20 anos sem Mussum: As melhores histórias do Trapalhão

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Sambista malandro de uma rígída formação militar, Mussum era duas pessoas em uma só, segundo o biógrafo Juliano Barreto, autor do recém-lançado "Mussum Forévis - Samba, Mé e Trapalhões". Eterno, Antônio Carlos Bernardes Gomes, o "Carlinhos", morreu há exatos 20 anos. Era ao mesmo tempo um músico de talento e um ator carismático --e de muitos bordões. Na TV e no cinema, conquistou o Brasil com seu jeito despachado e brincalhão. Carisma este que rendeu inúmeras histórias em 53 anos de vida. Para relembrar a trajetória do trapalhão, conheça algumas delas, extraídas da nova biografia Divulgação Mais

Traquinagens na Infância::<br><br> "Uma de suas traquinagens preferidas consistia em amarrar latas de azeite vazias nos rabos de cabras e bodes dos terrenos baldios e depois soltá-los no meio das feiras livres. Os animais, desesperados pelo incômodo, saíam correndo e coiceando para se livrar das quinquilharias, enquanto o lugar virava um caos. Outro divertimento do moleque tinha como alvo os distintos cavalheiros que passavam pela rua usando chapéus. Ao lado dos comparsas, o moleque amarrava uma linha de pipa no tronco de uma árvore de um lado da rua e esperava um incauto passar, escondido do outro lado da calçada. Quando a vítima estava no lugar e na hora certa, a linha era puxada e o chapéu caia no chão como se puxado fantasmagoricamente. Anos mais tarde, Mussum contaria que a brincadeira precisou dar errado uma vez só para ser deixada de lado" Reprodução Mais

Carlinhos do Reco-Reco:: <br><br> "[O União da Guanabara] era um dos chamados blocos de sujos da periferia. Mesmo assim, era divertido e serviu como um primeiro contato mais sério de Carlinhos com o mundo do samba. Ali descobriria sua grande facilidade no domínio da percussão e começaria a entender que suas pernas compridas poderiam ajudá-lo a imitar os passos de mestre-sala com desenvoltura. (...) Para o moleque, sobrava o velho reco-reco cavado no gomo de bambu. Se tocasse bem, muito bem. Se tocasse mal, aquele som não conseguia atrapalhar o pagode. Às vezes pintava até um reco de metal, mas coisa rara que era, não ficava inadvertidamente passando de mão em mão. Incomodado com aquilo, Carlinhos aproveitou seus conhecimentos de ajustador mecânico recém-formado e o acesso às chapas, molas, porcas e parafusos da oficina para montar seu próprio instrumento e entrar de vez na bagunça. (...) O reco-reco montado na oficina fez sucesso no bloco e virou sobrenome para Antônio Carlos, agora chamado pela rapaziada de Carlinho do Reco-Reco, mas o sobrenome mudaria rapidamente por conta de uma feliz coincidência" Arquivo pessoal Mais

O "mé":: <br><br> "(..) O point preferido de Carlinhos [no morro da Mangueira] era a tendinha do Nenê Cotó, apelidado assim por ter o antebraço amputado após um acidente. Ali, bem no pé do morro, bebia qualquer coisa que caísse em seu copo e partia depois para dar um alô ao pessoal na birosca da Dona Efigênia, do outro lado da rua, onde era proibido cuspir no chão. (...) O limão figurava como primeira opção, sendo seguido pela groselha e pelo mel. Na primeira receita, juntava-se a pinga com limão espremido e açúcar, o copo era chacoalhado e a mistura ganhava o nome de batida; a cachaça com groselha, por conta de seu tom vermelho opaco, ganhava o apelido de sangue; e a pinga com limão e mel, virou, simplesmente, o mé. Ao longo do tempo, como se sabe, a nomenclatura da última receita ganhou notoriedade nacional, e passou a servir para designar qualquer bebida alcóolica, com ou sem mel ou pinga" Reprodução/Youtube Mais

Mussum macumbeiro::<br><br> "No começo, contou com a compreensão e o bom trânsito com os superiores [do Exército] para conseguir licenças não remuneradas e dispensas. Com o tempo, para não abusar da boa vontade dos comandantes, começou a apelar para a malandragem. Quando percebia que a situação era favorável, o cabo simplesmente pulava o muro, de farda e tudo, e pegava um táxi do Santos Dumont até o Leme. Quando percebia que sua deserção momentânea não seria fácil, tramava um número digno de um trapalhão. Durante o final de semana arrumava alguma biboca que tivesse mocotó no cardápio e pedia, sem dar explicações, o osso inteiro para levar para casa. Depois, amarrava um laço de fita vermelho bem vistoso na pata de vaca e levava o esquisito item escondido para o quartel. Na noite em que precisava sair para tocar no Fred´s, aparecia estrategicamente na frente de algum guarda e dizia que estava saindo rapidinho para fazer uma oferenda a Omulu, o temido orixá dos cemitérios, responsável pela triagem dos mortos. Os vigias, apavorados com a história, faziam vista grossa e deixavam Mussum sair sem caguetar a escapada para seus superiores. A malandragem seria essencial para a carreira de sambista do Cabo Fumaça" Arquivo pessoal Mais

