Seja fazendo um curso livre, uma graduação ou uma pós na área, quem quiser se aventurar no mercado de jogos deve ter em mente que pode seguir diversos caminhos. "É uma área multidisciplinar, há profissionais de exatas, como engenheiros de software e programadores, de humanas, artes e comunicação, como roteiristas, ilustradores, modeladores e animadores, e até pessoas de ramos como administração, imprescindíveis para as empresas da área", explica Lucas Ribeiro, que ensina Game Arts na escola RedZero, que conta com unidades no Rio e em São Paulo.
Entretanto, o mais usual é que o profissional atue como designer ou programador. Ou seja, trabalhe na parte criativa e visual, tudo aquilo que o usuário consegue ver ao jogar - ou na parte de programação, que torna possíveis os comandos dos jogos.
Com exceção da pós-graduação, que exige uma formação anterior em qualquer área, o interessado tanto em cursos livres quanto em cursos de longa duração não precisa de conhecimento específico para ingressar nos estudos, embora seja desejável.
Os interessados também devem estar preparados para estudar de um a dois anos e desembolsar de R$ 350 a R$ 1.500 por mês, valor que varia muito dependendo do tipo de curso e de sua duração. As graduações (jogos digitais, game designer) costumam ser mais caras. "Na universidade os alunos acabam vendo de tudo um pouco, da programação à arte. Já em cursos livres há focos mais específicos, desenvolvimento de jogos, programação, arte, etc. O ideal é procurar um curso que conversa direto com o seu interesse, sem se preocupar se é uma graduação ou não, já que na área isso não é tão relevante", afirma Lucas Ribeiro.
Outro fator determinante é sempre estar por dentro das novidades da área. Por se tratar de um mercado tecnológico, as mudanças acontecem rapidamente, segundo Reinaldo Ramos, coordenador do curso de jogos digitais da escola Melies, de São Paulo. Ele também reforça que, além do estudo, é necessário buscar rapidamente um emprego na área para adquirir ainda mais base sólida. "O aluno ou profissional deve tentar entrar em um estúdio ou criar uma empresa de jogos por conta própria. Mesmo com a crise, é uma das poucas indústrias que não caiu. O crescimento dela não é exponencial como em outros países, mas é contínuo", relata.
Além de ser uma área em expansão, o mercado de jogos abrange diversas regiões do país. Em Recife (PE), por exemplo, Raul Sales, 39, diretor acadêmico da escola Saga, conta que a instituição abriu uma filial local por conta da força do Estado no segmento. "Houve um fomento do governo na região que permitiu um crescimento na área tecnológica, de jogos inclusive. Em 2014, foi feita uma pesquisa solicitada pelo Porto Digital (polo tecnológico da região Nordeste), e o número de empresas do setor registradas em Recife chegou a 1.250, um número bastante elevado. Em geral, os alunos conseguem encontrar empregos na região metropolitana daqui sem a necessidade de se deslocar para o eixo Rio-SP", explica.
O Sul do Brasil é outra região que possui força no mercado nacional. Segundo a última pesquisa do BNDES, a região fica atrás apenas de São Paulo em número de desenvolvedores de jogos. Entre eles, há o Aquiris, maior estúdio independente de games do país, e o Rockhead Games, ambos premiados no último festival BIG de jogos independentes. Fernando Peña D'Andrea, que trabalha na Rockhead e é professor do curso de pós-graduação em jogos digitais da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), conta um pouco do que os estudantes aprendem por lá: "São vários tópicos que passam por design de game, programação, animação, narrativa etc. E, após a formatura, é bem legal reencontrar alguns alunos em eventos do ramo em todo o país com suas próprias empresas".
Em relação ao retorno financeiro, o valor pode variar muito, mas uma coisa é certa: não adianta esperar um emprego formal. O artista digital Marcel Nilo conta que, mesmo para veteranos, não existe uma média salarial, e a quantia a ser paga por trabalho está ligado à qualidade artística do profissional, podendo variar de R$ 500,00 a R$ 10.000,00. "O mais comum é que os profissionais trabalhem como PJ (Pessoa Jurídica) e freelancers, e não como CLT (com carteira assinada), embora existam algumas exceções. No mundo inteiro é uma área escassa de bons profissionais", afirma.