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Sexta-feira, 19 de julho de 2019

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Mieke de Jong, que escreveu o filme "Iep!", conversa sobre infância e cinema

GABRIELLA MANCINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Divulgação
Cena do filme "Iep!"
Cena do filme "Iep!"


Ter uma amiga que pode voar é complicado: se por um lado você acharia isso muito legal, por outro teria medo de que um dia, sem avisar, ela voasse para longe e nunca mais voltasse.

É assim que se sente o casal Tine e Warre no filme "Iep!" (direção de Ellen Smit), em cartaz no FICI - 8º Festival Internacional de Teatro Infantil, que acontece até o próximo domingo.

Quando encontram Dorinha, uma menina que tem asas no lugar de braços, não sabem se ela é uma ave ou um ser humano. Mas não importa: a adotam como filha. Só precisam aprender a lidar com o medo de perdê-la.

A Folhinha conversou com a roteirista [pessoa que escreve os filmes] de Iep!, a holandesa Mieke de Jong.

Confira a entrevista:

O que uma história deve ter para que sinta vontade de contá-la?
Quero contar histórias que realmente importem, sobre temas com os quais o público possa se identificar. Quando escrevo para crianças, busco algo que as emocione. A maioria dos meus filmes são divertidos, mas tratam de um tema muito sério. Em "Iep!", a questão central é a perda de alguém que você ama. Um tema muito sério, claro, mas então escolho contar essa história com bastante humor e transformá-la em um filme que, às vezes, te fará rir. Não é assim a vida? Chorar e sorrir estão muito próximos.
Amo histórias cheias de fantasia, mas a fantasia não pode ser uma fuga. Você tem que sentir que debaixo dela há um tema ou um sentimento realmente relevante. Se é esse o caso, estou dentro!

O que é importante ter em mente ao contar histórias para crianças?
Claro que as coisas mudaram desde que eu fui criança, mas acho que, por dentro, as crianças não mudaram tanto. Elas ainda exploram o mundo em que vivem, tentam encontrar seu lugar ao sol, fazem amizades, tornam-se ciumentas ou solitárias, se apaixonam, brigam com seus irmãos, querem que seus pais as amem etc. Essas coisas nunca mudam. Contar histórias para crianças, para mim, é falar sobre esses sentimentos tão importantes e básicos.

"Iep!" é um filme baseado em um livro. Por que decidiu adaptá-lo para o cinema? O que viu nele de cinematográfico?
"Iep!" é um livro infantil bem popular na Holanda. É uma obra muito bonita, poética, cheia de humor e fantasia. A principal razão para querer adaptá-lo é que essa história realmente me comove. Quem não quer ter uma amiga como Dorinha? Ela pode voar e ser independente. E realmente faz o que quer!

Outro motivo é que a história dos pais de Dorinha também me toca. Tine quer ser sua mãe, mas ela é um tanto reservada, e não muito calorosa. Tine terá que aprender que não pode possuir alguém e terá que libertar Dorinha. Essa linha da história é bacana para as crianças, porque elas poderão rir de uma mãe 'não-ideal'. Acho que o mundo está cheio de mães 'não-ideais'. E, para os pais, também será bom assistir ao filme porque poderão se reconhecer nos personagens e rir de si mesmos.

Mas há ainda outra razão. O livro tem belas ilustrações feitas pelo autor. Quando você vê Dorinha no livro, realmente se apaixona por ela. A pequena casa dos pais, no filme, é bem parecida ao desenho no livro. Ele mostra a simplicidade e ingenuidade do mundo do casal. E é um mundo muito bonito. Talvez como desenhos de crianças.

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O casal Tine e Warre com Dorinha no colo
O casal Tine e Warre com Dorinha no colo


Quando você era criança, também teve amigos especiais, como no filme?
Adoraria ter tido uma garota-pássaro, mas ela nunca apareceu na minha janela... Meu amigo especial era uma gata chamado Spooky. Ela veio morar com minha família quando eu era muito nova. Eu e meus irmãos disputávamos o amor da gatinha. Especialmente à noite, quando tentávamos levá-la para a cama. Foi quando minha mãe disse que a gata deveria escolher com quem queria dormir. E, na maioria das vezes, ela me escolhia. Isso me deixava muito feliz porque Spooky era uma grande amiga!

Uma noite, ela não voltou para casa e me preocupei muito, não consegui dormir. Nós a encontramos na manhã seguinte, com a perna muito ferida. Minha mãe disse que era o fim da Spooky e que tínhamos que nos despedir. E a levou ao veterinário. Esse dia foi terrível, fui para a escola muito triste. Quando voltei para casa, ouvi um pequeno miado: Spooky estava de volta! O veterinário não a deixou morrer, mas ela perdeu uma pata. Essa gata viveu vinte anos com apenas três patas. Isso fez minha pequena amiga ainda mais especial.

Quando você resolveu que iria escrever filmes para crianças?
Quando meus filhos eram pequenos e íamos ao cinema, percebi de repente que faltavam filmes para eles. Filmes que fossem engraçados e sérios ao mesmo tempo. Então decidi escrever uma história para cinema que meus filhos adorassem. Eles gostaram, e mais crianças também. Este foi o começo da minha carreira como roteirista Pela primeira vez na minha vida, eu realmente sabia o que eu queria fazer: escrever para o cinema! E nunca mais parei.

"Iep!" está em cartaz no FICI. Confira a programação completa em http://www.fici.com.br

Divulgação
A roteirista Mieke de Jong
A roteirista Mieke de Jong


"Dorinha é mais pessoa do que pássaro. Ela tem boca para mastigar, os pássaros não. Ela queria ser livre para voar, não queria ficar presa na casa com os pais. Gostei do filme. Ele mostra que é importante aceitar as diferenças."
VERÔNICA BIRENBAUM, 9

"É bem engraçado o filme. A mãe fica o tempo todo querendo que Dorinha seja uma menina normal, mas depois percebe que não dá. E todos aprendem alguma coisa com Dorinha."
DIEGO BIRENBAUM, 12

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