Amizade com Elza e Mané::<br><br> "Outra presença ilustre na casa [Fred´s, prestigiada boate da zona sul Carioca onde Mussum tocava com Os Modernos do Samba] era Mané Garrincha. Já envolvido com Elza Soares, o craque geralmente levava a cantora até a casa de shows, cumprimentava os artistas e depois descia para ficar esperando a apresentação acabar, enquanto ficava bebericando quantidades industriais de pinga em algum bar ou tomando chopes na lanchonete Cervantes. Muito amigo de Elza, Mussum fazia o meio-campo entre os namorados, fazendo companhia para o ídolo do Botafogo e trocando as piadas mais recentes que aprendera na noite pelas anedotas que Mané trazia de suas viagens pelo Brasil e pelo mundo. A amizade ficou forte a ponto de o sambista ser convidado frequentemente para os famosos almoços e jantares na casa de Elza Soares" Acervo UH/Folhapress - Negativo: 13117.69 Mais

Em Acapulco antes do Chaves:: <br><br> "Com o impulso dado pelas novas responsabilidades que surgiam no horizonte, em janeiro de 1964, Mussum desembarcava no México ao lado de um time completo de músicos, coreógrafos, técnicos, dançarinas e vedetes. A partir dali a trupe começaria uma rotina de shows incessante. (..) Pelo cachê de um show, Carlos Machado fazia sua companhia trabalhar triplicado. Para Mussum, a adaptação ao novo país não foi fácil. O idioma teve que ser descascado aos poucos, com ingênuas tentativas de falar espanhol virando piadas entre os integrantes da companhia. A nomenclatura presente nos menus causava espanto, dificultando até o simples ato de escolher o que seria comido no almoço. A mistura de ingredientes da paella, por exemplo, acabou tornando-se matéria-prima para uma das piadas que Mussum mais gostaria de contar durante os futuros shows dos Originais do Samba, na década seguinte. Dizia ele que a rapaziada sofria, passava fome e nem reclamava quando encarava um prato típico que vinha com uma mistura de 'arroz, galinha, carne, cravo da chuteira do Pelé, raquete da Maria Esther Bueno...'" Divulgação Mais

O início do "cacildis"::<br><br> "Dentro dessa constante reinvenção de quadros e formatos, a próxima tacada do humorista (Chico Anysio) seria reviver na televisão a 'Escolinha do Professor Raimundo', sucesso do rádio no começo da década de 1950. E foi esta busca por opções para o elenco do novo quadro que levou Chico ao Fred´s, para assistir 'Pussy Pussy Cats'. Ary Fontoura era uma das estrelas do espetáculo e seria observado de perto, como num teste secreto, mas quem chamou mesmo a atenção do cearense foi Mussum. (...) Ao pedir referências a Grande Otelo, Chico Anysio ouviu só elogios e acabou com qualquer dúvida. Logo o convite chegaria até o sambista, que o aceitaria de pronto. (...) A diferença essencial para Mussum, não percebida inicialmente, é que o convite havia sido feito apenas a ele ?e não aos Originais do Samba. O ritmista teria de encarar as câmeras, a plateia e o palco sozinho, decorar textos e mostrar a cara sem o apoio dos amigos de sempre. Quando percebeu isso, quis voltar atrás e desistir do desafio. Chico Anysio tranquilizou seu novo pupilo, prometendo enviar os scripts com bastante antecedência e escrever falas curtas, que não exigiriam grande esforço para serem memorizadas. (...) Chico e o redator Roberto Silveira bolaram um personagem de inteligência bem limitada, aparência simplória e, claro, um bordão marcante. O cearense chegou a Mussum e disse: 'Olha, crioulo, você tem três expressões para ganhar a vida: tranquilis, como di factis e não tem problemis. Esse vai ser o seu ganha-pão.'" Reprodução Mais

