SobreViver acolhe famílias que perderam seus filhos na gestação ou após o nascimento

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"You'll be with me wherever I go" ("Você estará comigo aonde eu for", na tradução para o português) é a mensagem que a fundadora e coordenadora do Grupo SobreViver, Flávia Cunha, leva em uma tatuagem em homenagem à filha, Marcela, que morreu 24 horas após o parto, em abril de 2014. A homenagem não está apenas na pele, mas em toda a sua vida Amanda Perobelli/BOL Mais

Flávia Cunha sempre teve vontade de ser mãe. Professora de educação infantil, ela esteve rodeada de crianças durante toda a sua vida profissional. Cerca de cinco anos após se casar, ela e o marido decidiram que queriam ter um bebê. Após dois anos de tentativas, Flávia teve a notícia de que estava esperando Marcela Amanda Perobelli/BOL Mais

A gestação foi tranquila, mas, após certo período, a bebê parou de ganhar peso e começou a apresentar uma restrição de crescimento. Com 38 semanas e seis dias de gestação, a filha de Flávia deu sinais de que iria nascer. Após horas de trabalho de parto, porém, não houve choro. Apenas um silêncio. Foram 18 minutos sem oxigenação até que Marcela foi reanimada e levada à UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal do hospital onde nasceu, em Campinas (SP) Amanda Perobelli/BOL Mais

A princípio, Flávia sabia apenas que algo muito grave poderia ter acontecido com sua bebê, mas ela não sabia o que era. Cerca de cinco horas depois do parto, ela e o marido puderam conhecer Marcela na UTI. "Parecia que eu ainda não estava no meu corpo, que eu estava letárgica, muito chocada com aquilo. Foi muito estranho, uma sensação de afastamento, de não estar lá", afirma Amanda Perobelli/BOL Mais

Marcela morreu 24 horas depois do parto. Ali começou a solidão de Flávia e do marido. Apesar do apoio de familiares e amigos, ela explica que as pessoas costumam não saber o que dizer e, em vez de ajudar, acabam deixando a mãe mais triste naquele momento: "As pessoas traziam as respostas prontas, clichês, como 'vai dar tudo certo', 'confia em Deus', 'você é jovem, ainda pode ter outros filhos'" Amanda Perobelli/BOL Mais

Alguns meses depois da morte de Marcela, Flávia teve contato com outra mãe na mesma situação. Michele havia perdido o filho Rafael um ano antes. Quando se encontraram, a professora descobriu alguém que realmente conseguia saber o que ela tinha passado. "Ter visto Michele, um ano depois de perder o filho, seguindo em frente, fez-me ver que a vida continua" Amanda Perobelli/BOL Mais

"Não vira uma saudade gostosa como todo mundo fala, é uma saudade que dói e dói pra caramba. Mas é uma dor com a qual você aprende a lidar e conviver", explica Flávia Amanda Perobelli/BOL Mais

Depois de encontrar Michele, Flávia conheceu outra mãe, depois outra... Os encontros, mostrados no Facebook em um grupo para compartilhar informações sobre a morte de bebês na gestação ou recém-nascidos, fizeram com que outras mães buscassem apoio e acolhimento. Foi quando nasceu o Grupo SobreViver Amanda Perobelli/BOL Mais

Além de usar o Facebook como ferramenta de contato, Flávia e outras mães perceberam que seria interessante fazer encontros presenciais. No primeiro sábado de cada mês, as famílias se reúnem no espaço Casa das Mães, em Campinas, no interior de São Paulo. As integrantes do grupo contam suas histórias e os novos participantes também têm espaço de fala Amanda Perobelli/BOL Mais

Nos encontros presenciais, os pais e mães recebem placas de identificação com seu nome e o nome de seus bebês. Ali, as crianças que morreram na gestação ou após o parto são tratadas pelos nomes, e não como uma perda ou um aborto Amanda Perobelli/BOL Mais

Segundo Flávia, o trabalho do Grupo SovreViver é baseado em três pilares: acolhimento, escuta e incentivo. "No primeiro momento, essa mãe precisa ser abraçada, deve ser colocada no colo e ouvir que é difícil, que vai doer demais", afirma a coordenadora do grupo Amanda Perobelli/BOL Mais

O segundo objetivo, a escuta, acontece como forma de aliviar a dor dos participantes. De acordo com Flávia, as mulheres precisam de um espaço de fala, para serem ouvidas por quem realmente está prestando atenção em suas histórias Amanda Perobelli/BOL Mais

