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Segunda-feira, 10 de agosto de 2020

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"Zagallinho" recusa apelido e ajuda do pai e diz que manda currículo para ter chance como técnico

Bruno Freitas/UOL

Paulo Zagallo participa do Footecon, congresso sobre futebol no Rio de Janeiro

José Ricardo Leite
Do UOL, em São Paulo

“Quando me chamam de Zagallinho, eu corto. Meu nome é Paulo Zagallo.” É assim, em busca de um caminho por seus próprios méritos e sem associação com o pai, que Paulo Jorge Zagallo, 55 anos, quer voltar ao mercado de treinadores de futebol e expor o seu conhecimento.

O filho do tetracampeão mundial (duas vezes como jogador, uma como técnico e outra como coordenador) Mario Jorge Lobo Zagallo, 81, está atualmente desempregado e à procura de time. Diz acompanhar futebol diariamente e procura fazer seu networking para uma nova chance.

Vai a congressos de técnicos e dirigentes, a estádios para acompanhar jogos e até afirma enviar seu currículo por e-mail para possíveis interessados. É assim que Paulo Jorge quer fazer por merecer uma oportunidade.

“Estou aguardando. Não tenho empresário direto que tome conta da minha carreira, se algum deles me ajudar a abrir portas, tudo bem, mas nada de ter um empresário pra isso. Todo ano vou ao Footecon [congresso de técnicos ocorrido no Rio de Janeiro]. O pessoal me liga, pede para passar e-mail enviando o currículo, e eu mando. Mando currículo para esses que me solicitam. Vou assistir a jogos e encontrar pessoas em eventos que tiverem gente ligada ao futebol. Quem não é visto não é lembrado”, falou Paulo Jorge ao UOL Esporte.

Vale tudo para conseguir “na raça” um trabalho. Menos usar da influência do pai no meio do futebol e contar com algum tipo de pedido, colaboração ou amizade. Paulo não quer nem ser conhecido no meio como Zagalinho. Entende a história sobrenome no esporte, mas não quer fazer dela sua bandeira para obter êxito na profissão.

“Nunca [usei a influência de Zagallo]. Meu pai nunca foi de ligar pra ninguém de clube pra me pedir emprego. Comecei nos juniores do Madureira, em 98, por uma ligação deles pra mim”, lembrou, ao comentar seu primeiro emprego.

“Quando alguém me chama de Zagalinho, eu corto. Meu nome é Paulo Zagallo. Tenho orgulho, claro, e sei da importância do meu pai e do sobrenome para o futebol. Mas sou Paulo Zagallo, filho dele. Não quero ser conhecido como Zagallinho, mas sim por Paulo. Aprendi muita coisa com ele, claro, mas nunca pedi nada”, ressaltou.

O filho de Zagallo tem passagens por Aquidauanense-MS, Brusque-SC, Guarany de Sobral-CE, Madureira e Duque de Caxias. Além disso, fez estágios de trabalhos com outros nomes famosos do meio, como Carlos Alberto Parreira e Paulo Autuori. Esteve parado em 2012 para acompanhar a mãe, falecida em novembro passado por causa de problemas de saúde.

Zagallinho começou tarde no futebol, com 40 anos, depois de experiências como comerciante, dono de um estacionamento multimarcas e até gerente de banco. Enquanto aguarda uma chance para voltar ao futebol, vive da renda do aluguel de imóveis.

“Meu negócio é o futebol mesmo. Tenho algumas coisas, fui comerciante, bancário, tenho imóvel, coisas alugadas que dão uma renda. Mas o que eu gosto é futebol. Quando era agente de carros, queria o futebol, pois estava no meu sangue. Sentia que aquilo não era o que eu queria, não estava satisfeito, alegre. Desde os dez anos eu acompanhava futebol e queria aquilo”, lembra.

Paulo Jorge fala ainda sobre seu estilo. Gosta de times com a posse de bola e que não rifem as jogadas.  Promete que seu time terá troca de passes e paciência. “Não gosto de fazer coletivo. Gosto de trabalhar  a parte tática. Fiquei 15 dias na Europa acompanhando treinamentos. Quase não se faz coletivo lá, é trabalho em campo reduzido, toque rápido, movimentação e deslocamento”, falou.

“É o que vemos no Barcelona, que quer a posse de bola. Não rifam a bola. Recomeçam lá atrás. No Brasil já é mais complicado até criar o espaço, a torcida reclama que está recuando e voltando o jogo. O time do Barcelona faz isso e não rifa a bola. Futebol é ter a posse da bola. Não pode ficar com a bola sem objetivo’, finalizou.

A carreira de Zagallo
A carreira de Zagallo
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