Origem do apelido:: <br><br> "Quando o quadro da Escola de Samba começou, Otelo achou esquisito contracenar com aquele rapaz do conjunto, ninguém o tinha avisado de que aquela mudança ocorreria, mas nem havia jeito de avisar, uma vez que ele, como sempre, dispensou os ensaios e mal teve tempo de ler o texto. Mesmo assim, a cena começou e os primeiros diálogos entre os personagens foram se desenrolando. Otelo continuava desconfiado, mas seguia fazendo seu papel, com seu personagem tentando emplacar mais um samba-enredo sem pé nem cabeça. Foi quando Milton Gonçalves entrou em cena junto dos Originais, comandando os músicos com seu apito de mestre de bateria e deu um baita susto em Otelo. Embora a cena fosse sempre parecida, o veterano comediante não estava esperando o barulho dos instrumentos e, meio atordoado, deixou o livro que escondia suas falas escapar de sua mão. Voaram páginas para todo lado e, perdido, Otelo só conseguiu notar a sonora gargalhada que seu parceiro de cena dava, contagiando todo o elenco e o auditório. Com sua voz desafinada de moleque, o ator fuzilou Carlinhos com um olhar raivoso e soltou o primeiro xingamento que lhe veio à cabeça: 'Tá rindo do quê? Seu... seu... seu muçum!'" Luciana Whitaker/Folha Imagem Mais

Início como trapalhão:: <br><br> "Seguindo fielmente a linha do 'quanto mais popular, melhor', aliada com a formulação de novas tramas e personagens, juntos Renato e Dedé decidiram que o novo integrante da trupe deveria ser um ator negro. A inspiração veio das comédias americanas do começo dos anos 1970, quando nomes como Bill Cosby e Richard Pryor faziam sucesso com tipos engraçados (...) Para que isso funcionasse, concluiu a dupla, o artista deveria ser pouco conhecido. Não adiantaria contratar um humorista com uma bagagem pronta repleta de bordões e trejeitos. Renato queria alguém novo. O primeiro nome a surgir foi o de Tião Macalé (...) O próximo foi o de Mussum. (...) Apesar das experiências bemsucedidas no "Bairro Feliz" e no 'Chico Anysio Show', Mussum relutava bastante em aceitar convites mais sérios para trabalhar na TV. Não seria fácil. (...) Dedé ouviu uma negativa resoluta ao convite que levara. Mussum dizia que era músico e que não havia gostado das outras experiências que tivera na televisão. (...) Mussum ficou de pensar, mas não respondeu positivamente. (...) Insistiu um pouco mais. Prometeu falas curtas, horários flexíveis, bom salário, lembrou da facilidade em trabalhar na TV Record, onde Mussum já ia quase toda semana se apresentar com os Originais, pediu pelo amor de Deus... e conseguiu dobrar o amigo. Em junho de 1972, às 20h45, no Canal 7, 'Os Insociáveis' apareceriam com seu novo integrante em um formato remodelado" Luiz Carlos Leite/Folhapress Mais

Aventura no Marrocos:: <br><br> "Com ajuda do Ministério das Relações Exteriores, a R.A. Produções Artísticas conseguiu liberar a entrada de 28 pessoas no Marrocos [para filmar 'O Rei e os Trapalhões', em 1979]. A comitiva seria formada pelo elenco, a equipe técnica e três intérpretes. De acordo com os planos de Renato, quanto mais cenas fossem gravadas na África, melhor. Mas as coisas não seriam nada fáceis. Didi, Dedé, Mussum, Zacarias, Adriano Stuart, Carlos Kurt e companhia chegariam em um país em guerra, em meio ao pináculo de uma crise política. (...) Para contornar a situação, foi preciso boas doses de malandragem. Uma parte da equipe pediu autorização para sair sozinha e fazer um piquenique. Na verdade, escaparam rapidamente para filmar ilegalmente. O equipamento foi escondido dentro de cestos de vime, com sanduíches por cima. Em outro chapéu aplicado na guarda marroquina, o diretor Adriano Stuart exigiu, por meio do intérprete, que o guarda fosse ligar novamente para seus superiores, insistindo no pedido de autorização. Enquanto o militar saía para fazer a chamada, a equipe filmava tudo rapidinho. (...) Ameaçados de terem o parco material gravado apreendido, a produção precisou contrabandear algumas das latas com filmes, escondendo o material em meio a roupas sujas nas malas. No final das contas, menos de 40% das cenas da versão final do filme traziam imagens capturadas no Marrocos. Foi preciso improvisar de novo, transformando o Rio de Janeiro em cidadela persa e incluindo no roteiro uma viagem no tempo com os malandros das mil e uma noites passando uma temporada em um típico xadrez carioca." Reprodução Mais

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