clemente Filho, ela enfrentou o primeiro desafio logo na gestação, quando perdeu um bebê antes de seu nascimento. O casal, unido, teve outros quatro filhos, entre eles José Fábio Clemente, o Zequinha, que tinha Síndrome de Down e motivou dona Jô a criar a Apae-SP. Hoje ela é presidente de honra e conselheira vitalícia da entidade e não concede mais entrevistas, porém acompanha o que acontece na organização que ajudou a fundar por meio dos olhos do neto mais velho, Felipe Clemente dos Santos, atual diretor-presidente voluntário.

    Imagem: Evelson de Freitas/BOL
  • Superando a tragédia

    Apenas sete meses separam o incêndio que matou 242 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, do início da psicóloga Jocelene Zatt, mãe de um dos sobreviventes, como voluntária da Cruz Vermelha. A tragédia, que completou cinco anos em 2018, não apenas marcou a mãe de Fabiano Zatt como também transformou sua vida. Para Jocelene, a Cruz Vermelha era o local ideal para começar a ajudar: "Eles têm grupos muito grandes de ajuda, atuam em casos de urgência, em desastres. Esse trabalho me fascina".

    Imagem: Arquivo Pessoal
  • Como uma leoa

    Germana Soares, de 27 anos, sempre quis ser mãe. Quando começou a tentar engravidar, porém, ela percebeu que havia algo errado e buscou ajuda médica. Ouviu do especialista que seu sonho nunca se concretizaria, até que, seis anos depois, ela recebeu um presente: Guilherme. O menino, que nasceu com microcefalia após a mãe ter contraído o zika vírus na gestação, deu forças para que Germana lutasse pelos direitos e pela qualidade de vida não apenas do filho, mas de mais de 400 famílias em Pernambuco por meio da UMA (União de Mães de Anjos).

    Imagem: Clara Gouvêa/BOL

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