Durante um dos encontros do grupo, em Campinas, mãe explica que o fato de ela contar sua história uma, duas, três, quatro vezes, fez com que ela, aos poucos, parasse de chorar ao relembrar a perda do filho Amanda Perobelli/BOL Mais

Por fim, o terceiro objetivo do grupo de acolhimento é o incentivo. Segundo Flávia, aquelas mulheres precisam começar a sentir vontade de fazer atividades que deem prazer a elas. Seja uma academia, artesanato, caminhada, o que elas tiverem de interesse. Esses são os primeiros passos para que a vida das mães volte à rotina Amanda Perobelli/BOL Mais

Após consolidar o grupo, Flávia Cunha acredita que a maternidade, para ela, ganhou novos sentidos. Além de honrar a memória da filha, ela usou sua experiência pessoal para acolher e ajudar outras mães. "Hoje eu vejo minha vida pautada nisso. Eu continuo professora, gosto do que eu faço, mas hoje a minha paixão são as mães" Amanda Perobelli/BOL Mais

No grupo, uma árvore de corações é criada para lembrar o nome de todos os bebês que morreram. As mães escrevem o nome de seus filhos em pequenos pedaços de papel e, depois, colocam na árvore, que virou um símbolo do grupo Amanda Perobelli/BOL Mais

Os nomes das crianças que morreram ficam eternizados na árvore do Grupo SobreViver Amanda Perobelli/BOL Mais

Stephanie Cordeiro de Oliveira, de 34 anos, é mãe de Aurora. A bebê morreu quando a mãe estava com 23 semanas de gestação. Embora tenha sido a terceira perda da engenheira, ela explica que foi a primeira vez que se permitiu passar pelo luto. Isso, graças ao Grupo SobreViver. "O acolhimento veio para que eu entendesse que eu precisava viver o meu luto. Se você não o vive, você quebra a questão de que havia uma vida", explica Amanda Perobelli/BOL Mais

No pescoço, Stephanie leva um cordão de borboleta que simboliza sua filha Aurora. De acordo com ela, o contato com Flávia e outras mães salvou sua vida: "Quando minha filha morreu, eu morri junto. Eu fiquei morta durante um mês" Amanda Perobelli/BOL Mais

Além do cordão, Stephanie leva Aurora tatuada na pele e no coração Amanda Perobelli/BOL Mais

Camila de Araújo Pinelli, mãe de Nicolas, buscou o grupo SobreViver na internet: "Pude dar meu relato, falar e ser acolhida, pois elas me entendiam, mesmo sendo no Facebook. Fui em um encontro presencial. Dividi sentimentos, abraços e choros. Aos poucos, o grupo me mostrava que eu estava viva" Amanda Perobelli/BOL Mais

No colar, Camila leva os dois filhos - Nicolas, que morreu em abril de 2015, e Joaquim, de dez meses Amanda Perobelli/BOL Mais

Zyah foi a quarta gestação de Érica Abdalla Ajaime, de 35 anos. Ela havia perdido três bebês no primeiro trimestre de gestação anteriormente. Segundo ela, seu filho faleceu quando ela estava na 24ª semana de gravidez. Após perdê-lo, Érica buscou ajuda até encontrar o Grupo SobreViver. Lá, ela encontrou pessoas que estavam dispostas a ouvi-la. Desde abril de 2017 ela participa dos encontros presenciais Amanda Perobelli/BOL Mais

Taiane Vasconcelos Salin, de 28 anos, perdeu sua filha Ana Luiza entre o terceiro e o quarto mês de gestação. Ela sofreu muitos traumas durante esse período e encontrou, no Grupo SobreViver, um local onde ela poderia ser assistida. "De lá para cá, tive minha dor e saudade legitimada, com um misto de 'companhia e solidão', que é ter alguém para ajudar a levar nos braços o peso da saudade dos nossos filhos e ajudar a carregar, também, a saudade dos filhos dos outros" Amanda Perobelli/BOL Mais

Janaina Amorim, de 36 anos, chegou ao SobreViver em setembro de 2015, com o coração despedaçado após a perda do seu filho Lorenzo. Ali aprendeu a ressignificar sua vida, a fazer novas amizades e a respeitar seu momento de luto e dor Amanda Perobelli/BOL Mais

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